Vida nova

A expressão “vida nova” nos leva para um pensamento próprio do tempo da Páscoa. Tudo aquilo que aparece como antigo, em Deus, se torna novo, história nova, com todas as características da sociedade moderna. É o que acontece na vida dos cristãos, porque quem entende e vive o clima do Cristo ressuscitado, experimenta uma nova realidade no seu próprio modo concreto de viver.

A novidade da vida está apoiada no amor. Quem ama tem vida sempre nova, cheia de esperança e acredita no sucesso do que está para vir. O amor coloca a pessoa em sintonia com Deus e com o irmão. Consegue superar o espírito de desunião, de vingança e de violência. Reina a fraternidade e a convivência se torna sadia e responsável. Sem Deus o amor fica fragilizado e individualista.

Na história do Brasil, e principalmente nos últimos tempos, a vida tem sido ameaçada. Há uma afronta à natureza, à casa comum, dificultando a harmonia da criação. Vemos a potencialização dos atos destruidores, diminuindo as bases que sustentam a riqueza da natureza criada. Precisamos mudar urgentemente de rumo, usando uma tecnologia que esteja a serviço da vida.

Na Sagrada Escritura nós encontramos a parábola da videira, símbolo de fertilidade e de vida nova, porque produz frutos bons e com abundância. Ela é símbolo também do povo de Deus, que recebe os cuidados próprios para sua existência e presença na sociedade. Mas os frutos podem ser também amargos, identificados com as práticas irresponsáveis dos últimos tempos.

A imagem da videira sugere a existência de um agricultor que trabalha a terra e a faz produzir. Esse agricultor é comparado com o Pai, que tem Jesus como videira, o povo como seus ramos, e as boas obras como frutos de liberdade, que podem ser bons ou ruins. A seiva liga as diversas peças do conjunto. É a graça de Deus que deve correr pelas veias para criar harmonia em todo o corpo.

O termômetro da fraternidade é o amor. Ele tem que estar fundamentado na verdade, na consciência que vem do coração e nos critérios divinos contidos nos Evangelhos. É estar em Cristo num clima de fé e de certeza na beleza da ressurreição. O caminho foi construído por Ele, cuja culminância se deu com sua morte na cruz. A vida nova só vai acontecer de fato na eternidade.

 

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

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Estatura do Pastor

Existem muitos pastores que cuidam de ovelhas, mas nem todos eles têm a dimensão do grande Pastor, Jesus Cristo. Há pastores falsos, sem compromisso e desconectados da missão assumida. É pena que isso aconteça, porque as ovelhas ficam prejudicadas e desestimuladas para prosseguir seu caminho. Perdem o rumo e não encontram mais força e objetivos a perseguir.

O bom pastor normalmente tem umaestatura, uma dimensão que marca sua fidelidade ao rebanho, porque está a serviço dele. Onde está o rebanho, deve ali estar o pastor, doando sua vida por ele. O mau pastor é explorador, porque suga energias e potencialidade de quem ele cuida. De certa forma, ele rouba das ovelhas a esperança e o seu encanto próprio do cotidiano.

Deus não compactua com a ação dos maus pastores. Aliás, Ele os chama de mercenários, infieis e mal intencionados. O bom pastor é vocacionado para a missão, porque ele tem uma força dentro de si dada pelo Espírito Santo, porque age em nome de Jesus Cristo. Todo líder religioso deve agir como pastor e proporcionar condição de vida para os seus assistidos.

Não é fácil dar a vida pelas ovelhas. Isso exige muito desprendimento e autenticidade de quem o faz. Exige também estatura, que pode ser entendido como testemunho de vida, de sinal positivo para animar a trajetória de quem é auxiliado. A estatura de Jesus ultrapassa todas as nossas potencialidades. Ele é modelo de Pastor e Nele podemos encontrar motivações para o nosso pastoreio.

Tanto nas Igrejas como no Estado, seus líderes, sejam religiosos ou políticos, são pastores do povo. As dimensões são diferentes, mas os compromissos exigem responsabilidade. É lamentável encontrar maus pastores em ambos os casos. Com isso a história vai sendo mal construída e deixando muito a desejar. As consequências são sempre desastrosas para todos.

