Igreja de São Domingos de Gusmão – Araxá (1791)

Em termos canônicos a Paróquia de São Domingos de Gusmão, localizada na cidade de Araxá, existe desde a Lei n.º 814 de 20 de outubro de 1791 decretada quando D. José Luís de Castro, conde de Resende, era Vice-Rei do Brasil e D. Maria I, chamada a Louca, era Rainha de Portugal. No período colonial e posteriormente no período imperial vigorou no Brasil o regime do Padroado no qual o clero era juridicamente parte da burocracia administrativa brasileira, com funções políticas e cartoriais em acréscimo às funções eclesiásticas. Na ocasião de sua criação, destacamos a pessoa do primeiro vigário: Pe. Domingos da Costa Pereira. Desta forma é bastante comum que a maioria das paróquias datadas do século XVIII ou XIX tenham sido criadas por autoridades políticas e não pelo respectivo bispo. Um dos núcleos de povoação mais antigos do Triângulo Mineiro, a cidade de Araxá é a única cidade do território arquidiocesano de Uberaba mais antiga do que a própria sede. Sua importância para a colonização do então Sertão da Farinha Podre é incontestável pelos historiadores e se relaciona aos contatos ora amigáveis mas por via de regra violentos com os indígenas da região, tanto os caiapós quanto os arachás. O etnocídio indígena e a ocupação do território foi processo histórico ocorrido em toda a região.

Podemos conjecturar sobre a ação evangelizadora desenvolvida pelos padres araxaenses cravados no sertão brasileiro setecentista e oitocentista.  Certamente em comunhão com as determinações do Concílio Tridentino tinham uma compreensão da ação evangelizadora por meio de três pilares: o ensino da Sagrada Escritura e da Santa Doutrina (para uma população majoritariamente analfabeta composta sobretudo de escravos, índios, desterrados e bandeirantes) e a distribuição dos sacramentos. Podemos deduzir também que a piedade popular e devocional que ainda hoje podemos observar seja herança do catolicismo lusitano adaptado à realidade social do sertão brasileiro. Como consequências temos a clericalização da Igreja, a reação agressiva contra as outras religiões e a desvalorização da religiosidade popular considerada muitas vezes como superstição. Neste tempo os Sacramentos mais valorizados eram a Penitência e a Eucaristia, com uma ênfase enorme na Adoração do Santíssimo. Este modelo de evangelização na paróquia foi até o Concílio Vaticano II.

Segundo o memorialista Hildebrando Pontes em seu livro referencial De Ermida a Catedrala construção da primeira igreja-edifício de São Domingos de Gusmão foi inaugurada em 1800 e demolida em 1930. No século XIX ainda foram erigidas três capelas filiares: em 1830 a Capela de Nossa Senhora da Conceição, em 1843 os negros constroem uma Capela para Nossa Senhora do Rosário e em 1881 foi construída a Capela de Nossa Senhora da Abadia, nos dando pistas da historicidade, da intensidade e da dispersão da devoção à Senhora da Abadia.

Em 1926, a paróquia foi confiada à Congregação Salesiana durante o episcopado do 2º Bispo de Uberaba, ele próprio um salesiano, D. Antônio de Almeida Lustosa. Aos salesianos cabe o mérito, dentre o vasto legado pastoral que fizeram constituir, a construção do templo de grande destaque que é hoje a igreja matriz de São Domingos.

Segundo Pe. Manoel Claro Costa SDB, antigo pároco salesiano de São Domingos, “a partir do Concílio Vaticano II, novos métodos de evangelização foram implantados na paróquia. A valorização e formação do leigo e as ações pastorais de conjunto se constituem nas preocupações de Pastoral. Apesar da renovação do Concílio, a paróquia foi liderada por movimentos. Se antes as Irmandades e Congregações lideravam a Ação Pastoral posteriormente serão os Movimentos. Em ordem cronológica na paróquia predominaram o Movimento Familiar Cristão, o Cursilho, o Encontro de Casais com Cristo e, por último, a Renovação Carismática”. Destacamos como podemos notar os efeitos de dois grandes concílios na vida da Igreja através da ação evangelizadora numa paróquia centenária como São Domingos de Gusmão. Indiscutivelmente isso nos permite compreender a comunhão eclesial desde sempre estabelecida e a adaptação em terras brasileiras e araxaenses das decisões conciliares.

Atualmente, a Paróquia permanece sob os cuidados dos Salesianos de Dom Bosco SDB e tem como pároco Pe. Duille de Assis Castro que conta com o auxílio de outros três vigários: Pe. Hélio Comissário Silva, Pe. José Lacerda Sobrinho e Pe. João Carlos André.

Por Vitor Lacerda

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