Santuário da Medalha Milagrosa (1949)

A história do Santuário da Medalha Milagrosa confunde-se com a história do clero e do povo católico uberabense e indubitavelmente com a própria caminhada na fé das irmãs concepcionistas. Desta forma, o início desta memória vai até o século XV, na Espanha, onde uma jovem chamada Dona Beatriz da Silva, de origem lusitana e nobre, se recolhe em vida monástica após perseguições sofridas na corte castelhana. Transcorridos os trâmites eclesiásticos, em 1498 o Papa Inocêncio II através da Bula Inter Universa autorizou o funcionamento da Ordem da Imaculada Conceição – OIC. Esta ordem, que possui no silêncio adorante e na experiência contemplativa marcas indeléveis de sua identidade religiosa, e nos exemplos da Virgem Maria e de Santa Beatriz inspirações para o seguimento a Jesus Cristo chegou a Uberaba – no Planalto Central do Brasil – em junho de 1949. Ainda que estivessem separadas por milhas e milhas daquele primeiro mosteiro em Toledo e séculos e séculos daquelas primeiras irmãs que ouviram o chamado de Cristo na pessoa de Santa Beatriz, as irmãs que chegaram a Uberaba estavam àquelas unidas através de uma profunda e ininterrupta história de amor a Deus.

Tendo chegado em junho de 1949, sob a condução de Madre Maria Virgínia do Nascimento, as irmãs concepcionistas fixaram-se em dois endereços distintos antes de, finalmente, se mudarem para onde, ainda hoje, se encontram localizadas. Primeiro formaram o Mosteiro na Rua Gonçalves Dias, em 1951 mudaram-se para a Rua Afonso Rato e definitivamente em 1961 o Mosteiro foi estabelecido na Rua Medalha Milagrosa. Em 1957 foi lançada a pedra fundamental do Santuário da Medalha Milagrosa e desde 1955 tem se rezado a Novena Perpétua de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, infundindo esta devoção mariana tão presente em nossa Igreja Particular através das gerações.

Os leigos tiveram papel central no desenvolvimento material e espiritual do Santuário, visto que contribuíram desde o princípio seja com a realização de festas e campanhas seja na participação piedosa nas santas missas e novenas. Lembramos de forma particular o dr. Nicolau Laterza e o sr. Orlando Bruno, respectivamente autor do projeto arquitetônico e presidente da Comissão Construtora do Santuário; o Prof. Djalma Alvarenga de Oliveira, fundador e entusiasta da Novena Perpétua, as sras. Arethusa Fernandes Brasil e Esperança Ribeiro Borges, respectivamente responsáveis pela Comissão Feminina Pró-Construção e difusora da devoção à Medalha Milagrosa através do Correio Católicoe da extinta rádio PRE-5.

Quanto à participação do clero, destacamos a figura sempre altiva de D. Alexandre Gonçalves do Amaral, então bispo de Uberaba e incentivador constante da presença religiosa no território arquidiocesano; também haveria de proclamar Nossa Senhora da Medalha Milagrosa como Rainha da Diocese de Uberaba. Foram capelães e reitores das irmãs concepcionistas: Mons. Genésio Borges (1955 a 1994), D. Benedito de Ulhôa Vieira (1997 a 2005) – na condição de arcebispo emérito – tendo sido auxiliado por Pe. Sebastião Ribeiro (2002 a 2003) e Pe. Roberto Oliveira (2004) na condição de pró-reitores, Pe. Geraldo Maia (2005 a 2007) e atualmente o Reitor é Pe. Ricardo Fidélis. O Mosteiro da Imaculada Conceição, da Divina Providência e de São José é atualmente conduzido pela Abadessa Madre Maria dos Anjos do Santíssimo Sacramento – OIC.

Fonte: “Preservando a Memória” da Irmã Maria Antônia de Alencar – OIC.
“Memória da Arquidiocese de Uberaba” de Pe. Thomaz de Aquino Prata.

Por Vitor Lacerda

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Paróquia São Miguel – Veríssimo (1896)

Criação da Paróquia

O povoado de Veríssimo começou a se formar em meados do século XIX estimulado pelo desenvolvimento comercial e agrícola de Uberaba que estava a menos de 50 quilômetros daquele núcleo urbano. Neste período histórico, todo o território que hoje compreende os estados de Goiás e Tocantins e as regiões mineiras do Triângulo e Alto Paranaíba compunham o vastíssimo território da Diocese de Goiás, cuja sede diocesana era a capital da província de mesmo nome: Cidade de Goiás (hoje também conhecida como Goiás Velho). Em 1871 o Bispo de Goiás, Dom Joaquim Gonçalves de Azevedo, estava em visita pastoral em nossa região e passando pelo povoado de São Miguel de Veríssimo concedeu licença para que se construísse ali uma capela dedicada ao padroeiro do povoado bem como um cemitério.

Durante todo esse período o povoado era um distrito do Município de Uberaba conforme a Lei Estadual n.º 332 de 1891 e consequentemente estava vinculada à Paróquia Matriz de Uberaba de Santo Antônio e São Sebastião (hoje nossa Catedral Metropolitana). Seria somente em 2 de junho de 1896 que a capela de São Miguel de Veríssimo seria elevada à condição de Paróquia através de um decreto episcopal de Dom Eduardo Duarte Silva, ainda como Bispo de Goiás. Curiosamente a Paróquia de São Miguel de Veríssimo foi a primeira criada por D. Eduardo em nossa diocese, mas quando ainda fazíamos parte da diocese de Goiás. Podemos assim considera-la um marco em nossa história eclesiástica. Vejamos:

Paróquias criadas quando integrávamos a Diocese de Goiás
(em nosso território arquidiocesano atual)