Todo pastor enfrenta riscos em sua missão. Nem tudo é fácil de ser construído, porque exige determinação e ação coerente, feito com responsabilidade. A sociedade brasileira está convivendo com crises por todos os lados. Isso significa que nossos gestores não estão seguindo os princípios de fidelidade que seus ofícios exigem. É hora de encontrar novos pastores com compromissos mais claros.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

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56ª Assembleia Geral da CNBB

São dez dias de encontro fraterno, todos os anos, entre os mais de trezentos bispos do Episcopado Brasileiro, da chamada Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Estamos já caminhando para o final, num clima chuvoso em Aparecida, favorecendo um ambiente saudável e propício para a realização do evento. Não estamos experimentando o calor dos outros anos.

Apesar do clima conflitivo dos últimos tempos na cultura brasileira, das críticas e afrontas à ação da Igreja e da CNBB, a condução da Assembleia está tranquila. Não temos neste ano a presença do Secretário Geral, Dom Leonardo Ulrich Steiner, por proibição médica. A função está sendo feita por Dom Esmeraldo Barreto de Farias, na condição de secretário “ad hoc”.

O tema central é a formação sacerdotal dentro do contexto das novas realidades, numa tentativa de colocar em prática, no momento da sociedade, as Diretrizes emanadas da Santa Sé, a Ratio Fundamentalis.  Estamos trabalhando um texto, preparado por uma equipe criada para esse fim, e apresentado com antecedência para que todos os bispos dessem suas apreciações.

Certamente vamos sair da Assembleia levando mais um documento oficial, de cor azul, agora sobre a formação dos futuros sacerdotes, com regras seguras para os nossos Seminários. Isso significa avanço no processo formativo, dando aos formadores um melhor instrumento e condições para uma formação mais segura e adequada para os enfrentamentos pastorais da nova cultura.

Muitos outros temas são acenados na Assembleia, revelando a preocupação dos bispos com as situações mais urgentes do momento. E são muitas, revelando a riqueza dos envolvimentos da Igreja na sua missão de evangelizar. Um tema do momento é o ano eleitoral, porque teremos que escolher novo Presidente da República, Senadores, Deputados e Governadores dos Estados.

A grande evidência da Assembleia é a convivência entre os bispos. Mesmo com pensamentos divergentes, a unidade é a marca principal. Não somos divididos, porque nossos objetivos são a evangelização, o anúncio do Evangelho nos diversos contextos do território nacional. Cada bispo tem seus desafios próprios, suas dificuldades, mas todos confiantes na ação do Espírito Santo.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

11/04/2018 – Assembleia Geral da CNBB, em Aparecida.

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Tempo de dúvidas

Somos testemunhas atuais da realidade dos novos tempos. As marcas podem ser entendidas como “sinais dos tempos”, mudança de época e avanço para o futuro. Não conseguimos enxergar o que vem por aí, mas a esperança deve nos convencer de que Deus acompanha a história. Em meio a crises e ignorância da cultura moderna, um mundo melhor e promissor certamente está por vir.

As dúvidas são importantes, porque provocam busca de maiores esclarecimentos. No tempo de Jesus, muitas pessoas tinham dúvidas sobre Ele. Até os apóstolos, seus seguidores mais próximos, viviam numa grande crise. Em certo momento foram infieis e O negaram diante do povo. Parece com as crises do momento, com as inseguranças, dúvidas e medo, que atingem a todas as pessoas.

A infidelidade à Aliança proposta por Deus a Abraão, e realizada plenamente em Jesus Cristo, continua acontecendo. As desconstruções da pessoa humana abafam as riquezas da vida divina nas realidades concretas. As consequências são quase normalmente marcadas por insegurança e sofrimento. Mas não é esse o caminho que proporciona realização e conforto para a vida humana.

