Espírito de Deus

Não é fácil ter o espírito de Deus. A possibilidade acontece a partir da vinda de Jesus Cristo. Foi Ele quem nos aproximou dessa realidade, porque n’Ele o divino se tornou humano. Suas palavras e prática revelam a grandeza da vida divina dentro do contexto humano. É fundamental o correto uso da liberdade, para fazer boas escolhas e ter uma vida de acordo com as palavras do Evangelho.

A liberdade das pessoas sofre as consequências do mal e das injustiças que querem dominar o agir humano. Não basta crer em Jesus Cristo para se ter afinidade com o espírito de Deus, nem violar as normas divinas e agir contra os princípios cristãos, mas é preciso seguir seus passos e lutar sempre para que o mundo se liberte do mal que o desfigura a todo instante, ferindo sua identidade.

Recusar a Deus como Pai significa não reconhecer o outro como irmão. Sendo assim, fica difícil praticar a fraternidade, justamente aquilo que nos possibilita ter o espírito de Deus. Tudo isso concretiza o fechamento da pessoa em si mesma, reduzindo sua capacidade de relacionamento e de comunhão. O individualismo não consegue satisfazer e dar sentido saudável para a vida humana.

Fala-se em fazer a experiência de Deus. Na verdade, é a experiência do Espírito Santo, conferindo às pessoas os seus dons, carismas, ministérios e serviços. Isso abre o coração e a mente dos indivíduos para a prática da caridade. Conseguem sair do fechamento e se tornam pessoas realizadas, porque saem de si mesmas e se colocam a serviço dos irmãos, principalmente os mais necessitados.

Com a visão bíblica, no passado “o Espírito pairava sobre as águas” (Gn 1,2). O ser humano passou a ter vida a partir de um sopro divino: “soprou o sopro da vida e ele se tornou um ser vivente” (Gn 2,7). Jesus fez o mesmo gesto em relação dos discípulos, ao soprar sobre eles, disse: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22). É o Espírito das boas obras para quem as pratica com fé.

Ter o espírito de Deus significa viver a santidade, uma realidade que vem do cumprimento da Palavra de Deus. É na prática comunitária que isto acontece, porque ali há espaço para a convivência e o exercício da fraternidade. Ninguém está excluído dessa realidade, porque a santidade é para todos, é proposta universal, mas que respeita a decisão de cada pessoa.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

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