Monsenhor Ignácio

Hábil político, polemista de grandes recursos, conservador intransigente, escritor, pesquisador, jornalista, memorialista, intelectual, ficcionista, administrador, educador, ensaísta, pensador, ativista, produtor cultural, literato, cronista, contista, conferencista, orador, poeta. Estamos falando do Monsenhor Ignácio Xavier da Silva, figura de destaque no Império, liderança política e que foi transferido para Uberaba em agosto de 1896, com a vinda do bispado de Goiás, e que em todas as atividades teve destaca atuação na cidade.

Monsenhor Inácio nasceu na Cidade de Goiás, no dia 20 de novembro de 1855. Iniciou seus estudos no Seminário Santa Cruz, na antiga capital do Estado e em 1868, transferiu-se para o Seminário de Angoulême, na França e cumpriu um estágio em Roma, onde se aperfeiçoou em Teologia. Após estudar na França, onde se ordenou, retornou a Vila Boa, onde foi nomeado professor de Teologia Dogmática do Seminário Episcopal de Santa Cruz, em Goiás Velho.

Em 1881, tornou-se Cônego Honorário da Capela Imperial, no Rio de Janeiro, o mesmo cargo anteriormente ocupado por Vigário Silva. Foi eleito deputado estadual por Boa Vista do Tocantins, hoje Tocantinópolis. No ano de 1887, apresentou projetos para a catequização dos índios na região de Goiás e para a exploração do transporte fluvial nos principais rios navegáveis desse estado, Araguaia e Tocantins.

Em 24 de junho de 1896, veio para Uberaba em companhia de Dom Eduardo Duarte Silva, 5º Bispo de Goyaz, para a instalação da sede do bispado no município. Monsenhor Ignácio passou a residir na cidade e foi investido nos cargos de Vigário Geral e Provedor (equivalente a administrador financeiro) do bispado.

No mesmo ano, elegeu-se vereador e iniciou sua colaboração com os periódicos o então Jornal de Uberaba, Lavoura e Comércio, Gazeta de Uberaba e no periódico anual Jesus Cristo. Ainda em relação à imprensa, Em Goiás, fundou e dirigiu a Gazeta Goiana, Estado de Goiás e a Imprensa, todos editados na Cidade de Goiás e tornou-se patrono da Cadeira 12, da Academia Goiana de Letras.

Em 1898, é nomeado presidente da comissão para angariar recursos para a construção da torre da matriz de Uberaba, a Catedral Metropolitana e foi encarregado de recolher os rendimentos para a igreja, por administrar-lhe o patrimônio e zelar pela conservação de alfaias e paramentos. Na Matriz realizou importante trabalho, além de conseguir recursos para a construção do novo templo. Segundo livros da história de Uberaba, mandou construir a atual escadaria da Catedral, que permanece do mesmo jeito até os dias atuais.

Também instalou na Igreja Catedral, em abril de 1915, o Círculo Católico de Uberaba, em cerimonia presidida por d. Eduardo Duarte Silva, sendo um de seus diretores. Foi um dos fundadores da Associação Beneficente 8 de Setembro, com objetivo de dar assistência aos necessitados  e organizar asilo.

Em 1922, exerceu a vice-presidência da Câmara Municipal de Uberaba, como também a presidência e a chefia do executivo uberabense. Foi agente executivo nos período de 1916 a 1920 e de 1921 a 1922.

Em sua gestão, e por iniciativa de José Maria dos Reis, foi criado, sob responsabilidade do estado, o Aprendizado Agrícola Borges Sampaio, em 1917. Uberaba também ganhou expressividade no cenário nacional como centro econômico de produção agropastoril e atingiu o apogeu do ciclo das importações do gado zebu. Ainda em sua gestão, o prédio da Câmara Municipal foi demolido, em 1918, e novo prédio foi inaugurado, no mesmo local, em 1920, em cujas paredes internas Vicente Corcione e Rodolfo Mosello pintaram o painel Uberaba, Princesa do Sertão.

Monsenhor Inácio, faleceu no Rio de Janeiro, em 1929, com 74 anos de idade.

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