Reino da Vida

Enfrentamos situações de morte nas diversas práticas da cultura moderna. Em tempo de Páscoa, a mente humana deveria ser totalmente empenhada na defesa e na construção da vida. Este foi o agir de Jesus Cristo, terminando na cruz para dizer que a morte pode se transformar em vida. É a doação da própria vida, para construir o bem comum, que consegue despertar vida para as pessoas.

A missão de Jesus Cristo na terra foi de construir o Reino de Deus, reino que tem por objetivo defender a vida na sua dignidade e plenitude. Nas dimensões da sociedade de hoje, ele não pode ser um reino estéril, sem fecundidade, fruto de atitudes irresponsáveis e sem compromisso com o sentido e a dignidade da vida. Tem que ser expressão clara da verdade e da justiça como identidade.

O cristão agora é convocado pela Palavra de Deus para seguir o caminho do Reino, que passa inclusive pela doação de si mesmo e pelo martírio. Mas isto só é possível mesmo quando o amor incondicional pelo outro for colocado em primeiro plano. É preciso criar consciência sobre a riqueza do verdadeiro amor, daquele que leva a pessoa a imitar Jesus Cristo na doação, como os apóstolos.

Os apóstolos foram proibidos pelas autoridades civis de proclamar o nome do Senhor, mas agiram, mesmo assim, dizendo que deveriam obedecer a Deus e não aos homens. Os ensinamentos de Jesus Cristo eram rejeitados por quem exercia poder político. Entendiam que a mensagem dos cristãos perturbava a ordem pública. Era a mensagem da coerência, do amor e da responsabilidade.

Olhando para a sociedade do passado, as coisas não eram diferentes do que está acontecendo hoje. A luta pelo poder sempre foi um alvo perseguido pelos políticos, mas a prática nem sempre coincido com o reino da vida, porque o bem público não tem sido o objetivo principal. Isto é sinal de que muita gente fica no prejuízo por causa das más administrações e aproveitamentos próprios.

Os destinos da história estão nas mãos de Deus. Muda governo, acontecem brigas entre os políticos, acusações baratas, desvios públicos são institucionalizados, as inverdades e injustiças ficam como fatos normais e tudo continua na normalidade. Creio ser hora de um basta em tudo isto. Os mais prejudicados, que procuram caminhos de vida, são os mais pobres, e esperam a justiça de Deus.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

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