Paróquia de São Domingos de Gusmão – Araxá (1791)
Catedral Metropolitana do Sagrado Coração de Jesus (1820)
Paróquia de Nossa Senhora do Carmo – Prata (1840)
Paróquia de Nossa Senhora das Dores – Campo Florido (1846)
Paróquia de Nossa Senhora do Desterro – Sacramento (1857)
Paróquia de Nossa Senhora do Carmo – Frutal (1870)
Basílica do Santíssimo Sacramento Apresentada pelo Patrocínio de Maria – Sacramento (1872)
Paróquia de Nossa Senhora da Abadia – Romaria (1872)
Paróquia de Nossa Senhora das Dores – Santa Juliana (1875)
Paróquia da Imaculada Conceição – Conceição das Alagoas (1878)
Paróquia de São Miguel – Nova Ponte (1882)
Paróquia de São Miguel – Veríssimo (1896)

Paróquias criadas por Dom Eduardo como Bispo de Goiás
(em nosso território arquidiocesano atual)

Paróquia de São Miguel – Veríssimo (1896)

Paróquias criadas por Dom Eduardo como Bispo de Uberaba
(em nosso território arquidiocesano atual)

Paróquia do Santíssimo Sacramento – Uberaba (1908)
Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes – Conquista (1908)
Santuário de Nossa Senhora da Abadia – Uberaba (1921)

Reformas e Ampliações

No começo do século XX dois párocos se destacaram nos melhoramentos da igreja matriz de Veríssimo: o  Pe. Ângelo de Féo e depois dele o Pe. Júlio de Ras que também era engenheiro. O primeiro reconstruiu a igreja a partir de 1914 e o segundo a partir de 1934 até 1937 finalizou definitivamente as obras e construiu a torre. De 1937 até 1982 aquela centenária matriz dedicada a São Miguel permaneceu sem passar por qualquer tipo de reparos ou obras de expansão. Foi quando a Irmã Teresinha de Jesus Gonçalves planejou e executou novas reformas substituindo o forro de madeira por laje e trocando todo o piso da igreja. Nos anos 2000 foi realizada uma pintura externa em azul que devolveu o charme não só à igreja mas à toda cidade de Veríssimo.

Paróquia São Miguel e Religiosos

Estreitos são os laços entre a Paróquia de São Miguel com duas ordens religiosas que ao longo da história auxiliaram no processo de evangelização e conversão daquele povo: a Ordem dos Pregadores e a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Logo em 1899 os dominicanos assumiram a condução da Paróquia em fevereiro e entre outubro de 1899 e outubro de 1900. Tornariam posteriormente entre abril de 1911 e dezembro de 1912 perfazendo quase três anos de trabalho missionário. Os capuchinhos por sua vez lá estiveram pela primeira vez em 1940 e alternando ocasionalmente com padres diocesanos lá permaneceram até 1984. Passaram por lá onze freis em vinte e cinco anos de administração capuchinha. Atualmente os Dominicanos novamente assumiram a administração paroquial sendo hoje responsável pela Paróquia o Revmo. Frei Cristiano Amaral Bhering de Lacerda OP.

Por Vitor Lacerda

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Paróquia São Miguel – Nova Ponte (1882)

Tendo sido instituída Paróquia pela Lei nº. 2916 de 26 de setembro de 1882, a matriz de São Miguel da cidade de Nova Ponte está prestes a comemorar seus 135 anos de fundação. Muitas são as memórias que se acumulam nestes mais de cem anos e que se misturam com as próprias lembranças e suspiros de seu povo e cidade.

Esta história começa no período colonial, inserida no processo de exploração e expansão territorial pelos sertões promovido pelos bandeirantes. A bandeira de Castanho Taques, que passou por Desemboque e Araxá, em busca de um caminho mais curto para Paracatu, atingiu as terras que se tornariam Nova Ponte. Os fazendeiros Manoel Pires de Miranda e Antônio Lúcio de Resende receberam uma sesmaria, dividida pelo rio Araguari, e doaram uma gleba, onde foram construídas as igrejas de São Miguel e São Sebastião, nos arredores das quais desenvolveram-se dois povoados. As pontes que foram sendo construídas ao longo da história com o propósito de ligar as duas margens do rio deram à cidade de Nova Ponte o nome como hoje é chamada.

Mais adiante, em 1882 (fim do período imperial) foi criada a freguesia de São Miguel da Ponte Nova. A inversão do nome para Nova Ponte justificou-se posteriormente por conta da quantidade de municípios brasileiros com o mesmo nome. Sua elevação a município se daria um pouco mais tarde, em 1938, desmembrando-se de Sacramento.

Um rico histórico de pastores

O primeiro pároco foi Pe. Joaquim Severino Ribeiro, cuja provisão se deu em 1884. Ele também atendia a Paróquia de Dores de Santa Juliana. Seguiram a ele outros três padres diocesanos quando, em 1899, assumiu o governo da paróquia Frei Agostinho Cristóbal OSA. Os freis agostinianos permaneceram na paróquia até 1908 sendo que passaram ao todo cinco párocos desta ordem religiosa. Em 1908 reassumiu a condução paroquial o clero diocesano na pessoa de Pe. José Sanroman (1908-1912), sendo seguido pelo Pe. Domingos da Silva (1912-1917) e pelo Pe. Albino Figueiredo de Miranda (1917-1925).

A chegada de nosso segundo bispo, Dom Antônio de Almeida Lustosa SDB em fevereiro de 1925, coincidiu com a anexação da Paróquia de São Miguel de Nova Ponte à Paróquia de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja (Romaria) e a entrega de ambas aos recém-chegados padres da Congregação dos Sagrados Corações, dentre os quais o Beato Pe. Eustáquio van Lieshout que certamente marcou presença, como os demais padres de sua congregação, em Nova Ponte. Mas aquele que deixaria contribuição mais significativa, seja por ser o primeiro a de fato residir na cidade, como pelo tempo em que lá permaneceu, foi o holandês Pe. Panfílio van den Broek SSCC. Chegou em Nova Ponte em 1953 e durante os trinta e três anos em que foi pároco foi responsável pela construção de várias capelas rurais, pela remodelação da antiga matriz e por um eficaz trabalho pastoral e missionário.

