Sinal de Vida

As celebrações da Semana Santa, na história da Igreja, têm como objetivo preparar os cristãos para valorizar a riqueza da ressurreição e o sentido cristão da Páscoa do Senhor. A Páscoa é um ponto de chegada, mas também o começo de uma nova dimensão de vida centrada na Pessoa de Jesus Cristo ressuscitado. Ele partilha com as pessoas a vida e lhes dá sentido para enfrentar os problemas.

A fé, como dom de Deus, vem da ressurreição. Ela é sinal de vida e habilita as pessoas para não cair no desânimo e nem na doença do século, a depressão. Acreditar em Deus significa abertura para o encontro e o relacionamento com o outro. Foi o que aconteceu com os apóstolos depois da ressurreição. Eles tiveram força e coragem para enfrentar o difícil trabalho missionário do tempo.

Na Paixão de Cristo existem muitos sinais de vida. Temos o sepulcro vazio, os panos dobrados, a ação de Maria Madalena, a presença de Pedro e João etc. Tudo tem sentido para quem se abriu para o contexto da fé. A ação de Deus na terra acontece através de sinais. Cristo foi o maior deles, porque Ele se apresenta como Homem-Deus, sintetizando em si o sentido dos demais sinais.

Dois verbos, ver e crer, são significativos no entendimento da fé. Para quem consegue vivenciar os ensinamentos de Palavra de Deus, acredita sem precisar ver. Para os descrentes, como Natanael, Jesus diz: “Vem e vê” (Jo 1,46). Além da Sagrada Escritura e do testemunho dos apóstolos, a fé no Cristo ressuscitado supõe prática de amor, do reconhecimento de que Deus é misericordioso.

Podemos dizer que ter fé madura, sem preconceitos, é sinal de vida. Quanto a isso, o Papa Francisco, na Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate”, fala da santidade que vem da fé, mas que pode ser prejudicada por duas ideologias do inicio do cristianismo, mas presentes de forma sutil nos dias de hoje, o gnosticismo e o pelagianismo, que não valorizam Cristo como principal fonte de fé.

A ressurreição é vida, aqui e agora, intimidade com Cristo e preocupação com as coisas do alto (cf. Col 3,2), mais do que com realidades apenas terrenas. Não significa alienação e nem intimismo, mas abertura para um estilo de vida pautado no testemunho de ação como fermento, sal e luz na prática cristã. Isso envolve a comunidade e expressa o sentido de família e de relacionamentos.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

 

 

Compartilhe!

Ramos de vida

A Semana Santa começa com o Domingo de Ramos, quando Jesus Cristo, num gesto de humildade e enfrentamento, entra em Jerusalém, montado num jumento. Ele é acolhido pelos presentes, com ramos nas mãos, e abre o caminho de sua própria condenação, que culmina com sua morte na cruz. Novos tempos começam a fazer parte da história e da vida dos que acreditam Nele.

Além da expressão e da prática de humildade de Jesus, Ele cumpriu uma missão projetada pelo Pai como gesto de obediência, sem olhar para o passado, mas confiante no que estava para vir no futuro. A morte consciente e responsável é desabrochar de vida nova, a passagem do que era corruptível para uma situação e vida de incorruptibilidade, no dizer do apóstolo Paulo (I Cor 15,53).

A morte de Cristo na cruz tem um significado de grande envergadura, porque foi precedida por uma importante trajetória de conduta construída no amor, na doação, no despojamento e na fidelidade ao projeto do Pai. Podemos até concluir que, na ausência dessas prerrogativas essenciais no currículo da vida de uma pessoa, a sua morte termina no sofrimento e no vazio existencial.

Todo cenário apresentado durante a Semana Santa deve ser visto como motivador de fé. O ator principal das cenas é Jesus Cristo, Deus encarnado e feito homem, unindo humanidade e divindade com um objetivo de salvação. A Ressurreição foi o marco referencial da fé das pessoas tocadas pelos sentimentos divinos. São presenciadas cenas de doação, de humildade, mas também de violência e morte.