Diante das incertezas, o ser humano se desestabiliza, se angustia e se perde nas dúvidas. Nesse contexto as pessoas ficam intolerantes, muito preconceituosas e perdem a capacidade de se autorealizar. Mais ainda em ano eleitoral, porque as dúvidas e incertezas se avolumam tomam conta do nosso imaginário. Ficamos incapacitados para emitir uma decisão com responsabilidade.

Existem dúvidas sobre a fé. Sua base tem fundamentação bíblica e está relacionada com a aliança que Deus fez com o seu povo. O conhecimento da Sagrada Escritura nos leva a amar o Senhor e aos irmãos dentro de uma dimensão de fé. Deus se faz presente na vida das pessoas, principalmente no momento da Celebração Eucarística, fortalecendo-as na prática de fé.

O encontro pascal com Jesus Cristo é revelador de certezas sadias e reconfortantes. Sua Palavra ocasiona confiança e exige fidelidade ao que é proposto como condição para uma vida alegre e feliz. Quem a observa com atenção faz brilhar, no seu entorno, o verdadeiro amor pelo mundo e consegue superar as crises de dúvidas que marcam a vida das pessoas da nova cultura.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

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Comunidade de Lourdes Mãe da Esperança inicia construção da Casa Paroquial

A comunidade de Nossa Senhora de Lourdes Mãe da Esperança, do bairro Boa Vista, lançou em 25 de março a construção da Casa Paroquial.

Na data, Domingo de Ramos, a celebração foi presidida por Dom Paulo Mendes Peixoto e concelebrada pelo diácono Márcio Henrique. Padre Sebastião Ribeiro, pároco de Lourdes, não participou, pois se encontra enfermo.

Ao final da missa, os fiéis saíram em procissão e, no pátio que faz divisa com a Rua França, participaram do lançamento da pedra fundamental da Casa Paroquial. Na oportunidade, o arcebispo aspergiu água benta sobre o terreno onde a obra será erguida.

Já no dia 28 de março foi feita a retirada de massa asfáltica do pátio, dando início à construção da sede definitiva da Casa Paroquial de Nossa Senhora de Lourdes Mãe da Esperança. A obra terá 110 m² de área construída, incluindo três quartos, sala, copa e cozinha, além de garagem.

A construção da casa dependerá muito da comunidade. Afinal, ela será erguida com os recursos levantados pelos próprios paroquianos através de promoções como bingos, rifas e festas. Já no próximo dia 15 de abril, acontece o Bingo de uma bicicleta e vários outros brindes.

Quanto à Visita Pastoral, anteriormente marcada para o período de 23 a 25 de março, será reagendada pela Cúria Metropolitana, pois houve alteração na agenda de Dom Paulo Mendes Peixoto, em razão do ocorrido em Formosa – GO.

Jornalista Rubério Santos

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Testemunho da ressurreição

Aquilo que falamos e acreditamos sobre a ressurreição de Jesus Cristo é um fato que depende de fé. A Páscoa é revitalizada com o testemunho, os gestos e o serviço dos cristãos, do seu sentir como Igreja, e sua proximidade com os demais, na construção de um mundo melhor. Verdadeiramente, a Páscoa é ação dinâmica em favor de uma vida ressuscitada e comprometida com a comunidade cristã.

No livro dos Atos dos Apóstolos encontramos comunidades unidas e comprometidas por acreditar nos ensinamentos de Jesus. Conseguiram compreender a dimensão da vida cristã e as implicações que isso causa na convivência fraterna. Inclusive partilhavam seus bens para que ninguém passasse necessidade. Isso significa que a partilha eleva a vida das pessoas e as tornam responsáveis por tudo.

Hoje temos inúmeras comunidades carentes, periféricas, às vezes desorganizadas, sem saneamento básico e sem assistência do poder público. O lixo fica pelas ruas e são totalmente desprovidas das condições de sobrevivência digna. Necessitam de um processo de ressurreição, de políticas públicas para mudar sua realidade e transformá-la num espaço de convivência fraterna.

A experiência de vida no Cristo ressuscitado provoca a partilha, porque as pessoas se sentem como verdadeiros irmãos e irmãs, corresponsáveis na vida comunitária. No encontro pessoal com Jesus Cristo ressuscitado e vivo, a pessoa reacende e irradia a força da ressurreição em sua vida e faz o processo da partilha com as outras pessoas que fazem parte do seu convívio.

