Paroquiato de Mons. Olympio Olivieri

Após termos percorrido quase um século da história eclesiástica e regional a partir de um critério consciente, isto é, a vida e obra dos párocos da Catedral, nos foi permitido ao longo dos últimos meses simultaneamente compreender o processo histórico que os conteve, mas também nos inspirarmos pelas biografias destes homens devotados no amor à Deus e à Igreja. Trataremos nesta edição daquele que por mais anos permaneceu na condição de pároco da Catedral (33 anos) e que foi o último desta saudosa e eminente lista que decidimos contemplar que retornou para a morada do Pai.

Nascido fora dos limites geográficos diocesanos, na cidade paulista de São José do Rio Pardo, no dia 26 de julho de 1915, era filho do sr. Luiz Olivieri e da sra. Carmela Miceli, ambos imigrantes italianos. Aos dezoito anos fez sua iniciação na Congregação Estigmatina na cidade de Rio Claro, onde permaneceu por apenas dois anos, quando, egresso dessa formação inicial no clero religioso, transferiu-se para o clero diocesano uberabense em 1934, indo portanto concluir seus estudos no Seminário do Coração Eucarístico de Jesus em Belo Horizonte. Sua ordenação sacerdotal aconteceu em 8 de dezembro de 1941, quando Olympio contava com 26 anos, tendo como celebrante o bispo D. Alexandre Gonçalves Amaral. Sua primeira missa, celebrada no dia seguinte à ordenação, foi justamente no lugar do qual futuramente seria o pastor por mais de três décadas: nossa Catedral.

Logo após sua ordenação, foi nomeado vigário-cooperador da Catedral entre 1942 e 1944, durante o paroquiato por nós já analisado de Mons. Saul Amaral. Em 1945, afastou-se de Uberaba após convite para ser professor no Seminário do Coração Eucarístico de Jesus em Belo Horizonte onde permaneceu por pouco tempo visto que em 1946 tornou-se vigário de Ibiá, cidade no interior do Triângulo. Permaneceu em Ibiá por oito anos, entre 1947 e 1954. Neste período, destacou-se pela construção de uma Santa Casa na cidade bem como pela profunda reforma realizada na igreja matriz de São Pedro de Alcântara. Em 1954 foi chamado para servir na condição de pároco – ou cura da sé – da Catedral Metropolitana de Uberaba, onde haveria de permanecer até sua morte, em 1987.

Esse longo período em que esteve à frente de nossa catedral foi marcado por profundas transformações a nível eclesiástico, social, político e econômico, seja no Brasil como em todo o mundo. Podemos exemplificar este argumento no fato de que mons. Olympio conviveu com três arcebispos (D. Alexandre Amaral, D. José Pedro Costa e D. Benedito Ulhôa Vieira), cinco papas (Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II) e dez presidentes da República (de Getúlio Vargas até José Sarney). Foi neste período que Uberaba foi elevada a arquidiocese (1962) e que ocorreu o Concílio Vaticano II (1962-1965) que acarretou profundas mudanças no cotidiano eclesiástico. Em nosso país e consequentemente na conjuntura mineira e uberabense na qual está inserida ao mesmo tempo em que incide sobre este espaço temporal do paroquiato que nos colocamos a analisar, viveu-se um profícuo período democrático interrompido em 1964 com o advento da Ditadura Militar, período de grandes desafios e tristezas que somente haveria de ser superado com a redemocratização iniciada em 1985.

De forma geral, este período foi marcado por uma profunda laicização da sociedade e pelos desafios que daí surgem. Em Uberaba, trazemos três pontos que ilustram este novo panorama: o fim do informativo Correio Católico em julho de 1972 convertendo-se no atual Jornal da Manhã; o gradual afastamento dos irmãos maristas das atividades de docência e administração do Colégio Marista a partir de 1975; e a incorporação das Faculdades Integradas Santo Tomás de Aquino (Fista) das dominicanas pelas Faculdades Integradas de Uberaba (Fiube), atual Uniube, em fevereiro de 1981. De certa forma o Concílio Vaticano II já havia revigorado a Igreja e fornecido os instrumentos de atuação e fortalecimento pastoral pelos quais se devia agir dali em diante prevendo, em grande medida, esse cenário apresentado.

O tão saudoso mons. Olympio Olivieri faleceu no dia 23 de novembro de 1987 e seus restos mortais encontram-se, atualmente, na Catedral Metropolitana da qual foi por tantos anos dedicado e zeloso pároco.

Vitor Lacerda

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