O destino do povo de Deus e da humanidade passa pela via da cruz, do sofrimento e do mistério benevolente do Senhor. Essa realidade deve tocar no coração e na mente das pessoas e levá-las ao reconhecimento do plano de Deus, isto é, o sofrimento assumido com consciência para gestar vida nova. A Páscoa é consequência de atitudes conscientes de doação, mesmo com a via do sofrimento.

Aquele que no Domingo de Ramos entra triunfante em Jerusalém, mas com aparência de homem simples do povo, é o mesmo que mete medo nas autoridades constituídas de seu tempo. Ele aparece com uma postura de quem serve e mostra, com isso, o critério fundamental da vida cristã. No dizer da Sagrada Escritura, Ele veio para servir e não para ser servido (Cf. Mt 20,28).

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

 

 

 

Compartilhe!

A justiça na bíblia

O apóstolo Paulo mostra os parâmetros que envolvem o sentido da justiça na bíblia, quando ele diz: “Nele se revela a justiça de Deus, que vem pela fé e conduz à fé, como está escrito: ‘O justo viverá pela fé’” (Rm 1,17). Isso significa que a justiça está em sintonia com a vontade de Deus e na realização autêntica dos atos do ser humano na relação com as pessoas e com toda a natureza.

As leis são promulgadas para fazer acontecer, na prática, o cumprimento da justiça entre as pessoas. Os fariseus e doutores da lei quiseram incriminar Jesus dizendo que Ele não observava as leis de seu tempo. Ele era inclusive colocado à prova porque não poderia ser contra as leis. Mas para Jesus a pessoa humana está acima da lei, principalmente quando o seu cumprimento ocasiona injustiça.

As palavras bíblicas mostram claramente que Deus age com justiça e é misericordioso, que perdoa a mulher adúltera (Jo 8,1-11), exige mudança de vida e fará seu julgamento final. Então, estão bem relacionadas, a justiça, a misericórdia e o cumprimento das leis que, para fazer o bem, devem ser justas. Querem justificar determinados erros instrumentalizando a aplicação das leis, fazendo injustiça.

As repetidas práticas de injustiça acabam chegando a um final desconcertante. Como diz o ditado: “Mais cedo ou mais tarde a casa cai”. Significa que a injustiça não se justifica e não tem estabilidade. E estamos assistindo as consequências dessa realidade. Podemos citar os acontecimentos drásticos dos últimos tempos, violência, prisão de políticos, derramamento de lama etc.

Para o sentimento bíblico, a ação de injustiça mina a riqueza contida na vida cristã, destrói a conduta de quem a pratica e causa transtornos de identidade pessoal. A consciência do ser humano é um lugar sagrado, onde mora a divindade. E é justamente nela que o indivíduo consegue construir a vida de sintonia e de amor com Deus e realizar o exercício pleno da justiça e da caridade.

Sem nenhum legalismo e nem intimismo, podemos dizer que a verdadeira justiça significa fazer um processo de identificação com Jesus Cristo, ser seguidor de seus ensinamentos, mesmo que para isto haja sofrimentos. Também passa pela participação nas políticas públicas dentro do caminho de conversão proposto pela Campanha da Fraternidade deste ano e pelo tempo da quaresma.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

 

 

Compartilhe!

Atitudes interesseiras

Existe uma grande diferença entre os atos praticados por interesse, e atos interesseiros. No primeiro caso é a realização do que se pretende, de maneira honesta e verdadeira. O interesseiro age de forma enganosa e sem responsabilidade, não respeita os direitos que outras pessoas têm em relação ao que ele está pretendendo. Talvez seja o perfil de lideranças que agem apenas em benefício próprio.

Vemos na bíblia que Jesus demonstrava grande interesse por pessoas fragilizadas e procurava agir em benefício delas. Ao relacionar-se com pecadores e pessoas abastadas, demonstrava uma postura de quem pretendia atingir o coração insensível daqueles que não abriam mão de seus privilégios. Não era uma atitude interesseira e nem evasiva, porque seu objetivo não era voltado para si mesmo.