O apóstolo Tomé, um dos doze, estava fora da comunidade dos discípulos quando Jesus lhes apareceu. Ele teve dificuldade para acreditar que Jesus tinha ressuscitado. O mesmo acontece com quem se isola, se fecha em seu próprio mundo, no individualismo e distante da vida comunitária. Para acreditar teve que tocar nas chagas de Jesus, mas isso aconteceu no contexto da comunidade reunida.

A fé vinda do batismo cria vínculo entre os cristãos, vínculo de fraternidade e de vida comunitária, porque ela faz circular o amor entre todos os que dizem amar a Deus. Viver a Páscoa é ser capaz de promover a vida dos irmãos, porque a centralidade de sua ação está fundamentada na ressurreição de Jesus Cristo. A morte foi superada pela prática dos compromissos e ações da vida cristã.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

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Domingo da Divina Misericórdia nas paróquias de Uberaba e região

No primeiro domingo após a Páscoa é celebrado o Domingo da Divina Misericórdia. Foi em suas aparições a Santa Faustina que Jesus apresentou ao mundo a devoção da Divina Misericórdia, sua festa, a imagem e o Terço. Jesus deixou à religiosa polonesa palavras que expressam essa imensa graça, as quais foram registradas por ela em seu Diário.

Nele, Santa Faustina descreve as palavras do próprio Jesus. “Quero que essa imagem seja abençoada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa e esse domingo deve ser o domingo da misericórdia” (D. 49).

Em outubro de 1937, em Cracóvia, Jesus mandou venerar a hora da Sua morte. “Todas as vezes que ouvires o bater do relógio, às três horas da tarde, deves mergulhar toda na Minha misericórdia, adorando-a e glorificando-a. Implora a onipotência dela em favor do mundo inteiro e em especialmente dos pobres pecadores, porque nesse momento foi largamente aberta para toda alma” (D. 1472). “Nessa hora conseguirás tudo para ti e para os outros. Nessa hora, realizou-se a graça para todo mundo. A misericórdia venceu a justiça” (D. 1572).

É por esse motivo que as celebrações deste dia são realizadas, principalmente, às 15h, seguindo o pedido do próprio Cristo à Santa Faustina.

Acompanhe os horários das celebrações em algumas paróquias de Uberaba e região neste Domingo da Divina Misericórdia:

 

Catedral Metropolitana:

Domingo – 08 de abril:

Haverá às 18h15 o Terço da Divina Misericórdia.

Santa Missa no horário de sempre, às 19h.

 

Paróquia de São Judas Tadeu:

De 30 de março à 08 de abril: Terço da Misericórdia e novena nas famílias dos enfermos

Domingo – 08 de abril:

14h Palestra no Anfiteatro da Igreja

15h Exposição do Santíssimo Sacramento

Terço Meditado da Divina Misericórdia

Na sequência: Santa Missa com a benção dos quadros da Divina Misericórdia e consagração das famílias à Divina Misericórdia

 

 

Paróquia de Santa Bárbara:

Domingo – 08 de abril

Missas às 07h e às 19h

Às 15h haverá Terço da Misericórdia cantado, seguido de uma confraternização (Café da tarde)

 

Paróquia da Ressurreição:

Domingo – 08 de abril

A partir das 13h30: haverá no Salão Paroquial pregações e momentos de louvor sob a coordenação do Grupo de Oração da Paróquia Ressurreição.

 

Paróquia de Santa Cruz e Nossa Senhora das Dores:

Domingo – 08 de abril

Às 15h haverá Santa Missa da Divina Misericórdia

Após a Missa haverá Adoração até às 19h

Padre Alex, pároco, estará atendendo confissões.

