PADROEIRO DA ARQUIDIOCESE

“Erigimos a cidade principal existente nesta região, chamada Uberaba, em cidade Episcopal com todos os direitos e honras e prerogativas, de que gozam e fruem as demais cidades existentes no Brazil, e seus habitantes que tem Sé Episcopal. Constituimos ainda a Egreja sita na mesma cidade, dedicada ao SS. Coração de Jesus, Egreja Cathedral sob o mesmo titulo e invocação e nella erigimos e constituímos a Sé e a dignidade episcopal para um Bispo que se chamará de Uberaba, Cathedraes existentes no Brazil e seus Bispos, exceptuado o que for de titulo oneroso ou de indulto peculiar” (Fragmentos extraídos da Bula de Criação da Diocese de Uberaba – Papa Pio X).

A DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

“O Filho de Deus amou-me e entregou-se por mim” (Gl 2,20). Jesus conheceu-nos e amou-nos a todos durante sua Vida, sua Agonia e Paixão e entregou-se por todos e cada um de nós: Amou-nos a todos com um coração humano. Por esta razão, o sagrado Coração de Jesus, traspassado por nossos pecados e para a nossa salvação, é considerado o principal sinal e símbolo daquele amor com o qual o divino Redentor ama ininterruptamente o Pai Eterno e todos os homens. (Catecismo da Igreja Católica, 478)

A morte de Jesus dá vida aos que morreram e “para que, do lado de Cristo morto na cruz, se formasse a Igreja e se cumprisse a Escritura que diz: Olharão para aquele que transpassaram (Jo 19,37), a divina Providência permitiu que um dos soldados lhe abrisse com a lança o sagrado lado, de onde jorraram sangue e água. Este é o preço da nossa salvação. Saído daquela fonte divina, isto é, no íntimo do seu Coração, iria dar aos sacramentos da Igreja o poder de conferir a vida da graça, tornando-se para os que já vivem em Cristo bebida da fonte viva que jorra para a vida eterna (Jo 4,14)” (São Boaventura. Lignum viate, 29-30.47).

“Eis o coração que tanto tem amado os homens e em recompensa não recebe da maior parte deles, senão ingratidões pelas irreverências e sacrilégios, friezas e desprezos que tem por mim nesse sacramento do Amor. Prometo-te pela minha excessiva misericórdia a todos que comungarem nas primeiras sextas de nove meses consecutivos a graça da penitência final. Estes não morrerão em minha inimizade, nem sem receberem os sacramentos. O meu Sagrado Coração lhes será refúgio seguro nessa última hora”. Essas foram as palavras de Nosso Senhor Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque mostrando-lhe o seu Coração traspassado pela espada.

Santa Margarida é eleita por Nosso Senhor a apóstola e confidente do seu Sagrado Coração. Por inúmeras vezes, de 1673 até 1675, esta jovem religiosa da Ordem da Visitação de Santa Maria, obteve a graça das aparições do próprio Jesus para incumbir-lhe da preciosa devoção ao seu Sagrado Coração, o que resultaria para a vida da Igreja no culto litúrgico como também na comunhão das primeiras sextas-feiras e a Hora Santa.

A primeira das revelações, num momento de adoração ao Santíssimo Sacramento, ocorreu no dia 27 de dezembro de 1673. Mas foi a A Beata Maria do Divino Coração quem pedira ao Papa Leão XIII que consagrasse solenemente esta devoção. O papa, acolhendo tão nobre pedido, assim se pronunciou, em 11 de junho de 1889, após a publicação da Encíclica Annum Sacrum: A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é uma forma por excelência de religiosidade. Essa devoção que recomendamos a todos será muito proveitosa. No Sagrado Coração está o símbolo e a imagem expressa do Amor Infinito de Jesus Cristo, que nos leva a retribuir-lhe esse amor.

Assim instituída pela Igreja, a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus é celebrada na sexta-feira seguinte ao segundo domingo depois de Pentecostes. E como extensão dessa festa litúrgica, há diversas formas de devoção ao Coração de Jesus, entre elas a consagração pessoal, que, segundo Pio XI, “entre todas as práticas do culto ao Sagrado Coração é sem dúvida a principal”; e também a consagração da família.