A bíblia conta a história de um pai que tinha dois filhos. O mais novo sai de casa e leva a herança, mas sem objetivos claros sobre o que ia fazer. Não tinha interesse por uma vida consolidada na responsabilidade. Ele acaba perdido na vida e sem amparo. O mais velho, mais criterioso, continuou ao lado do pai. Seu irmão resolve voltar para casa e é rejeitado por ele e fica revoltado.

Na história acima, identificamos um filho sem interesse e outro interesseiro. Esse último imaginava ser o único herdeiro e não aceita partilhar a riqueza. As atitudes da cultura moderna caminham por essas trilhas, mas com muita falta de objetividade. O caso de Suzano e da Nova Zelândia, como em diversos outros, reflete a perda do sentido da vida, o conflito de interesses geradores de morte.

Na proximidade da Páscoa, renovação da aliança do humano com o divino, as pessoas são chamadas a reconhecer a vida como dom de Deus. Significa que a convivência e o diálogo são essenciais para valorizar o que de mais importante a humanidade tem. A pessoa não é proprietária da vida, mas sim sua defensora. São chocantes as cenas de violência que assistimos ultimamente contra esse dom.

Não podemos avaliar as pessoas pelas aparências, como de má ou boa conduta. Na visão cristã, no contexto pascal, o cristão deve ser uma nova pessoa, com espírito novo e aberto para ajudar a quem necessita. Pessoa de paz, que fez o processo da conversão e desinteresseira, mas extremamente interessada na construção do bem e de uma sociedade calcada na força da fraternidade.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

 

Filho pródigo.

 

Compartilhe!

Infertilidade

O tempo corre, os fatos vão ocupando seus espaços e a história não se dá por terminada. Tudo na vida tem significado e deixa suas indeléveis marcas. Mas o mundo é uma construção progressiva, onde cada “peça” existe para desempenhar seu próprio papel. É lamentável quando uma das peças, um alguém, só age para desconstruir o que já existe para a harmonia da natureza.

O que se lê nas Escrituras Sagradas é um despertar para coisas novas e um olhar para frente. Os autores sagrados querem provocar nos leitores uma vida de fertilidade e de construção do bem. Os provocadores da morte são penalizados, porque passarão pelo julgamento de Deus. São como o joio no meio do trigo e, no final da colheita, o trigo será guardado e o joio colocado no fogo.

Encontramos a cena de Moisés, refém dos faraós do Egito, mas ele não se deixou levar pelo desânimo e a infertilidade. Vendo o sofrimento do povo eleito, escravo no Egito, ouve a voz de sua consciência, de seu compromisso como líder dos desprotegidos, conseguiu organizá-los e fugir da força de desconstrução das autoridades egípcias. Moisés revelou sua capacidade de fazer o bem.

A violência presente na sociedade brasileira é uma visível desconstrução, uma infertilidade e uma clara realidade de opressão. Tanto é verdade que milhares de pessoas, sem culpa nenhuma, são assassinadas de forma totalmente irresponsável. Também em nome do mercado e do desenvolvimento, mas sem preocupação com a dignidade das pessoas, a vida vai sendo ceifada injustamente.

Jesus fala de uma figueira estéril, que ocupava espaço e não permitia a presença de outros elementos com capacidade de produzir frutos. Ainda é pior quando alguém, que não produz nada de bom, é também parasita, que vive sugando dos frutos de outros, causando prejuízo para a comunidade. A infertilidade de uns pode causar desânimo na vida de quem tem forças para produzir.

A Quaresma é tempo de conversão e de esperança. São quarenta dias de reflexão, saída da infertilidade, do indiferentismo e da acomodação, abrindo caminho para a graça de Deus e preparação para a Páscoa do Senhor. Superar a imagem negativa da figueira estéril, sabendo que Deus é capaz de agir com misericórdia e transformar a vida das pessoas para produzir abundantes frutos.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

Moisés – Êxodo Bíblico

 

Compartilhe!