 

Paróquia de São Geraldo Majela:

 

Paróquia de Santa Luzia:

 

Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes:

Domingo – 08 de abril

Missa em horários normais: 8h na Imaculada, 9h30 Matriz e 19h Matriz

Às 15h Terço da Misericórdia

 

Paróquia Santa Maria dos Anjos, em Delta:

Domingo – 08 de abril

Convidamos a viver neste dia a Divina Misericórdia de Jesus Misericordioso com a programação especial.

08h: Missa da Divina Misericórdia com as crianças e jovens

Local: Igreja Matriz

15h:  Acolhida e Momento Penitencial

Confissões Individuais com Pe. Hélio

Terço da Divina Misericórdia e Orações clamando pela Misericórdia

15 minutos de intervalo preparação a Santa Eucaristia

16h Missa Solene Especial da Divina Misericórdia

 

Paróquia de São Miguel, em Nova Ponte:

Domingo – 08 de abril

Missa às 19h com a presença do grupo Jesus Misericordioso, que se reúne semanalmente na paróquia.

 

Paróquia Mãe Rainha, em Araxá:

 

Paróquia Sagrada Família, em Araxá:

 

*Os horários de missa das paróquias que realizarão cerimônias especiais nesta data serão acrescentados em nosso site à medida que nos for enviado.

 

Jordana Moreira
Assessora de Imprensa

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Páscoa 2018

Jesus morreu na cruz. Teve algumas causas que o levaram a isso, entre elas sua fidelidade ao projeto do Pai, sua luta pela justiça e a força do amor. Ele foi julgado injustamente, mas a justiça de Deus evidenciou sua inocência, e O ressuscitou no terceiro dia. A partir daí surge uma vida nova, não sujeita mais aos sofrimentos da morte, mas ao encontro amoroso com o Pai, na eternidade.

A plenitude da vida, alcançada no alto da cruz, é causa de esperança para aqueles que vivem angustiados e marcados pelos sofrimentos da vida presente. É a esperança que a Páscoa oferece para todos que a buscam de coração sincero e aberto à graça de Deus. É ainda a certeza de que o bem eterno é superior a todos os valores conquistados na vida presente.

O modo de vida de Jesus na terra foi totalmente marcado pela prática da doação e de atos em benefício das pessoas. Ele sempre fez o bem sem distanciar da fraternidade para com todos. A discriminação não era seu jeito de ser. Não praticava a violência e nem a desonestidade, tornando-se modelo de vida para todas as pessoas. A Páscoa é um constante crescimento no seguimento de Jesus.

O Tempo da Páscoa começa no primeiro dia da semana, isto é, na primeira feira, que não existe no nosso calendário. Esse dia foi substituído pelo domingo, dia do Senhor. Isso deixa transparecer um sinal de eternidade, para dizer que a ressurreição significa entrar na vida eterna de Deus. Aí está o sentido da Celebração da Eucaristia no dia de domingo, fazendo antecipar, no tempo, a eternidade.

O grande sinal de vida que vem da Páscoa é o amor, mas vivido na comunidade dos discípulos que colocam em prática os ensinamentos do Evangelho. Não basta fazer festa com presentes de amizade, mesmo sabendo que eles também são importantes para unir as famílias e as pessoas. O foco principal é Jesus Cristo como presente que consegue dar sentido verdadeiro para o ser humano.

A Ressurreição e a Páscoa não são palavras para serem pensadas no futuro, como se fosse para o fim da vida. Devem ser vivenciadas nos dias de hoje, na vida concreta do cristão. Nelas está contida a mensagem de conversão constante, que começa já no cotidiano, no encontro pessoal com Jesus Cristo, já fazendo a experiência da ressurreição. Assim podemos dizer: Feliz Páscoa!

 

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

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Domingo de Ramos 2018

No final da Quaresma, abrindo as celebrações da Semana Santa, o Domingo de Ramos tem um significado importante para a vida dos cristãos. Todo cenário da Paixão de Jesus Cristo começa por aí. Sua entrada triunfal em Jerusalém abriu espaço para que os judeus realizassem tudo aquilo que já vinham maquinando há algum tempo. Procuravam uma forma concreta para condená-Lo à morte.

