Decisão difícil

Não é fácil agir segundo a vontade de Deus, porque a vida é cheia de mistérios. Quando eles não existem, as pessoas mesmas conseguem criá-los. Isso acontece também no mundo da política, conseguindo inclusive ludibriar a capacidade de agir dos eleitores com total liberdade. Como escolher quando o confronto de bipolaridade se apresenta cheia de questionamentos e insegurança para as pessoas.

O desafio é enorme e muito provocativo, porque está em jogo o futuro de uma Nação. O Brasil já conquistou uma real e sólida porcentagem de prática democrática, mesmo tendo que conviver com cenários que revelam sintoma de ditadura. Parece que a sociedade defronta com uma realidade preocupante, talvez até de mudança cultural, fruto de uma história construída em bases inseguras.

As urnas estão aí novamente. Elas são instrumento de democracia, quando a capacidade e a liberdade do eleitor precisam superar os radicalismos incompatíveis com a realidade da cultura moderna. É momento de fé, de confiança e de esperança depositado na pessoa de quem vai vencer no pleito. Dar o voto com critério bem formado, colocando na intenção, não a vida do eleito, mas do povo.

As pessoas não podem ficar como cegas na beira do caminho, sem rumo e direção. Diante dos problemas, não preferir a cegueira, a escuridão, mesmo não conseguindo visualizar bem as dificuldades encontradas pela estrada. A trajetória tem que estar fundamentada em critérios de estabilidade. Isso significa defender os valores que contam na preservação de uma sociedade viável.

Um cego citado no Evangelho queria de Jesus uma única coisa: “Mestre, que eu veja!” (Mc 10,51). É hora de abrir os olhos da fé para enxergar o que está ao redor da nova cultura, principalmente no mundo da busca desenfreada de poder. Por causa disso, o Brasil está sobrecarregado de notícias falsas, de mentiras pelas redes sociais, dificultando uma eleição com critério de liberdade.

As grandes decisões da sociedade devem ser mediadas pela confiança divina, porque Deus sempre as precede. A hora é de uma intervenção do alto como socorro de um povo ludibriado por decisões incompatíveis com a vontade do Criador. Começa com o voto, mas prossegue no período da gestão governamental, na ação concreta das autoridades para construir um mundo de paz e de vida.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

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