Igreja cobra de mineradoras planos de proteção a vida e meio ambiente

Foi realizada no primeiro dia deste mês, em Araxá, reunião da Província Eclesiástica de Uberaba com representantes das mineradoras CBMM e Vale Fertilizantes. O evento serviu para demonstrar que a Igreja está vigilante nos atos a favor ou contra essas empresas, em relação ao meio ambiente e, sobretudo, à população.

O encontro, em salão do Hotel da Previdência, reuniu os bispos de Uberaba, dom Paulo Mendes Peixoto, de Patos, dom Cláudio Sturm e de Uberlândia, dom Paulo Oliveira, além de padre Aché representando o bispado de Ituiutaba. Outros sacerdotes também participaram dos debates com os diversos técnicos enviados pelas duas mineradoras.

Os trabalhos foram mediados pelos professores Edward Guimarães, da PUC-MG, e Denise Pereira, doutora em Sociologia. O tema em foco foi “Igreja e Mineração”.

Num primeiro momento, as duas mineradoras apresentaram seus trabalhos preventivos. Segundo Marcos Botelho, gerente de Meio Ambiente da CBMM, as ações preventivas da empresa vão desde a recuperação de áreas verdes, o uso racional da água e o uso de filtros modernos na emissão de gases.

Entretanto, foi no item barragens que a CBMM, que explora o nióbio há 60 anos em Araxá, apresentou a principal novidade. A empresa diz ter sido a primeira mineradora do país a usar o sistema de manta plástica em represas. A impermeabilização, frisou Marcos Botelho, evita a entrada e saída da água, o que, aliada às inspeções diárias e manutenções rotineiras, dá segurança à barragem.

Já a engenheira de Minas da Vale, Ana Lúcia Taveira, falou da redução acentuada no consumo de água, no reuso dos resíduos sólidos e nas discussões para recuperação das áreas de minas. Coube ao gerente de Geotécnica, Fernando Silva Filho, falar do quadro atual das 26 barragens da empresa no país, sendo que destas, sete estão em Araxá, seis em Tapira e três em Patos. Disse que duas estão inativas, 24 têm planos de segurança e 15, planos de emergência. Para Fernando, a manutenção diária é a principal ação preventiva no sentido de evitar possível rompimento de uma barragem.

Ao final, o encontro foi aberto para as indagações. Foram cobradas da CBMM explicações sobre o crescente número de câncer em Araxá, numa possível ligação com a radiação do nióbio, o que foi negado pela empresa. Já padre Márcio questionou a Vale sobre a mortandade de peixes e capivaras no córrego Capivara, em decorrência de resíduos despejados pela empresa. A gerente Ana Lúcia disse que desconhece tal fato e o sacerdote pediu, então, plano de ação da empresa na destinação dos resíduos sólidos para pôr fim à polêmica.

No geral, os bispos gostaram das explanações, porém disseram estar alertas às ações das mineradoras quanto ao meio ambiente e, sobretudo, à vida. “Tragédia como do povoado de Bento, em Mariana, em decorrência do rompimento da barragem do Fundão, não pode se repetir. Devemos tomar todos os cuidados e a Igreja se manterá vigilante em defesa dessas comunidades localizadas próximas às barragens,” garantiu o arcebispo dom Paulo Mendes Peixoto.

Jornalista Rubério Santos

 

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