Em 1986, todavia, a Paróquia haveria por mais uma vez, e de forma definitiva, retornar à condução do clero diocesano diante do desejo do então arcebispo Dom Benedito de Ulhoa Vieira, após prestados os devidos agradecimentos aos Padres dos Sagrados Corações que ali colaboraram por mais de sessenta anos. O primeiro pároco desse período de transição foi o Pe. José Lourenço da Silva Júnior.

A construção da represa: uma “nova” paróquia?

Em 1952, quando Juscelino Kubitschek era governador de Minas Gerais, várias pequenas usinas hidroelétricas foram reunidas numa única empresa energética que serviria como propulsora do crescimento industrial de todo o estado: a Cemig. Desse momento em diante, vários pontos hidrográficos do estado passaram a ser cogitados para ampliar nosso fornecimento de energia elétrica e, desde a década de 1970, começaram a serem feitos estudos no rio Araguari, que cortava Nova Ponte.

Quando se anunciou, no início da década de 1990, que a cidade seria inundada por ocasião da construção de uma usina hidroelétrica no local, e que a Cemig indenizaria os danos sociais causados por meio da construção de uma nova cidade, muita foi a relutância do povo. Neste sentido, vale destacar que muitas reuniões entre representantes da empresa e moradores novapontenses aconteceram na antiga matriz de São Miguel, tendo, pois, servido aquela comunidade eclesial a um importante propósito social naquele momento histórico.

Quando se deu a inundação da antiga cidade, em meados de 1993/1994, nos relatos de muitos moradores, o momento mais sofrido foi quando a cabeça da grande imagem de São Miguel, feita de pedra, que ornava a grande torre externa da matriz, caiu por chão. Mais tarde, este patrimônio histórico e religioso seria transferido para a praça da nova matriz como símbolo de continuidade do novo templo que foi construído com aquele que permanecera debaixo d’água.

Em muitos sentidos a história da Paróquia de São Miguel de Nova Ponte é didática em nos ensinar que o maior patrimônio de uma paróquia, aquilo que de fato é indissolúvel ao tempo, é justamente o produto da evangelização que geração após geração vai edificando na fé e na virtude toda uma comunidade de pessoas reunidas no amor e no seguimento a Jesus Cristo. Pois assim como o povo de Israel, cativo no Egito e na Babilônia, peregrino no deserto, perdidos por vezes no culto a outros deuses, não perdeu sua identidade e seu compromisso, assim também somos nós em nossas paróquias: pequenas parcelas do povo eleito por Deus que encontram sua identidade Nele próprio.

Continuidade de um longo trabalho

Desde janeiro de 2016 é Pároco de São Miguel de Nova Ponte o Revmo. Pe. Rone Carlos da Silva que vem se esforçando na elevação do patrimônio espiritual e material desta paróquia. Desde sua posse muito tem sido feito: a Capela de São Sebastião, símbolo resistente da época em que a cidade se dividia em dois povoados separados por um rio, teve portas trocadas, bancos restaurados e o telhado foi todo colocado. Na capela de São José foi construído um banheiro e uma pequena secretaria. Na capela de Nossa Senhora da Medalha foram colocadas rampas de acesso para portadores de necessidades especiais.

Em relação à matriz, agora um templo com quase vinte e cinco anos, foram reformadas as portas laterais e o pórtico central e está sendo concluída a troca total do telhado e das calhas. No interior da matriz está sendo ampliada a sacristia e uma capela para o Santíssimo. Foram adquiridos vitrais para a parte inferior da nave com o propósito de dotá-la de maior encanto.

Para o futuro, o pároco diz ter como projeto readequar o presbitério, pintar toda a igreja, construir armários na secretaria e na sacristia e buscar, junto à Prefeitura de Nova Ponte, uma parceria para revitalização da praça onde se encontra a matriz de São Miguel.

Por Seminarista Vitor Lacerda

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Paróquia São Benedito (1961)

Processo de criação da Paróquia

Em 24 de maio de 1959, foi constituída uma Comissão Pró-Elevação a Paróquia da Capela de São Benedito,sob a presidência do Pe. Olímpio Olivieri, naquela ocasião Cura da Catedral e, consequentemente, responsável pelo território no qual estava localizada a Capela de São Benedito. Para além dele, também participavam dessa Comissão Pe. Antônio Fialho e dezenas de leigos e leigas comprometidos com a causa. O território que se pretendia para a futura paróquia foi setorizado e os leigos foram incumbidos de percorrer residências e comércios à procura de contribuições que foram registradas num Livro de Ouro. Foram também organizadas rifas de eletrodomésticos e anualmente se realizavam no mês de outubro quermesses por ocasião da Festa de São Benedito. Em junho de 1960, Pe. Olímpio informou aos demais membros da Comissão que, após solicitar a Dom Alexandre Gonçalves do Amaral, bispo diocesano, a criação da Paróquia, este havia argumentado que estava ocupado com o processo de desmembramento e criação da Diocese de Uberlândia, de forma que poderia analisar cuidadosamente aquela solicitação apenas no ano seguinte.

Finalmente, no dia 17 de fevereiro de 1961 foi criada a Paróquia São Benedito por decreto do Bispo Diocesano, sendo localizada no coração do bairro uberabense de mesmo nome. Poucos dias depois, Pe. Vicente A. dos Santos tomou posse como primeiro pároco.

Histórico das Obras

A antiga matriz de São Benedito ficava localizada na atual Praça Dr. Jorge Frange e sua demolição se deu em outubro de 1968, a pedido da Prefeitura Municipal e com anuência da Igreja no sentido de que fosse construído um Terminal Rodoviário, o que de fato aconteceu. Imediatamente foi improvisada uma capela de madeira na Rua Francisco Pagliaro onde os ofícios litúrgicos ocorreriam temporariamente enquanto as missas dominicais seriam celebradas no galpão do Colégio Nossa Senhora das Graças. A partir de fevereiro de 1973, foram iniciadas as obras da nova matriz no mesmo local onde hoje se encontra. Apenas a partir de dezembro de 1975 os ofícios litúrgicos passaram a ser ordinariamente celebrados na nova matriz, por ocasião da colocação da cobertura, embora as obras ainda não tivessem terminado. Finalmente, no dia 3 de dezembro de 1978, foi celebrada festivamente pelo arcebispo Dom Benedito de Ulhoa Vieira uma missa de inauguração da nova matriz.