Saída de si mesmo

A palavra “conversão” própria da Quaresma e da Campanha da Fraternidade, toca frontalmente na vida e na sensibilidade dos indivíduos. Ela é um convite para transformação interior, que engloba a totalidade da pessoa humana. Mudança que vem de dentro, uma saída de si mesmo para ir ao encontro do outro. Isso não é fácil diante de uma realidade consumista e incapaz de olhar para dentro.

A fé em Deus atinge o ser da pessoa. Ela é uma convicção adquirida através da iluminação do Espírito Santo. Na verdade, Deus está dentro de nós, mas tem que ser percebido e revelado através de atos testemunhais concretos no relacionamento comunitário. Isto para dizer que a fé não é privacidade egoísta, hermética e insocial. Ela expressa o sentido real da Campanha da Fraternidade.

Na Sagrada Escritura aparece a figura de Abraão como o pai e o sustentáculo da fé, mas teve que sair de sua própria comodidade, de sua terra, da cidade de Ur na Caldeia, para construir um projeto querido por Javé. Abraão sentiu-se desafiado nas suas fraquezas, na infertilidade de sua vida, porque deveria ser pai de um grande povo, mesmo na incapacidade de gerar filhos. Mas Deus sempre provê.

Sair de si mesmo significa confiar no outro, em Deus, e lançar-se nos empenhos cotidianos da vida. Assim aconteceu com Abraão, porque ele superou o medo existencial e não deixou inviabilizado o que lhe foi pedido. Muitas experiências negativas acontecem na vida das pessoas, mas são fortalecidas e se apoiam em Deus, em quem confia e com quem faz uma verdadeira aliança.

Quem consegue sair de si mesmo é capaz de torna-se modelo de vida e de desapego para outros. É um esvaziamento que faz bem e toca o coração das pessoas. Assim fazia Jesus, também muitos dos apóstolos e inúmeras pessoas de nosso tempo. Já diz o ditado popular que “as palavras conseguem sensibilizar, mas são os reais exemplos de humildade que convencem”.

O tema das políticas públicas da Campanha da Fraternidade deste ano de 2019 leva a Igreja a interpretar a realidade vigente como carente de transfiguração. E Deus se revela justamente nos locais onde a história das pessoas encontra possibilidade de vida melhor. Significa que a fé não pode ficar fechada no coração, mas ter expressão visível no coração da sociedade e no bem comum.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

Abrão parte para o Canaã – József Molnár (1850)

Compartilhe!

Perigo da acomodação

Estamos começando mais uma Quaresma. Ela é tempo propício para ajudar as pessoas na reflexão, revisão e aprimoramento em tudo que exige atitudes de responsabilidade e de construção do bem comum. Por causa disso, a Campanha da Fraternidade 2019 apresenta o tema das “Políticas Públicas”. Elas são ações de governo, mas necessitam de cobrança dos destinatários, para sair do papel.

Com o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27), a Campanha sugere, principalmente no tempo quaresmal, ações comprometidas com a defesa da dignidade humana e do direito das pessoas, provocando saída do comodismo e da acomodação. O bem existe, mas ele tem que ser conquistado. O que é de interesse de uma comunidade, a conquista deve ser feita por todos.

No tema “perigo da acomodação” está o grande sentido da vida. Aqueles que se acomodam diante de problemas do cotidiano, principalmente em atitudes de omissão, contribuem com as situações que dificultam a harmonia e o progresso da coletividade. Deixam de construir o bem e se tornam reféns da cultura do indiferentismo, do desânimo e perda do sentido do protagonismo e da esperança.

A vida humana sadia não pode ser fruto de uma construção fundamentada na superficialidade dos atos praticados pelas pessoas na vida da comunidade e nem no descompromisso com uma justiça relacionada com o bem comum. A acomodação é caminho para a ociosidade, podendo causar práticas de verdadeira desonestidade, ocasionando grandes prejuízos na condução da sociedade.

