Igreja do Santíssimo Sacramento (1905)

Vamos tentar evitar o surgimento de quaisquer dúvidas sobre nossa protagonista deste mês esclarecendo que o que chamamos de Igreja do Santíssimo Sacramento – a Senhora das Mercês – trata-se da mesma igreja que no passado também foi chamada de igreja de Santo Antônio e São Sebastião e também de igreja da Adoração Perpétua. Pensamos ser importante igualmente fazer a distinção entre dois conceitos muito comuns e frequentemente utilizados por nós: igreja e paróquia.

Entendemos por paróquia todo um conjunto territorial (que tem a tendência de diminuir com o passar do tempo, na medida em que a população aumenta e a cidade cresce) que engloba uma comunidade paroquial, que disponibiliza um conjunto orgânico de serviços pastorais e sacramentais e que finalmente possui uma matriz e bem possivelmente algumas capelas filiares. Assim, a paróquia é a instituição-base da vida cristã. Já a palavra igreja pode ao mesmo tempo designar (como já havíamos refletido no mês anterior) o edifício, isto é, o templo religioso onde realizam-se os ofícios sacramentais, e que por sua vez tem uma nomenclatura própria (basílica, catedral, sé, matriz, igreja, capela, ermida) como também pode significar uma ideia geral de igreja muito própria da etimologia desta palavra – ekklesía, que significa “chamado”. Para não restar dúvidas, todas as vezes que usarmos a palavra com letra minúscula estaremos nos referindo a igreja-edifício, enquanto que as vezes que usarmos a letra maiúscula subentende-se que falamos da Igreja-Povo.

Com essa introdução, apresentamos que a igreja do Santíssimo Sacramento não é a mais antiga igreja de nossa arquidiocese e nem mesmo de Uberaba, sendo posterior à Catedral, à capela de Santa Rita ou à igreja de São Domingos, mas é, como demonstra decreto de 2 de março de 1820 do Bispo de Goiás, a mais antiga paróquia de nossa Arquidiocese.

Quando D. Eduardo, ainda como bispo de Goiás, transferiu sua residência para Uberaba em 1896, por ser esta cidade um centro urbano mais desenvolvido e com maiores possibilidades de irradiação da missão evangélica do que a Cidade de Goiás (hoje Goiás Velho), então sede diocesana, mandou iniciar, no mesmo ano, a construção de uma outra igreja para ser a matriz da Paróquia de Santo Antônio e São Sebastião. Terminada a construção em 1905, D. Eduardo mandou inscrever no frontispício da nova igreja a frase que até hoje se pode vislumbrar: DIVO CORDI POSUIT EDUARDUS EPISCOPUS GOYAS – 1905, que significa: “Eduardo, Bispo de Goiás, construiu ao Sagrado Coração – 1905”.

Com a criação da Diocese de Uberaba em 24 de maio de 1908 essa igreja do Sagrado Coração passou a ser a catedral da nova diocese, e assim permaneceria até 1926, quando D. Antônio de Almeida Lustosa fez a troca com a atual catedral. Também os padroeiros se inverteram, ou seja, o Sagrado Coração acompanhou a igreja-catedral à Praça Rui Barbosa e os padroeiros de Uberaba – Santo Antônio e São Sebastião – subiram para a igreja no alto das Mercês.

Durante o episcopado de D. Eduardo construiu-se paralelamente à igreja outro prédio ao lado para servir-lhe de residência, o Palácio Episcopal, e que futuramente destinar-se-ia ao Seminário Diocesano. Ao longo do tempo foram feitos acréscimos e adaptações. Destaca-se a construção do salão paroquial na década de 1960 bem como duas salas de catequese e duas cozinhas já na década de 1980.

Em agosto de 1960 os padres da Congregação Sacramentina assumiram o governo da paróquia a pedido de D. Alexandre e tiveram atuação decisiva no sentido de fortalecer o espírito de adoração pelo Santíssimo Sacramento. Mesmo com a saída desta congregação da administração da paróquia nos anos 2000, os frutos de sua presença ainda são percebidos como, por exemplo, a partir da existência de um Grupo de Leigos Sacramentinos.

A paróquia foi desmembrada em 1978 durante o arcebiscopado de D. Benedito com a criação das paróquias de Santa Maria Mãe da Igreja e Ressurreição. Possui também ainda hoje várias capelas filiares das quais destacamos a Capela do Colégio Marista. Atualmente seu pároco é o Revmo. Pe. Ricardo Luiz.

 Por Vitor Lacerda

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