Em maio de 1996, foi inaugurado um Complexo Paroquial que contava com um Salão de Festas, um apartamento para residência do pároco e um conjunto de cinco salas de catequese.

Em setembro de 2002, foi erguida a torre de sustentação do sino e construídas as rampas e grades laterais.

Nos últimos anos foram construídos banheiros, modernizado o sistema de som e instalado um eficiente sistema de refrigeração. Recentemente, foi incorporado ao patrimônio paroquial um terreno adjacente cujo propósito será de expandir o Salão de Festas.

Paroquiatos

Entre a criação da paróquia em 1961 até 2001, foi o primeiro pároco MONSENHOR VICENTE AMBRÓSIO DOS SANTOS. Durante algum tempo, contou com Padre Eddie Bernardes como vigário paroquial.

Entre 2001 até 2010, foi o segundo pároco DOM ANTÔNIO BRAZ BENEVENTE, atualmente Bispo Diocesano de Jacarezinho (Paraná). Durante seus últimos anos de paroquiato, contou com a colaboração de Padre Roberto Francisco de Oliveira como vigário paroquial.

Entre 2010 até 2012, foi o terceiro pároco PADRE SEBASTIÃO JOSÉ APARECIDO RIBEIRO.

E desde 2012, é o quarto e atual pároco PADRE MARCELO LÁZARO PINTO.

 

Por Vitor Lacerda

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Paróquia da Imaculada Conceição – Conceição das Alagoas (1878)

Muito já falamos sobre como se desenvolveram a maioria dos municípios do interior do Brasil durante o século XIX quando aqui se vivia o período imperial. Em geral este processo se dava sobre a égide da “cruz e da espada”: ainda que o tempo de auge dos bandeirantes – esses conquistadores do sertão responsáveis pelo etnocídio indígena que foram elevados pela crônica historiográfica como heróis nacionais – já tivesse terminado e não mais se procurassem indígenas para escravidão, surgia uma procura crescente por terras para uma expansão agrícola que atendesse à demanda de uma urbanização insipiente. O Triângulo Mineiro foi povoado durante o século XIX após um traumático processo de eliminação dos habitantes indígenas aqui residentes. Apesar de Sacramento ser uma das mais antigas povoações e Araxá ter sido o primeiro município a ser juridicamente constituído, coube a Uberaba a primazia de se tornar o verdadeiro centro econômico, político e religioso da região naquele tempo, justificando assim o título ainda hoje a ela atribuído de “Princesa do Sertão”.

O território do município de Uberaba no século XIX era tão considerável que poderia se equiparar ao de alguns países europeus da atualidade. Muitos povoados foram surgindo e se desenvolvendo em seu interior e, na medida que conseguiam certa influência política e econômica, conseguiam sua emancipação. Assim se deu em 1878 com Conceição das Alagoas. Nos primeiros tempos chamava-se este lugar “Garimpo das Alagoas” em referência tanto à atividade econômica que ali se tinha – o garimpo – quanto à grande quantidade de lagoas ao redor da povoação – Alagoas. Com a emancipação, o município passa a trazer consigo o nome de sua padroeira: Nossa Senhora da Conceição.

Imaculada Conceição

Quando ouvimos hoje o termo catolicidade logo nos vem à mente a ideia de uma igreja universal, espalhada pelo mundo inteiro, diversa em carismas e serviços, inculturada em diversos países e regiões mas, apesar e graças a tudo isso, capaz de manter sua unidade com o Papa e com Cristo que é a Cabeça desta Igreja. Um sinal desta catolicidade em nossa arquidiocese pode ser percebido na devoção aqui criada por diversos santos e santas bem como por títulos marianos pouco tempo depois de seu surgimento (os leitores assíduos vão se lembrar de quando falamos de Santa Teresinha, devoção quase imediatamente trazida a Uberaba).

O dogma da Imaculada Conceição foi promulgado pelo Papa Pio IX através da Bula Ineffabilis Deusem 1854. Pouco mais de duas décadas depois nossa catolicidade se manifestava na criação da Paróquia da Imaculada Conceição em 1878.

A Paróquia

Atualmente a egrégia e centenária Paróquia da Imaculada Conceição – Senhora de Conceição das Alagoas – às vésperas de seus cento e quarenta anos de devoção à Virgem Santíssima e de serviço ao povo daquela cidade por meio da evangelização de seus filhos se encontra em período de vistoso progresso. Para além das reformas estruturais que se fez na igreja matriz e no salão de festas atualmente em construção, destaca-se a construção da Casa do Pão, com auxílio financeiro da CEI – Conferência Episcopal Italiana. Em funcionamento já fazem dois anos a Casa do Pão possui atualmente vinte equipes de voluntárias e abriga todas as pastorais sociais. Oferece sopa todos os sábados, lanche comunitário todos os domingos, jantares uma vez por mês. A Pastoral da Educação vem se organizando para oferecer reforço escolar de Português, Matemática e Alfabetização. A Pastoral da Criança em Conceição das Alagoas recentemente foi listada pelo Pastoral Nacional da Criança como uma das melhores do país. Tudo isso se deve ao esforço daquela comunidade paroquial conduzida pelo Revmo. Pe. José dos Reis Naves, conhecido por todos como Pe. Zezinho.

