Cônego Isaías Lagares

Cônego Isaías Lagares nasceu no dia 4 de novembro de 1907 – curiosamente dia de São Carlos Borromeu, cardeal-arcebispo de Milão que no século XVI foi um dos primeiros bispos a fundar e instituir a necessidade dos seminários para a formação intelectual e pastoral de futuros sacerdotes; vale destacar, desta forma, que cônego Isaías seria reitor de seminário. Procedia da cidade de Carmo do Paranaíba, localizada na fronteira leste do extenso território que compreendia a Diocese de Uberaba no despertar de sua vocação, e tinha como pais o sr. Avelino Lagares e a sra. Maria Luiza Lagares.

Ingressou como aluno do Seminário São José em Uberaba aos 19 anos e seria ordenado sacerdote por D. Luiz Sant’Ana em 25 de maio de 1933 quando contava com 26 anos. Pouco após sua ordenação (1934) até a chegada de um novo bispo a Uberaba (1940) e consequentemente o rearranjo geográfico do clero, permaneceu na condição de Vigário de Veríssimo por seis anos. Em 1940, o bispo D. Alexandre G. Amaral o transfere para Presidente Olegário para lá exercer o vicariato até que, em 1941, o chama de volta a Uberaba para assumir a reitoria do Seminário São José e uma posição no Cabido Diocesano (o que lhe garantia o título de cônego). Todavia os seminaristas acabaram sendo todos transferidos para Belo Horizonte a partir de fevereiro de 1944 por determinação episcopal de modo que o Seminário de Uberaba pudesse ser reestruturado e reformado. Colocando-se novamente à disposição da diocese para cumprir seus deveres pastorais, cônego Isaías recebeu o governo da Catedral Metropolitana em 1946.

Os anos que esteve na Catedral foram marcados por transformações políticas importantes como o fim do governo ditatorial de Getúlio Vargas terminado em 1945 e o início de um período democrático onde, pela primeira vez na história brasileira, a cidadania seria majoritariamente exercida pela população em geral (incluídas as mulheres até então marginalizadas). Assim, Uberaba passava a ter prefeito e vereadores eleitos por voto direto, o clima democrático fez surgir diversas associações civis como a União Estudantil Uberabense (UEU) e de ensino como a Faculdade de Odontologia na Av. Guilherme Ferreira e a extinta Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santo Tomás de Aquino (FISTA) pelas irmãs dominicanas.

O início do episcopado de D. Alexandre foi coincidente com os acontecimentos a pouco apresentados, foi marcado por sua intercessão para a vinda de diversas ordens religiosas a Uberaba, como as monjas beneditinas que fundaram um mosteiro na R. Visconde do Rio Branco em setembro de 1948 bem como a fundação do Carmelo do Coração Eucarístico de Jesus na Av. da Saudade em dezembro deste mesmo ano. A diocese recebeu ainda a ilustre visita do Superior-Geral da Congregação dos Irmãs Maristas, Ir. Leônidas François Garrigue, em janeiro de 1948, de modo a inspecionar as atividades da congregação no Colégio Marista Diocesano.

Adendo:diante da colaboração preciosa nos fornecida por Mons. Geraldo, acrescentamos a importante informação de que D. Almir Marques Ferreira, tema de nossa pesquisa na edição do mês de julho, após ter sido Cura da Catedral e antes de ter assumido a diocese de Uberlândia, foi bispo-auxiliar de Sorocaba entre os anos de 1957 e 1961.

Vitor Lacerda – Historiador

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