Irmã Maria Virginita do Rosário

Ivone de Camargos Rocha, nasceu em 18 de setembro de 1915 no Prata / MG, em uma fraternidade de 3 filhos e 3 filhas do casal cristão, Sr. Homero Rocha e Sra. Zulmira Camargos Rocha. Foi batizada a 10 de outubro com o nome de Ivone. Seu pai era farmacêutico e pela dedicação cristã invejável, na lembrança da filha era assim descrito: “Aos doentes na farmácia meu pai era médico, o farmacêutico e o doador dos remédios”. Todas as noites nossos pais nos ensinavam a rezar conversando com o Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora. E davam exemplo: “Minha mãe se levantava todos os dias às 5h00 para ir à missa. Aos sábados meus pais faziam distribuição de mantimentos aos pobres”.

Desde cedo a menina Ivone, infantilmente, se sentia enamorada por Jesus e sentia que Jesus era apaixonado por ela. Em sua mocidade “dançava, passeava, cantava mas nunca teve outro namorado a não ser Jesus. Eu cantava o dia inteiro de cor as músicas de rádio. Quando entrei  para o convento, meu pai, saudoso, comprou um rádio para continuar escutando as músicas de meu repertório. Minha vocação nasceu num dia, pelos meus 4 anos, ao ouvir uma senhora amiga da família conversando em nossa casa contando que tinha duas freiras dominicanas nas missões. A mulher contava: Fui visitar minhas duas filhas freiras. A vida delas é linda. Trabalham muito nas Missões de índios. Lavam suas roupas no rio e vivem alegres em uma choupana no mato. Naquela mesma noite, na conversa de toda a noite com o Sagrado Coração de Jesus eu rezei: Jesus, quando crescer quero ser freira para viver alegre e feliz para cuidar do próximo. Mas nunca contei isso a ninguém. Minhas irmãs viviam dizendo que queriam ser freiras. Mas não foram. Só eu, a silenciosa, é que fiquei freira”.

Ivone fez sua primeira comunhão e primeiros estudos no Prata. Formou-se Normalista no Colégio Nossa Senhora das Dores de Uberaba onde amadureceu sua vocação religiosa. No Natal de 1936 recebeu o hábito religioso e assumiu na Congregação de Nossa Senhora do Rosário de Monteils o novo nome de Maria Virginita do Rosário. Em 1937 foi para a França, onde fez o noviciado por 2 anos. Professou seus votos de pobreza, castidade e obediência no Natal de 1938. Voltando ao Brasil completou seus estudos universitários no Rio de Janeiro, onde se licenciou em Pedagogia Plena. Tem ainda licenciatura em Pedagogia e fez Cursos de Especialização em Psicologia do Desenvolvimento e Psicologia da Personalidade entre outras especializações na linha humana e pastoral. Trabalhou em Torres / RS, entre Colégio e Hospital, 14 anos; Belém / PA, 2 anos; Caxias do Sul / RS, 4 anos; Frutal / MG, 5 anos; São Leopoldo / RS, 1 ano; Itanhaém / SP, 1 ano; Uberaba / MG, ao todo, 32 anos.

A cidade de Uberaba deve a Irmã Virginita e a Madre Angela da Eucaristia a fundação da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Santo Tomás de Aquino – FISTA – que funcionou adita ao Colégio Nossa Senhora das Dores, na Rua Governador Valadares e finalmente em 1961 com a bela sede própria no Jardim Induberaba. Entre seus trabalhos apostólicos coordenou por 4 anos toda a Pastoral Diocesana em Caxias do Sul / RS; e, por toda a vida, concomitante com o magistério,  prestou inestimáveis serviços de orientação pastoral em movimentos de Igreja em Frutal / MG, por 5 anos no Bairro Tutunas em Uberaba; por 6 anos na Paróquia Santo Inácio de São Leopoldo / RS; por 1 ano na Paróquia de Itanhaém / SP, atuando em todas as cidades entre os movimentos de Igreja, especialmente Cursilhos de Cristandade e Catequese de Adultos. Irmã Loreto, sua colega desde o noviciado, testemunha: “Como Professora, Diretora, Superiora de comunidade e Coordenadora de Pastoral, Irmã Virginita sempre testemunhou grande devoção a Nossa Senhora e muito zelo em seu trabalho pastoral. Procurando aliar Ciência e Fé, foi a primeira a tomar a iniciativa de fundar em Uberaba, a Faculdade de Filosofia Santo Tomás de Aquino, em 1949. Seu amor à Ordem a faz trabalhar até o momento, animando a Fraternidade Leiga de São Domingos, nesta cidade”.

A respeito da vida religiosa Irmã Virginita alegremente comenta: “Vale a pena ser freira. É da minha realidade, é de meu hoje. Você já pensou, eu conversar com Deus e apresentar toda a multidão dominicana e dizer assim: Escuta Meu Deus; são seus irmãos que estão todos rezando, se sacrificando e fazendo isto e aquilo, na medida que eu vou sabendo das notícias, e Você deixar os outros irmãos, do lado de cá, pobrezinhos assim sem ter remédio? A coisa mais linda que eu descobri é que a vida religiosa não é nada mais nada menos do que a vida de Deus que Ele deu a nós. “Não fostes vós que me escolhestes. Eu vos escolhi”, conforme João 15, 16. Na vida religiosa eu passo para os outros tudo o que me foi repassado pela Misericórdia do Bom Deus. Pela intercessão de Maria, eu sou feliz neste caminho de vida que não quero sair.”

Por Carlos Pedroso

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