Em nossas Igrejas nas primeiras sextas-feiras, são realizados atos solenes de reparação, no intuito de motivar os cristãos a retribuírem com amor tantas e tão grandes provas de amor que Jesus fez e faz por todos os homens e mulheres.

Dos colóquios com Santa Margarida, o Senhor Jesus deixou doze promessas e pediu para que a religiosa difundisse essas mensagens e a devoção para o mundo inteiro. Jesus convida a que os fiéis participem da celebração da Missa durante as primeiras sextas-feiras em nove meses consecutivos, com uma confissão reparadora e a sagrada comunhão. E fez as doze promessas aos que atendessem ao seu pedido:

1- Dar-lhes-ei todas as graças necessárias ao seu estado de vida;

2- Estabelecerei a paz nas famílias;

3- Abençoarei os lares onde for exposta e honrada a imagem do meu Sagrado Coração;

4- Hei de consolá-los em todas as dificuldades;

5- Serei o seu refúgio durante a vida, e em especial durante a morte;

6- Derramarei bênçãos abundantes sobre seus empreendimentos;

7- Os pecadores encontrarão no meu Sagrado Coração uma fonte e um oceano sem fim de misericórdia;

8- As almas tíbias (tímidas e vacilantes na fé) tornar-se-ão fervorosas;

9- As almas fervorosas ascenderão rapidamente a um estado de grande perfeição;

10- Darei aos sacerdotes o poder de tocar nos corações mais endurecidos;

11- Aqueles que propagarem esta devoção terão os seus nomes escritos no meu Sagrado Coração, e dele nunca serão apagados;

12- Prometo-vos, no excesso da misericórdia do meu Coração, que o meu Amor Todo Poderoso concederá a todos aqueles que comungarem na primeira sexta-feira de nove meses seguidos a graça da penitência final; não morrerão no meu desagrado, nem sem receberem os Sacramentos. O meu divino Coração será o seu refúgio de salvação nesse derradeiro momento.

O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS E O APOSTOLADO DA ORAÇÃO

Os documentos conciliares do Vaticano II muito insistem na vocação de todos os fiéis ao apostolado. Estes não somente são convidados a uma atividade externa, mas também são aconselhados a que fomentem em si próprios uma união vital com Cristo, de modo especial a viverem a Liturgia e a meditação da Palavra de Deus e nela cresçam cumprindo a vontade divina. Por meio do Batismo, todos os fiéis participam do múnus sacerdotal, real e profético de Cristo, e são destinados pelo Senhor para a atividade apostólica de sua vocação.

Dentro dessa vocação universal ao apostolado, o Apostolado da Oração constitui a associação dos fiéis que, por meio do oferecimento cotidiano de si mesmos, se unem ao Sacrifício Eucarístico, no qual se exerce continuamente a obra de nossa redenção, e dessa forma, pela união vital com Cristo, da qual depende a fecundidade apostólica, colaboram na salvação do mundo. (Manual do Coração de Jesus)

Assim como Cristo, que propagou seu Reino e ao mesmo tempo remiu o mundo ensinando e praticando as obras de misericórdia, oferecendo desde o início sua vida ao Pai pelos homens, rogando por eles e consumando sua oblação pelo mérito pascal; assim também todo apostolado externo deve estar unido à oração e ao sacrifício a fim de que, em virtude do Sacrifício da Cruz, contribua para a edificação do Corpo de Cristo.

De sua parte, essa relação com Cristo, Sumo Sacerdote, necessariamente requer uma íntima união com Ele por meio do amor pessoal. Por isso, o Apostolado da Oração atribui singular importância ao culto do Coração de Jesus, pelo qual os fiéis, penetrando mais profundamente no mistério do amor de Cristo e daí participando mais estreitamente do mistério pascal do Senhor, correspondem ao amor com que nosso Salvador, imolando-se pela salvação do mundo, do seu Coração transpassado deu vida à Igreja (Jo 19,34).

Da nossa parte, é preciso, pois, que Lhe respondamos com o nosso amor. Ora, a Igreja nos ensina que o amor de Cristo está principalmente representado no seu Coração e nos convida a que reverenciemos esse amor, simbolizado pelo Coração de Cristo, como fonte de salvação e de misericórdia.

Texto de autoria de Pe. Gustavo Cortez Fernandez

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