Fidelidade no projeto

A fidelidade social não é objetiva. Ela supõe subjetividade coerente, consciência formada e critérios justos de ação. Mesmo com as exigências da lei, a cobrança de autoridades e preocupação com as consequências, projetos, em benefício do povo, são camuflados, distorcidos e não chegam a atender os objetivos. Muitas pessoas estão sofrendo as consequências da infidelidade no agir.

A fé em Deus supõe muita fidelidade ao projeto de vida proclamado nas palavras da Sagrada Escritura. A indicação é divina, mas o cumprimento é humano, superando interesses individualistas na defesa incondicional da vida. O projeto de Deus é amplo e aberto a todo ser humano. A única exigência é que seja realizado com fidelidade.

É na história humana que acontece a realização do bem comum, que não deixa também de ser a vontade de Deus. Isto pode ser realizado por pessoas simples, pobres e sem recursos econômicos. A essência da vida não está nos bens materiais, no ter isto ou aquilo, mas na capacidade de doação, de partilha e descoberta de Deus nas coisas simples.

Há muita cegueira entre as pessoas. Muitos são incapazes de enxergar as riquezas ao seu redor. O clima de consumismo, provocado pelos sofisticados meios de comunicação, obscurece a mente das pessoas. Elas são até sugestionadas a agir de forma incongruente, irracional e sem compromisso com as consequências que daí pode acontecer.

O cumprimento do projeto de Deus depende de fidelidade a Jesus Cristo. Ele, “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6), constitui o centro de tudo. É um caminho de enfrentamento e de identificação com a vida plena, custando o que custar. Em Cristo, as consequências foram a paixão e a morte na cruz.

Muitas das nossas atitudes são “diabólicas”, como aconteceu com Pedro, a ponto de Jesus dizer: “Vai para longe de mim, Satanás” (Mc 8,6). Portanto, não basta acreditar em Cristo, mas também praticar a justiça e vincular a fé às obras. Diz Paulo que “a fé age pela caridade” (Gl 5,6). Ser cristão é estar relacionado com o próximo de forma fraterna.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba.

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