Dentro da cultura moderna e do consumismo avassalador, as pessoas são tentadas a fugir de compromissos comunitários e a viver uma vida desequilibrada. Deixam de lutar por uma sociedade que esteja centrada e fundamentada nos princípios da Palavra de Deus. Com isso, o ambiente se torna irreal e dificulta a construção de uma vida equilibrada, e favorece a prática da acomodação.

Parece que muitas pessoas desejam o indesejável, principalmente na dimensão do poder, e passam a viver numa condição desconfortável, sem força, triste, sem humor, indiferente e infeliz. Só Deus, com seu amor infinito de misericórdia e de acolhida, é capaz de tirá-las dessa triste realidade. Aqui está o verdadeiro sentido pedagógico da Quaresma, tempo de mudança de vida.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

Compartilhe!

Ações humanas

A vida é processo de construção, porque ninguém nasce pronto. É a história trabalhada com critérios de humanização, de evidência dos direitos e deveres, inerentes à pessoa humana. A capacidade para decidir define o formato de vida dos indivíduos, fonte de satisfação ou de sofrimento. Os critérios não podem ser apenas racionais, mas fundamentados também numa dimensão sobrenatural.

As ações humanas não se restringem simplesmente em palavras, discursos e motivações infundadas. Elas vêem de dentro da pessoa e têm identificação com seu próprio ser, sua identidade e se externiza na prática concreta do bem construído. Normalmente a pessoa é fruto do tipo de semente que foi plantada e regada. Até dizem que se conhece a árvore a partir do tipo de seus frutos.

O que dá verdadeiro sentido para a vida humana é a fé no Deus da vida, naquele que, em Jesus Cristo, foi capaz de morrer como uma semente e nascer para a eternidade. É o humano que,  em suas ações, consegue atingir a perfeição total e conquista a vitória da vida no meio de variados cenários de morte. Só Deus é capaz de transformar a morte das pessoas em vida feliz para sempre.

É fundamental entender o aspecto e a realidade da vida humana, de suas ações, para que o humano se torne divino. Existe um destino universal para toda a criação, que é chegar à plena realização da vida, mas não se consegue isso praticando atos de destruição e disseminação da pessoa humana. Quem maquina e provoca morte deverá enfrentar o julgamento final de Deus.

A irresponsabilidade nas ações humanas pode causar consequências desastrosas. Grande parte dos acidentes é causada por falhas humanas. Não investem o suficiente para evitar catástrofes, como o de Mariana e Brumadinho. Significa que muita coisa de destruição acontece porque as ações são caracterizadas como desumanas, sem sentido cristão do cuidado com o próximo.

Cada pessoa deve fazer uma autocrítica de seus atos. Há sempre a capacidade de mudança de vida, de agir diferentemente, canalizando as próprias ações para construir o bem, progredir sempre mais e evitar a mediocridade. Assim a pessoa se define a partir de seus atos e relacionamentos, constrói seu processo de vida e faz encontro consigo mesmo, com os outros e com Deus.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

Compartilhe!

Novo Bispo para Formosa | Mensagem de Dom Paulo Mendes Peixoto

Como Administrador Apostólico “sede plena” e depois “sede vacante” da Diocese de Formosa, GO, desde o mês de março de 2018, essa configuração agora toma novo sentido, porque neste dia 27 de fevereiro, o Papa Francisco nomeou o seu novo pastor diocesano. Agora é preparar e aguardar o dia da posse daquele que irá conduzir os destinos pastorais dessa importante Diocese do Estado de Goiás.

Em nome da Diocese de Formosa, presbíteros, religiosos e religiosas, leigos e leigas e todo o povo de Deus, acolhemos com muita alegria e expectativa aquele “que vem em nome do Senhor”. Dom Adair José Guimarães, Formosa abre seu coração para viver nova experiência de Igreja e quer empregar todos os esforços para receber a fecundidade da ação do Espírito através de seu pastoreio.

