A quem damos ouvido

Às coisas boas ou às más? Na vida cristã, a Deus ou ao diabo? A resposta está no uso consciente da liberdade. Deixar de ouvir a voz de Deus é abrir espaço para acolher o mal. Diz a Palavra da Escritura que as portas do céu são estreitas, e largas aquelas que levam ao outro extremo (cf. Mt 7,13-14). Seguir o bem ou o mal é consequência de um profundo e responsável discernimento de vida.

Realmente o mal é mais contagioso, mais fácil e passageiro. Em muitas situações, os efeitos são drásticos e sem volta. Assistimos hoje tantas pessoas pagando caro por não ter feito escolhas sadias, responsáveis e duradouras. Quase sempre é afronta à natureza das realidades cotidianas. Usamos aquele ditado: “Deus perdoa sempre, nós às vezes nos perdoamos e a natureza nunca perdoa”.

Não dar ouvido ao precioso e rico amor de Deus é correr um sério risco de perder a dignidade e o bem naturalmente desejado. É ainda ser incapaz de enfrentar as consequências das más escolhas feitas no contexto da grande família, a comunidade. Estar em sintonia com Deus é ser capaz de superar os vínculos com as atividades do diabo, por saber discernir as obras de Deus e aquelas do diabo.

A origem do mal já estava presente na narração da história da criação. Ele é fruto de um ato de desobediência à vontade do Criador, mas, fazendo parte do Mistério da Salvação. O homem e a mulher foram criados livres, no sexto dia, número concebido pelos judeus como de imperfeição. Mas todos convocados para um passo de perfeição, para chegar ao sétimo dia, dia da paz em Deus.

Cada pessoa deve tomar consciência diante dos propósitos assumidos na vida, nos seus diversos momentos de caminhada, das escolhas empenhadas e das motivações, quando engendro o caminho do mal. Deve saber que o mal nunca vem de Deus, mas é fruto de uma árvore de enxerto mal feito e descuidada. A árvore pode ser tratada com mais atenção e acertados os passos de sua existência.

É a Jesus Cristo, Deus em Pessoa humana, Aquele que vence o príncipe do mal, que se deve dar ouvido e aproximar-se o máximo Dele, com toda confiança, em meio às tribulações que desqualificam a identidade das pessoas. Para isto, é necessário ter muita clareza sobre a identidade de Jesus e saber da sua total incompatibilidade em relação ao mal que vem do demônio.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba

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