Por Vitor Lacerda

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Igreja do Santíssimo Sacramento (1905)

Vamos tentar evitar o surgimento de quaisquer dúvidas sobre nossa protagonista deste mês esclarecendo que o que chamamos de Igreja do Santíssimo Sacramento – a Senhora das Mercês – trata-se da mesma igreja que no passado também foi chamada de igreja de Santo Antônio e São Sebastião e também de igreja da Adoração Perpétua. Pensamos ser importante igualmente fazer a distinção entre dois conceitos muito comuns e frequentemente utilizados por nós: igreja e paróquia.

Entendemos por paróquia todo um conjunto territorial (que tem a tendência de diminuir com o passar do tempo, na medida em que a população aumenta e a cidade cresce) que engloba uma comunidade paroquial, que disponibiliza um conjunto orgânico de serviços pastorais e sacramentais e que finalmente possui uma matriz e bem possivelmente algumas capelas filiares. Assim, a paróquia é a instituição-base da vida cristã. Já a palavra igreja pode ao mesmo tempo designar (como já havíamos refletido no mês anterior) o edifício, isto é, o templo religioso onde realizam-se os ofícios sacramentais, e que por sua vez tem uma nomenclatura própria (basílica, catedral, sé, matriz, igreja, capela, ermida) como também pode significar uma ideia geral de igreja muito própria da etimologia desta palavra – ekklesía, que significa “chamado”. Para não restar dúvidas, todas as vezes que usarmos a palavra com letra minúscula estaremos nos referindo a igreja-edifício, enquanto que as vezes que usarmos a letra maiúscula subentende-se que falamos da Igreja-Povo.

Com essa introdução, apresentamos que a igreja do Santíssimo Sacramento não é a mais antiga igreja de nossa arquidiocese e nem mesmo de Uberaba, sendo posterior à Catedral, à capela de Santa Rita ou à igreja de São Domingos, mas é, como demonstra decreto de 2 de março de 1820 do Bispo de Goiás, a mais antiga paróquia de nossa Arquidiocese.

Quando D. Eduardo, ainda como bispo de Goiás, transferiu sua residência para Uberaba em 1896, por ser esta cidade um centro urbano mais desenvolvido e com maiores possibilidades de irradiação da missão evangélica do que a Cidade de Goiás (hoje Goiás Velho), então sede diocesana, mandou iniciar, no mesmo ano, a construção de uma outra igreja para ser a matriz da Paróquia de Santo Antônio e São Sebastião. Terminada a construção em 1905, D. Eduardo mandou inscrever no frontispício da nova igreja a frase que até hoje se pode vislumbrar: DIVO CORDI POSUIT EDUARDUS EPISCOPUS GOYAS – 1905, que significa: “Eduardo, Bispo de Goiás, construiu ao Sagrado Coração – 1905”.

Com a criação da Diocese de Uberaba em 24 de maio de 1908 essa igreja do Sagrado Coração passou a ser a catedral da nova diocese, e assim permaneceria até 1926, quando D. Antônio de Almeida Lustosa fez a troca com a atual catedral. Também os padroeiros se inverteram, ou seja, o Sagrado Coração acompanhou a igreja-catedral à Praça Rui Barbosa e os padroeiros de Uberaba – Santo Antônio e São Sebastião – subiram para a igreja no alto das Mercês.

Durante o episcopado de D. Eduardo construiu-se paralelamente à igreja outro prédio ao lado para servir-lhe de residência, o Palácio Episcopal, e que futuramente destinar-se-ia ao Seminário Diocesano. Ao longo do tempo foram feitos acréscimos e adaptações. Destaca-se a construção do salão paroquial na década de 1960 bem como duas salas de catequese e duas cozinhas já na década de 1980.

Em agosto de 1960 os padres da Congregação Sacramentina assumiram o governo da paróquia a pedido de D. Alexandre e tiveram atuação decisiva no sentido de fortalecer o espírito de adoração pelo Santíssimo Sacramento. Mesmo com a saída desta congregação da administração da paróquia nos anos 2000, os frutos de sua presença ainda são percebidos como, por exemplo, a partir da existência de um Grupo de Leigos Sacramentinos.

A paróquia foi desmembrada em 1978 durante o arcebiscopado de D. Benedito com a criação das paróquias de Santa Maria Mãe da Igreja e Ressurreição. Possui também ainda hoje várias capelas filiares das quais destacamos a Capela do Colégio Marista. Atualmente seu pároco é o Revmo. Pe. Ricardo Luiz.

 Por Vitor Lacerda

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Igreja de São Domingos de Gusmão – Araxá (1791)

Em termos canônicos a Paróquia de São Domingos de Gusmão, localizada na cidade de Araxá, existe desde a Lei n.º 814 de 20 de outubro de 1791 decretada quando D. José Luís de Castro, conde de Resende, era Vice-Rei do Brasil e D. Maria I, chamada a Louca, era Rainha de Portugal. No período colonial e posteriormente no período imperial vigorou no Brasil o regime do Padroado no qual o clero era juridicamente parte da burocracia administrativa brasileira, com funções políticas e cartoriais em acréscimo às funções eclesiásticas. Na ocasião de sua criação, destacamos a pessoa do primeiro vigário: Pe. Domingos da Costa Pereira. Desta forma é bastante comum que a maioria das paróquias datadas do século XVIII ou XIX tenham sido criadas por autoridades políticas e não pelo respectivo bispo. Um dos núcleos de povoação mais antigos do Triângulo Mineiro, a cidade de Araxá é a única cidade do território arquidiocesano de Uberaba mais antiga do que a própria sede. Sua importância para a colonização do então Sertão da Farinha Podre é incontestável pelos historiadores e se relaciona aos contatos ora amigáveis mas por via de regra violentos com os indígenas da região, tanto os caiapós quanto os arachás. O etnocídio indígena e a ocupação do território foi processo histórico ocorrido em toda a região.

