Assédio às comunidades rurais?

Tenho tido, em nome da arquidiocese, um modestíssimo contacto ecumênico com o “Conselho dos Pastores Evangélicos” de Uberaba. Eles me receberam muito bem, e permitiram que eu lhes desse um apanhado sobre o sentido da CF  deste ano de 2014 (Tráfico Humano). Mas é sabido que nem todas as comunidades evangélicas fazem parte desse Conselho. Há muitas outras, cuja amizade para com a Igreja Católica, nem sempre é evidente. Ao visitar algumas  comunidades católicas de nosso município, deu para perceber, por parte de certas denominações cristãs, um  avanço em cima dos nossos fiéis do meio rural. Fiquei realmente preocupado pelo futuro dessas comunidades, quase sempre com mais de 50 famílias. Comecei a me interrogar  sobre as verdadeiras razões de tal fato.

Como primeira causa – como não poderia deixar de ser – olhei para dentro de nossa organização pastoral. Há muito tempo, e não só agora, essas comunidades se sentem abandonadas pelas Paróquias, que as administram. As visitas são muito esporádicas, e muito rápidas. Quando não são totalmente cortadas por razões diversas: chuva; gastos financeiros; pouca resposta; alguns membros difíceis… Então o campo fica aberto para quem quiser penetrar. Mas a culpa não está só do nosso lado. Nas comunidades que contam com aglomerados humanos (muitas vezes nas terras “do Santo”), existem Pastores já residentes e que movimentam a população (Palestina, Baixa, Serrinha, Rufinópolis Santa Fé…).  Nós ficarmos quietos, em nome de um falso ecumenismo, o que é contra as Escrituras. “Atendei a todo rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu pastores, rebanho que ele adquiriu com seu próprio sangue”(At 20, 28). Sem vigilância nos tornamos cães mudos. Qual é a tática usada por alguns líderes evangélicos? Primeiro, despertam um agudo sentimento de pecado nos católicos, com a sensação de estar perdidos (seriam idólatras, papistas, com batismo inválido, com desprezo das Escrituras…). Depois vem a conversão, com a convicção de estarem salvos, de começarem uma vida nova. Provoca-se um sentimento de paz e de garantia de bênção divina para os seus negócios e para a sua família. Depois de realizado o “batizado”, dificilmente esse católico retorna para o seio da sua Igreja.

Antes de escrever este texto fiquei com receio de ser classificado como um polemista, em desacordo com os tempos atuais da Igreja, quando só se fala de diálogo. Ou de ser  alguém que não respeita a religião dos Irmãos Separados. Mas o meu maior receio, no entanto, foi o de ser classificado como omisso, um Pastor que “foge do lobo” (Jo 10, 12). Por isso optei em me manifestar. Não vai nisso o mais mínimo desrespeito aos irmãos separados, que vivem com sinceridade a sua fé evangélica. Aqui vai o meu respeito pelos Pastores evangélicos autênticos.

Dom Aloísio Roque Oppermann scj – Arcebispo Emérito de Uberaba, MG.

Endereço eletrônico: domroqueopp@terra.com.br

Compartilhe!
0 respostas

Deixe um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *