A Lei e o Templo

São duas realidades que davam fundamentação para o judaísmo no Antigo Testamento. Mas Jesus apresentou uma nova maneira de vivenciar, tanto a Lei quanto o templo. Surgiu uma nova forma de experiência e prática religiosa. É a Lei do amor ao próximo, diferente do rigorismo dos judeus. O templo, pelo caminho da cruz, é o seu próprio corpo, mas ressuscitado e presente na glória do Pai.

Quando o tema da Campanha da Fraternidade deste ano fala de “amizade social”, está havendo uma aplicação desta nova lei do amor, porque somos todos irmãos (cf Mt 23,8). A fraternidade deve ser assumida de forma incondicional, superando todo tipo de preconceito, desavenças, ódio e coisas parecidas. O amor nunca pode ser individualista, que não valoriza a sociedade e a vida social.

Não podemos ficar presos à Lei, mas temos necessidade dela para criar harmonia na convivência. A Lei dada a Moisés foi para isto, principalmente numa fase de total decadência social do povo de Deus, que não conseguia mais sentir, nos seus corações, a presença amorosa de Deus. Assim, o Decálogo foi auxílio importante naquele tempo e seus fundamentos ressoam para os dias de hoje.

Os Mandamentos são palavras da comunicação de Deus com o seu povo. É justamente aquilo que cria fraternidade, convivência e amizade. É Lei, mas é palavra, é diálogo e formação do templo de Deus, que é o carpo de cada pessoa. É isto que entendemos de nova lei do amor e do novo templo de Deus. Palavra que supera solidão e cria fraternidade na convivência daqueles que se relacionam.

Com a nova lei, Jesus não veio abolir princípios legislativos do passado, mas dar a eles o seu verdadeiro sentido, superação do fundamentalismo, aquilo que não ajudava na espiritualidade. Assim dizemos que a verdadeira lei vem de dentro do coração e não apenas fruto de pressão vindo de fora. Sinal de que, quem faz lei tem que saber interpretar as verdadeiras necessidades das pessoas.

Para o apóstolo Paulo, o corpo humano é templo, morada do Espírito Santo (I Cor 6,19). É Ele que nos habilita para viver a tão sonhada fraternidade, a vida de comunidade, a partilha e o amor comprometido. A Lei nos auxilia, não pode nos deprimir e escravizar, mas dar condições para plenificar o templo, a pessoa de cada um como verdadeiro filho e querido de Deus.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba

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