Acolher o Messias

Uma coisa é o Messias, outra é o Papai Noel. Não que sejam figuras desconectadas do espírito natalino, mas têm conotações diferentes. O Messias é Jesus Cristo, Deus feito homem, a começar pela encarnação do Verbo e veio habitar entre nós. O Papai Noel é uma criação da cultura capitalista moderna, que absorve o tempo de Natal, mas com foco de motivar e aquecer o comércio.

Acolher o Messias, principalmente em tempo de Natal, nada mais é do que um convite para o belo gesto da partilha e de encontro com Ele, que acontece nas pessoas daqueles que vivem sem condição de vida digna. É reconhecimento da infinita misericórdia divina, de Deus que vem ao encontro de seu povo, carente de sua presença. Da parte dos humanos fica o compromisso da gratidão e do louvor.

Diante dos diversos problemas do mundo moderno, não sei se podemos falar de um ambiente caótico, quando vemos políticas mal geridas, corrupção, abuso de autoridade, indiferença religiosa e ações destoantes da justiça e da verdade. Realidades antagônicas, incompatíveis com o espírito natalino e totalmente distantes das propostas da salvação trazidas por Jesus Cristo.

Mesmo com as falhas, fraquezas e hostilidades, Deus quer caminhar com seu povo e não desiste do plano de salvação. Ele tem um anúncio de convocação para a generosidade, a gratidão, a alegria e tudo dentro do contexto do testemunho autêntico de todos os seus seguidores, porque isso é o constitutivo da verdadeira fé cristã. Não existe Natal sem um processo do amor e da fraternidade.

A chegada do Messias suscita esperança e radical renovação de vida. É a proposta anunciada pelo profeta João Batista, quando diz ser preciso acertar o caminho para acolher o Menino Deus. Não pode ser um caminho cheio de montanhas e de vales, de coração vazio e estressado. O momento é de alegria e esperança renovadas, de olhar para o alto com cabeça levantada e confiante numa vida melhor.

A vida, em todos os seus níveis, tem sido muito ameaçada, expressando rejeição aos ensinamentos deixados pelo Senhor. Eles têm como elevado objetivo, valorizar a criação e formar, entre as pessoas, a fraternidade e o amor. A Palavra de Deus precisa ser mais bem escutada, porque ela consegue iluminar o caminho que conduz o ser humano para gestos concretos de generosidade e partilha.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba

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