Madre Cecília Vasconcelos

Maria Zélia de Vasconcelos nasceu no dia 27/11/1920 em Agrestina/PE, e estudou no internato no Colégio das Damas Cristãs, em Recife, onde se formou em Contabilidade. Aos 22 anos, passou em primeiro lugar em Concurso da Caixa Econômica Federal, fazendo carreira, tornando-se Gerente. Frequentava o Mosteiro Beneditino de Olinda, e certo dia deslumbrou-se com a beleza das celebrações litúrgicas, passando a desejar ser monja.

Transferida para o Rio de Janeiro, continuou freqüentando o Mosteiro Beneditino, e logo solicitou sua entrada no Mosteiro de São Paulo. Foi aconselhada a esperar mais um pouco, e soube da fundação de um Mosteiro em Uberaba, sendo a segunda a candidatar-se – as fundadoras dinamarquesas do Mosteiro chegaram em Uberaba em 13/05/1948. Em 1950, chegou Maria Zélia, em companhia de seu pai, e durante 02 anos residiu no antigo prédio do Externato Cristo Rei, residência provisória das monjas. Em 10/04/1951, adotando a alcunha de Irmã Cecília Vasconcelos, recebeu o hábito beneditino, na companhia de Irmã Maria, e, em 14/04/1952, fez votos de estabilidade, conversão dos costumes e obediência – estabilidade é prometer que sempre vai morar no mesmo Mosteiro; por isso, Irmã Cecília sempre viveu no Mosteiro da Rua Visconde do Rio Branco.

Em 14/03/1983, foi eleita abadessa do Mosteiro Nossa Senhora da Glória, e recebeu a bênção abacial em 24/04/1983, permanecendo no cargo até 02/12/1991. Madre Cecília faleceu em 06/04/2010, aos 89 anos.

Depoimento sobre a vida monástica

Na Igreja Católica há freiras de vida ativa dedicando-se a orfanatos, asilos, hospitais ou escolas. As monjas beneditinas, em vida monástica, só se ocupam de Deus, na solidão e no silêncio de uma vida simples e escondida de contínua oração e intensa penitência pela intercessão em prol da Igreja e do mundo. As monjas do Mosteiro Nossa Senhora da Glória levantam-se às 4h40 e ficam em recolhimento e oração até às 9h, momento em que iniciam suas atividades ocupacionais. Vivem do próprio trabalho de ateliê, hospedarias, horta, cerâmica, prestação de vários serviços e obra social.

Por ocasião de seu aniversário de 80 anos, Madre Cecília revelou o seu entusiasmo pela vida monástica:

Costumo dizer que uma jovem pode perceber se tem vocação para a vida monástica se seriamente se entusiasmar pelo desejo de viver uma vida de contínua vigilância para, com lealdade e equilíbrio, conseguir a maturidade humana, sempre se reeducando na capacidade de adaptação a uma dócil e simpática convivência em comunidade.

As virtudes indispensáveis a toda jovem vocacionada para a vida religiosa são: otimismo, alegria e inteligente senso de crítica.Mesmo que tenha tais virtudes em grau mínimo, assim mesmo a jovem pode fazer experiência de vida monástica, pois o Espírito Santo, como bom Educador de almas, vai ensinando aos poucos. No mundo moderno da técnica e da informática, não há contradição alguma em uma jovem escolher a vida monástica, porque o desejo de sempre se colocar, em primeiro lugar, o plano de Deus e os valores espirituais da vida cristã, é uma verdadeira bênção. O silêncio, a vida disciplinada e a vida de oração fazem muito bem não só ao espírito, mas são umas ótimas terapias também para a saúde física.

Não me pesa o voto de obediência, pois o voto é feito a Deus. São Bento repetia que “a obediência prestada à pessoa da superiora é endereçada a Deus.” Sempre para uma religiosa pode haver crises de obediência, mas todo dia, em coerência ao que se prometeu, deve ser atualizado aquele “sim” dado no dia da profissão religiosa.

Ovoto de pobreza é o despojamento total e livre de todo e qualquer bem material. A monja nada possui de próprio. Tudo é comum. Tudo da comunidade. A monja não pode dar ou receber presentes sem licença. Presta conta de tudo que lhe for entregue e contenta-se com um teor de vida simples, na alimentação e nas vestes. Pelo voto de pobreza, nada se pede porque, de quem está à frente da comunidade, a consagrada espera receber tudo o que precisa. Vivendo assim, toda monja vive imitando a vida de Cristo que se fez pobre por Amor.

Nos meus 80 anos não quero perder a oportunidade de afirmar que sou uma monja muitíssimo feliz. Agradeço muito a Deus pela graça de vocação religiosa. ­Sinto toda alegria do mundo ao me ver consagrada a Deus e em contínuo crescimento humano, comunitário, moral e espiritual.

Por Carlos Pedroso

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