Na trajetória do tempo, falando da vida da Igreja, especialmente de uma Igreja Particular, há sempre marcas históricas importantes e indeléveis. Mas porque ela é uma entidade santa e pecadora, realizando ações positivas, como também negativas, em ambos os casos, acontece um verdadeiro aprendizado. As pessoas e as realidades deixam legados que enriquecem a vida de todos.

A Diocese de Formosa com suas 33 paróquias, com um Presbitério de mais de 40 padres, algumas Comunidades Religiosas e um povo muito acolhedor e com marcas de fé muito profundas, se enriquece ainda mais com a presença de Dom Adair. Venha com a profunda certeza de que vai ser muito bem acolhido e auxiliado nas diversas propostas pastorais hodiernas.

A presença do Bispo Diocesano é a presença de um dos Apóstolos do Senhor. Dom Adair é o novo apóstolo, escolhido com critério, com todo esforço e a iluminação do Espírito Santo para construir, nessa porção da Igreja, o Reino de Deus. Todas as comunidades devem ser solidárias com ele e ter sempre a consciência de que seu trabalho tem dimensão de eternidade.

Boas vindas Dom Adair! Todos nós o acolhemos com carinho e ansiosos por ver uma Igreja assentada na orientação dos apóstolos, uma Igreja viva e fortalecida na esperança. Tenha a proteção da nossa padroeira, a Imaculada Conceição, daquela que esteve em todos os momentos, acompanhando o itinerário de Jesus Cristo, seu Filho. Que ela proteja seu pastoreio e toda a Diocese!

Uberaba, 27 de fevereiro de 2019

Dom Paulo Mendes Peixoto
Administrador Apostólico de Formosa.

Compartilhe!

O desafio da decisão

É muito preocupante o indiferentismo presente nas novas gerações, capaz de desestimular a ação de quem ainda tem força para agir. O mundo não pode parar no passado e nem perder os estímulos de hoje, mas corre o perigo do não comprometimento com as conquistas de um futuro cheio de esperança. As influências desmotivadoras perpassam pelos relacionamentos hodiernos.

Existe uma forte onda de ação de muitas pessoas, que tem como meta a conquista de algo, mas realizado por caminhos de estranheza. Conforme os princípios morais, a conquista do bem não pode passar por uma trajetória de destruição. Em outras palavras, a justiça deve ser fruto de práticas fundamentadas na justiça, e não o contrário. A vida não pode ser conquistada com ações de morte.

Em vez do mal, toda decisão deve ser pautada pela realização do que ajuda no bem comum. O poder está nas mãos das autoridades, e as decisões não podem ser fragilizadas em troca de dinheiro. Não se vende a consciência para votar em projetos que favorecem o bolso de uma minoria privilegiada. Aí está a causa principal do sofrimento das pessoas atingidas por barragens.

Estamos em tempo de contradições, com focos em questões de pouca importância, e isso vem causando, aqui e ali, práticas de desumanização. O essencial, aquilo que é o valor e a dignidade da pessoa humana, não é encarado como deveria ser. Acontecem as distorções, desfigurando a identidade original de cada ser humano. As preocupações do mundo têm neutralizado a ação de Deus.

O cristão é constantemente desafiado pela Palavra de Deus. Diante do desafio de sua real opção, em meio às dificuldades e diversidade da nova cultura, seu sim vem sempre carregado de responsabilidade. Um sim que deve ser fruto do seguimento de Jesus Cristo, que exige coerência e excelência na prática do bem. Só assim conseguimos entender uma sociedade humanizada.

Toda decisão exige discernimento, misericórdia, abertura para relações fraternas e uma ética de bom relacionamento. Jesus fala de tratar as pessoas como gostaríamos que elas nos tratassem (Cf. Lc 6,31). É uma prática de reviravolta na comunidade dos cristãos, capaz de mudar as atitudes de violência e vingança, motivando as pessoas para uma prática da convivência.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

Compartilhe!