Podemos conjecturar sobre a ação evangelizadora desenvolvida pelos padres araxaenses cravados no sertão brasileiro setecentista e oitocentista.  Certamente em comunhão com as determinações do Concílio Tridentino tinham uma compreensão da ação evangelizadora por meio de três pilares: o ensino da Sagrada Escritura e da Santa Doutrina (para uma população majoritariamente analfabeta composta sobretudo de escravos, índios, desterrados e bandeirantes) e a distribuição dos sacramentos. Podemos deduzir também que a piedade popular e devocional que ainda hoje podemos observar seja herança do catolicismo lusitano adaptado à realidade social do sertão brasileiro. Como consequências temos a clericalização da Igreja, a reação agressiva contra as outras religiões e a desvalorização da religiosidade popular considerada muitas vezes como superstição. Neste tempo os Sacramentos mais valorizados eram a Penitência e a Eucaristia, com uma ênfase enorme na Adoração do Santíssimo. Este modelo de evangelização na paróquia foi até o Concílio Vaticano II.

Segundo o memorialista Hildebrando Pontes em seu livro referencial De Ermida a Catedrala construção da primeira igreja-edifício de São Domingos de Gusmão foi inaugurada em 1800 e demolida em 1930. No século XIX ainda foram erigidas três capelas filiares: em 1830 a Capela de Nossa Senhora da Conceição, em 1843 os negros constroem uma Capela para Nossa Senhora do Rosário e em 1881 foi construída a Capela de Nossa Senhora da Abadia, nos dando pistas da historicidade, da intensidade e da dispersão da devoção à Senhora da Abadia.

Em 1926, a paróquia foi confiada à Congregação Salesiana durante o episcopado do 2º Bispo de Uberaba, ele próprio um salesiano, D. Antônio de Almeida Lustosa. Aos salesianos cabe o mérito, dentre o vasto legado pastoral que fizeram constituir, a construção do templo de grande destaque que é hoje a igreja matriz de São Domingos.

Segundo Pe. Manoel Claro Costa SDB, antigo pároco salesiano de São Domingos, “a partir do Concílio Vaticano II, novos métodos de evangelização foram implantados na paróquia. A valorização e formação do leigo e as ações pastorais de conjunto se constituem nas preocupações de Pastoral. Apesar da renovação do Concílio, a paróquia foi liderada por movimentos. Se antes as Irmandades e Congregações lideravam a Ação Pastoral posteriormente serão os Movimentos. Em ordem cronológica na paróquia predominaram o Movimento Familiar Cristão, o Cursilho, o Encontro de Casais com Cristo e, por último, a Renovação Carismática”. Destacamos como podemos notar os efeitos de dois grandes concílios na vida da Igreja através da ação evangelizadora numa paróquia centenária como São Domingos de Gusmão. Indiscutivelmente isso nos permite compreender a comunhão eclesial desde sempre estabelecida e a adaptação em terras brasileiras e araxaenses das decisões conciliares.

Atualmente, a Paróquia permanece sob os cuidados dos Salesianos de Dom Bosco SDB e tem como pároco Pe. Duille de Assis Castro que conta com o auxílio de outros três vigários: Pe. Hélio Comissário Silva, Pe. José Lacerda Sobrinho e Pe. João Carlos André.

Por Vitor Lacerda

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Igreja de Santa Terezinha (1949)

Em 1925 o papa Pio XI canonizou Tereza de Lisieux, a jovem carmelita que havia morrido aos vinte e quatro anos em 1897 e deixado uma marca indelével na espiritualidade dos católicos por meio de seu testemunho tornado amplo principalmente através da popularidade atingida por seu livro A História de uma Alma. O papa Pio XI considerou a canonização da jovem como “a estrela de seu pontificado”. No Brasil a devoção a Santa Terezinha foi desde muito cedo cultivada e em Uberaba, de forma particular, tornou-se notadamente visível em 1927 quando o bispo D. Antônio Lustosa abençoou a pedra fundamental de uma capela dedicada à “santa das rosas” na então Praça Aristides Borges (atual Praça Santa Terezinha) no bairro Fabrício. O pedido para a construção de uma capela no local partiu dos moradores da região que já se reuniam para rezar num cruzeiro colocado na praça. A inauguração oficial da capela é datada de 31 de março de 1929 denotando a relativa rapidez com que foi construída, considerando também suas modestas proporções.

Nos dezessetes anos seguintes a esta inauguração, a Capela de Santa Terezinha esteve vinculada ao Curato da Sé (atual Catedral Metropolitana) até que em 1946 o bispo D. Alexandre do Amaral – cujo episcopado foi marcado pelo incentivo à vinda de ordens e congregações religiosas no território diocesano – confiou a capela aos Padres Capuchinhos e em 20 de agosto de 1949 decretou a criação da Paróquia de Santa Terezinha. O primeiro pároco foi Frei Davi de Bronte, um jovem sacerdote de trinta e um anos nascido na Itália e vindo de Belo Horizonte.

Os padres religiosos se esforçaram durante toda a década de 1950 para arrecadar recursos para construir uma matriz mais ampla e um convento capuchinho. Os Livros de Tombo registram várias campanhas e tentativas de obtenção de terrenos junto ao poder público municipal. Após muito esforço em outubro de 1960 o bispo diocesano benzeu o lançamento da pedra fundamental da construção da nova matriz. Tendo a parte de alvenaria demorado três anos, em 1966 já se tinha completa a parte interna enquanto a parte externa só seria completamente finalizada em 1986. A antiga capela foi demolida em dezembro de 1961.

Muitos nomes de destaque da sociedade uberabense tomaram parte na construção da igreja, demonstrando a ação da providência divina em todos os períodos da história por meio da caridade e benevolência dos cristãos. O engenheiro João Laterza supervisionou a construção, a planta foi desenhada por Nicolau Baldassare, a aprovação técnica foi dada pelo engenheiro Tomás Bawden e os trabalhos de decoração e pintura foram realizados pelos artistas espanhóis Carlos Sanchez e Antônio Dias. Os vitrais foram encomendados à Casa de Vitrais Conrado Sorgenicht S.A. de São Paulo e os bancos feitos de imbuia foram trazidos de Castro (Paraná) tendo sidos patrocinados por famílias paroquianas.