Com o Domingo de Ramos Jesus torna mais evidente sua identidade como Filho de Deus. A partir daí Ele faz um caminho de sofrimento, que engloba todos os gestos da Paixão, proclamado pela Semana Santa, mas como o Messias, portador de paz e salvação para toda a humanidade. Ele supera os atos atrozes de violência e convoca o perdão do Pai para todos que O condenavam à morte na cruz.

O Brasil tem sido uma Pátria de sofrimento. A violência feita ao ser humano é preocupante, porque quase não encontramos gestos de perdão e de reconciliação. Tudo se torna muito brutal e devastador e as pessoas vão sendo ceifadas, inocentemente, e com muita facilidade. Reina uma grande insensibilidade para com o “humano e o divino” presentes nas pessoas.

Na Paixão, sofrida por Jesus Cristo, encontramos a firmeza e a serenidade de quem acredita na vida. Ele não se dobra à violência, e morre para dar vida, inclusive aos que O condenaram na cruz. Ser violento não significa ser forte e dominador, mas reflete uma situação de medo e de insegurança. A justiça e a mansidão são capazes de produzir confiança e despertar uma esperança confortadora.

A vida terrena de Jesus termina na cidade de Jerusalém, palco do poder temporal dos reis de então. Ele acaba sendo julgado injustamente por Pilatos, um juiz corrompido, sem autonomia e vazio de autoridade, porque joga a decisão para a multidão. A corrupção perpassa por todas as camadas da sociedade, incluindo também o judiciário quando julga sem atenção aos princípios da verdade.

As vitórias conquistadas na vida não podem ser fruto de corrupção e violência, mas de atos de humildade, serviço, serenidade e confiança em Deus. Os erros devem ser denunciados, porque eles provocam desarmonia, destroem a dignidade das pessoas e causam sofrimentos injustos. A Semana Santa é espaço de reflexão para uma profunda mudança na trajetória que a sociedade brasileira faz.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

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Tempo de transformação

O objetivo principal da Quaresma é sensibilizar as pessoas para o sentido de uma vida transformada, fazendo o processo da semente jogada na terra, que morre para gerar nova vida. Esse foi o caminho de Jesus Cristo, morrendo na cruz abriu a estrada para possibilitar ao ser humano a experiência da ressurreição. É o caminho da Páscoa, culminando com a restauração da Aliança com Deus.

A transformação pessoal que começa no interior do coração deve ser abertura para o novo da vida humana, capaz de motivar o surgimento de uma sociedade diferente, de um Brasil renovado e ser construída uma cultura de paz. Para que isto aconteça é muito significativa uma sintonia afetiva com a Palavra de Deus, porque ela conduz as pessoas para melhor tolerância nos momentos difíceis.

No remoto passado se falava de uma distorção em relação ao culto, que passou a ser prestado aos deuses falsos. No dizer dos profetas, essa prática deveria ser mudada e transformada numa realidade mais autêntica no encontro com o Deus-Javé. Assim deve ser o momento quaresmal, de purificação e amadurecimento nos exercícios cotidianos da fé e da fraternidade cristã na comunidade.

A sociedade brasileira também necessita de mudanças. Não é saudável ter que suportar o peso da insegurança e da violência. Isso reflete uma realidade carcomida pela falta de transparência na administração das coisas públicas. Pior ainda quando assistimos a privatização da natureza, empresas comprando as nascentes de água, riquezas nacionais sendo vendidas etc.

O ideal mesmo é chegar ao encontro pessoal com Jesus Cristo, principalmente no tempo da Páscoa da Ressurreição. É um processo permanente de vida, de prática cristã, de autenticidade nas lidas diárias, na convivência fraterna e nos comportamentos em relação à natureza criada. Ao abraçar a humanidade, Cristo assume totalmente sua permanente construção e acabamento.

Tudo depende de uma transformação interior assumida de forma livre, verdadeira e comprometida com o bem da humanidade. Ser diferente não significa distanciar-se das fontes seguras da história e dos critérios polidos com o passar dos anos, especialmente os ensinamentos do Evangelho. Mas vivenciar com responsabilidade as exigências da cultura cibernética de acordo com a vida cristã.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

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