A Igreja Católica e a Política

Este é o título do primeiro bloco da “Cartilha de Orientação Política 2022”, publicada pelo Regional Sul 2 da CNBB, que compreende arcebispos e bispos do Estado do Paraná. O subtítulo desta Cartilha é “A Política Melhor”. Trata-se de um instrumento de conscientização sobre a missão da Igreja diante do mundo da política e, de forma especial, diante das eleições que já se aproximam.

Como Premissa desta Cartilha, os leitores são orientados sobre a relevância das eleições que teremos no mês de outubro deste ano. Tais eleições “constituem um dos eventos mais importantes do momento atual do Brasil e trarão implicações para a vida de todos os brasileiros”. Assim, o texto apresenta a missão evangelizadora da Igreja que procura “orientar politicamente os cidadãos”. O Evangelho é fonte da dignidade humana e da fraternidade. Por isso, deve ser “a base de todo diálogo em vista de uma política em prol da vida e da paz”! Neste sentido, os cristãos leigos e leigas, neste tempo de eleições, são chamados a ser de fato “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13-14).

Este primeiro bloco trata sobre o papel da Igreja Católica quanto à política e traz aspectos de sua dimensão social. Apresenta, de início, uma palavra importante do Papa Francisco, em sua Encíclica Fratelli Tutti, sobre a Fraternidade e a amizade social. Diz-nos o Papa: “Poderá o mundo funcionar sem política? Poderá encontrar um caminho eficaz para a fraternidade universal e a paz social sem uma boa política?” (FT, n. 176). E continua o Papa: “Reconhecer todo ser humano como um irmão ou uma irmã e procurar uma amizade social que integre a todos não são meras utopias. Exigem a decisão e a capacidade de encontrar os percursos eficazes que assegurem sua real possibilidade. Todo e qualquer esforço nessa linha se torna um nobre exercício de caridade” (FT, n. 180).

Sob a inspiração de seu Mestre, a Igreja procura agir como o bom Samaritano (cf. Lc 10,25-37), “que atende generosamente a todos os homens e mulheres deixados quase mortos na beira da estrada”. Assim a Igreja tem agido ao longo de sua história. Nestes últimos tempos, a Igreja tem atuado, de maneira incisiva, “na defesa dos pobres e no serviço da justiça e da solidariedade”. A sua inspiração é o apelo radical do Evangelho, manifestado através da Doutrina Social da Igreja, maneira sempre atualizada de viver os ensinamentos de Jesus Cristo na dimensão social.

A palavra “caridade”, muitas vezes, carrega um sentido distorcido, uma espécie de ação assistencialista. Além de sua dimensão espiritual, caridade tem uma dimensão política, que se expressa no “amor preferencial pelos menos favorecidos”, nos diz o Papa Francisco (FT, n. 187). Isso significa que somos chamados a “proporcionar condições para que todo ser humano possa se desenvolver de forma integral, em todos os âmbitos de sua vida”. Não basta oferecer comida a quem tem fome. É preciso desenvolver políticas públicas de combate à fome, à miséria e ao desemprego.

A participação dos cristãos leigos e leigas no mundo da política é muito importante. É esperada uma postura segundo os valores éticos e evangélicos, por parte deles. Chamados a ser “sal da terra e luz do mundo”, os cristãos leigos e leigos têm a missão de promover “tudo aquilo que proporciona a dignidade humana e o cuidado da vida de forma integral”. Isso significa que “todo ser humano deve ter condições de viver com dignidade, desde que foi concebido, até sua morte natural”.

No mundo da política, especialmente no Poder Legislativo, há as chamadas “bancadas”: “bancada ruralista”, “bancada evangélica”, “bancada da bala”. As bancadas temáticas são grupos guiados por uma pessoa e que se fecham para votar segundo seus interesses. Por isso, a Igreja não incentiva os católicos eleitos à criação de uma “bancada católica”. O que existe é uma “Frente Parlamentar Católica”. Tal Frente Parlamentar é uma instituição oficial, regulamentada e reconhecida. Esse grupo se reúne para discutir, refletir e defender interesses comuns.

A Lei Eleitoral proíbe propaganda eleitoral em qualquer local público: estádios de futebol, supermercados, estacionamentos e igrejas. Dessa forma, nenhum candidato pode usar do espaço da Igreja ou de seus arredores para pedir votos. No entanto, os candidatos católicos não devem afastar-se de sua comunidade, mas devem continuar participando. Isso é diferente de alguém que nunca participou da comunidade, de repente aparece para pedir votos.

Por fim, o primeiro bloco da Cartilha faz uma distinção entre candidatos adversários e candidatos inimigos. Ser adversário significa que cada candidato a cargo público precisa convencer o eleitor de que seu projeto é melhor do que o outro. Ser inimigo é diferente, é tratar o período eleitoral como um campo de guerra, em que quem pode mais deve destruir o outro. “É importante estar atento aos candidatos que não são abertos ao diálogo e tratam o adversário como um inimigo, buscando ofendê-lo pessoalmente e manchar sua imagem pública” (Cartilha, p. 9).

Padre Geraldo Maia

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© Copyright Arquidiocese de Uberaba. Feito com por
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