Na construção da atual igreja de Santa Terezinha, de aproximadamente 3.500m², foram gastos 900 mil tijolos, 150 caminhões de pedra britada, 16 mil telhas (que foram recentemente trocadas) e 34 toneladas de pedra. A igreja atualmente é patrimônio histórico reconhecido pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico (Conphau).

Os Padres Capuchinhos estiveram responsáveis pela comunidade paroquial de Santa Terezinha por quatro décadas tendo sido dezesseis párocos dessa ordem religiosa e dezenas de freis e noviços que deixaram seu testemunho na vida dos uberabenses e levaram certamente consigo a devoção à Santa Terezinha. Em 1987 retiraram-se da Paróquia durante o episcopado de D. Benedito de Ulhoa Vieira tendo assumido o Cônego Henrique Fleury Curado. Desde então encontra-se sob os cuidados do clero arquidiocesano sendo atualmente pároco o Reverendíssimo Monsenhor Célio Lima.

Por Vitor Lacerda 

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Igreja de São Domingos (1904)

Dando prosseguimento à nossa pretensão de percorrer a História Eclesiástica da Arquidiocese de Uberaba por meio das mais antigas igrejas ainda existentes, falaremos este mês da igreja de São Domingos. Alguns poderiam acreditar, confusamente, que esta sequência de artigos sobre tais igrejas se trata simplesmente de uma história material que procura datar construções, reformas e estilos arquitetônicos destas senhoras centenárias de pedras e tijolos. Ao contrário, nosso objetivo é tomar essas igrejas-templo, igrejas-edifício, igrejas-espaço em sua relação intrínseca à Igreja-Povo, Igreja-Comunidade, Igreja-Ação. Não acreditamos que essa introdução seria mais pertinente do que num artigo que tem como estrela a orgulhosa igreja de São Domingos. Isto porque as histórias da igreja dedicada a São Domingos se confundem com as histórias dos seguidores deste santo – os dominicanos.

Sendo o cristianismo uma religião essencialmente vinculada à esperança de se construir um futuro melhor onde todos estejam cada vez mais em comunhão com o ser cristão, é natural que a reação da Igreja em seus momentos de crise seja o olhar adiante, isto é, a esperança confiante num futuro melhor mediante sobre própria ação. Entre 1869 e 1870 aconteceu o Concílio Vaticano Ique trouxe como resposta à crise da modernidade – representada principalmente pela tríade racionalismo, materialismo e ateísmo – a certeza na autoridade da Igreja e a proposta de, tal como acontecera anteriormente diante da Reforma Protestante, contemplar o horizonte e redescobrir que é somente pelo espírito missionário que se justifica a perenidade da Igreja. Foi neste contexto que, em 1881, os primeiros dominicanos vieram da França a Uberaba sob o convite do então bispo de Goiás, D. Cláudio Poncé de León – ele próprio um estrangeiro e religioso.

A Ordem dos Pregadores – OP foi fundada por São Domingos em 1216 (neste ano se comemora o jubileu de 800 anos de fundação) em Toulouse, na França, num contexto conturbado de transição entre o mundo medieval e o mundo moderno. Visto que parte de seu carisma se dedica a uma busca incansável da verdade é correto dizer que se tornaram sujeitos históricos ativos desde seu surgimento. Em 1881, os poucos sacerdotes dominicanos que se instalaram em Uberaba realizavam os ofícios religiosos e os trabalhos pastorais na igreja de Santa Rita, que tratamos no artigo do mês anterior. Por conta do aumento do número de pessoas que ingressaram naquela comunidade, iniciou-se em 1889 a construção de uma igreja dedicada a São Domingos que seria inaugurada em 1904, ainda que inacabada (sem as torres e abóbadas centrais). Importante destacar que a igreja foi construída após a abolição da escravidão (1888) e praticamente após a proclamação da República – com o melhor do espírito livre e republicano próprio dos dominicanos. É sintomático que sua inauguração tenha sido feita sob o canto do Hino Brasileiro, da Marcha Pontifical e da Marselhesa (hino da França, mas sobretudo do espírito de liberdade, igualdade e fraternidade).

Com a criação da Diocese de Uberaba, realiza-se, em 1908, a posse de nosso primeiro bispo, D. Eduardo Duarte Silva, entre as paredes e sob o patrocínio de São Domingos. Ambos sacerdotes, peregrinos e servos neste vasto mundo.

Tempos depois, enquanto torres eram derrubadas pelo ressoar dos canhões em vários cantos da Europa a partir de 1914 por conta do início da Primeira Guerra Mundial, neste canto do Brasil Central eram inauguradas as duas torres da igreja de São Domingos.

Na década de 1940 a população urbana em Uberaba superou aquela ainda residente na zona rural, processo dez anos prematura quando comparado à média nacional. Isso explica, em grande parte o crescente número de criações de paróquias pelo bispo D. Alexandre G. Amaral que tomara posse em 1939. Deste referido processo, a primeira paróquia que viria a ser criada seria justamente a de São Domingos em 1941 que haveria de permanecer sob o pastoreio dos dominicanos e que aglutinaria também a histórica igreja dedicada a Santa Rita.

Destacamos também uma grande reforma em 1963 sob a administração de Frei Domingos Maria Leite e do Arquiteto Carlos Millan: foram instalados novos altares, recolocado o telhado e repostos os vitrais. Em 1981 – ano do centenário da missão dominicana no Brasil – o Prefeito Silvério Cartafina apoiou uma nova reforma na Igreja que substituiu estruturas de madeira por outras mais resistentes de metal.

Atualmente a Paróquia de São Domingos serve também como Casa do Noviciado da Ordem dos Pregadores e possui como pároco Frei Luís Antônio Alves.

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Catedral Metropolitana do Sagrado Coração de Jesus (1827)

Os dicionários costumam atribuir à palavra ermida como referente a uma capela rústica construída em lugar ermo, isto é, longínquo ou de difícil acesso. A primeira capelinha construída em Uberaba sob os cuidados de Santo Antônio e São Sebastião se situava próxima ao córrego Lajeado em 1812 e ali permaneceria até 1818 quando a população decidiu transferi-la para a antiga Praça Frei Eugênio por ser mais conveniente e mais próximo do núcleo de povoação daquela região nascente ainda tão desprovida de recursos no coração sertanejo do Brasil central. Antes de prosseguirmos, penso ser conveniente refletirmos sobre a escolha pelas pessoas daquela época de Santo Antônio e São Sebastião como padroeiros da primeira ermida uberabense. Longe de ser uma escolha aleatória, ela reflete o projeto civilizacional que marcava o espírito daquela época. Enquanto Santo Antônio, santo português e padroeiro de Lisboa, demonstrava o forte vínculo com a metrópole num período em que o Brasil ainda era colônia portuguesa, São Sebastião, santo romano e padroeiro dos soldados, simbolizava a força militar com a qual seria realizada a conquista do sertão brasileiro. O sargento-mor Antônio Eustáquio que recebeu provisões para desbravar e colonizar essa região foi agente de grande etnocídio contra as populações indígenas aqui previamente estabelecidas, sobretudo da etnia caiapó, hoje com poucos membros e bem longe do Triângulo. A escolha de Santo Antônio e São Sebastião simboliza, assim, a cruz e a espada, usadas na conquista e conversão do Brasil como nação católica e portuguesa. Se hoje nossos valores nos fazem enxergar isso de forma crítica, e bem o fazemos, ao ponto do Papa São João Paulo II por diversas ocasiões pedir perdão publicamente daquilo que ele dizia serem os pecados da Igreja ao longo dos séculos, precisamos tomar o cuidado para não sermos anacrônicos. É cômodo julgar personagens distantes de nós por mais de séculos; difícil, todavia, é compreender que provavelmente o faziam por ignorar as modernas teorias do relativismo cultural e ecumenismo e que foram motivados por uma convicção autêntica de que estavam por fundar uma terra cristã e civilizada neste agreste sertão e nos mais louváveis valores cristãos.

A igreja matriz onde hoje se localiza nossa catedral teve o início de sua construção em 1827 (o Brasil já havia se tornado independente) por intermédio de Vigário Silva mas seria apenas em 1854 que seriam realizados ali os primeiros ofícios religiosos. Esses 17 anos de construção de um templo razoavelmente modesto mostra-nos a precariedade econômica da população local nas primeiras décadas do século XIX. Enquanto a região nordeste ainda se mantinha com a produção e exportação de açúcar, a região central de Minas havia se convertido em grande polo econômico por conta do ouro e convertido a própria cidade do Rio de Janeiro em capital pela proximidade de ambas, São Paulo havia se caracterizado pelas atividades bandeirantes e a região sul pela produção de charque, em Uberaba ainda se definia uma economia em parte agrícola marcada pela produção de arroz (vide os ramos de arroz até hoje presentes em nosso brasão municipal) e em parte comercial por conta do ponto estratégico que nos situamos no Brasil Central, entre três importantes regiões: Minas, São Paulo e Goiás. Destaco também a participação do escravo afro-brasileiro Manoel Ferreira oferecido pelo sargento-mor Eustáquio para contribuir na construção da nova matriz. Não nos esqueçamos que este país foi literalmente edificado por braços negros, aos quais somos tão devedores, e que em nossa igreja matriz não foi diferente. Em 1857 graças a Frei Eugênio a igreja foi dotada de uma grande sacristia, um adro e recebeu paramentos e alfaias. Em 1868 cada uma das duas torres recebeu um sino de cerca de trinta e cinco arrobas cada que permanecem na catedral até hoje. Interessante notar que com o avançar do século e o consequente enriquecimento material da população uberabense, a própria igreja se torna espelho dessa prosperidade por estar sempre em estado de reforma e sempre recebendo melhoramentos.

No final do século XIX teremos o início de um período de grande prosperidade para as elites uberabenses com o advento da criação do gado de raça zebuína buscado na Índia. No começo do século XX, já sob o regime republicano, e inspirados pelas reformas modernizantes e arquitetônicas baseadas na Europa (o Rio de Janeiro abriu suas primeiras grandes avenidas e Manaus construiu seu Teatro Municipal) os uberabenses receberam a energia elétrica em 1904 e várias reformas urbanas, como na praça Rui Barbosa. Esse rápido avanço conquistado com os capitais excedentes da pecuária zebuína e com a vinda da Companhia Ferroviária Mojiana atraiu para a cidade o bispo de Goiás, D. Eduardo Duarte Silva que acabou por se tornar o primeiro bispo da Diocese de Uberaba, criada em 1907 pela bula Goyaz Adamantina Brasiliana Republicapelo Papa Pio X. Por determinação desta bula o padroeiro da diocese seria o Sagrado Coração de Jesus e D. Eduardo inaugurou deste modo a igreja do Sagrado Coração  – atual igreja da Adoração Perpétua ao lado da Cúria Metropolitana – com a prerrogativa de catedral permanecendo a igreja da praça Rui Barbosa como matriz de Santo Antônio e São Sebastião.

Em 1910 a matriz passou por grande reforma em que se definiu o estilo arquitetônico gótico manuelino e que seria dotada de apenas uma grande torre como até hoje se encontra desde esta data. Finalmente, em 1926 por determinação do bispo D. Luis Maria de Sant’Ana e decreto da Sagrada Congregação Consistorial a catedral seria transladada para a matriz de Santo Antônio e São Sebastião à Praça Rui Barbosa e os padroeiros seriam invertidos, permanecendo assim, em definitivo, como Catedral Metropolitana do Sagrada Coração de Jesus a partir de 20 de maio de 1926. Ainda assim, de modo a manter viva a memória de mais de cem anos que Uberaba permaneceu sob a proteção de Santo Antônio e São Sebastião, decidiu-se que uma estátua de cada santo ladearia a catedral metropolitana, imagens que permanecem até hoje em local de visibilidade e veneração.

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