Dia Mundial dos Pobres

No artigo desta semana, o arcebispo destaca que “o olhar cristão de compaixão pelos pobres constitui um verdadeiro culto de adoração a Deus”.

Ouça o artigo de Dom Paulo:

 

Existe uma realidade mundial preocupante, a riqueza de um lado e a pobreza crescente do outro. Não significa que a riqueza seja preocupante, mas sim a incapacidade de partilha de quem acumula de forma desnecessária, não conseguindo enxergar a necessidade do pobre. Sabemos que a pobreza é fruto do acúmulo de bens no bolso da minoria privilegiada e despreocupada com o bem comum.

Diante dessa realidade, o Papa Francisco teve a iniciativa de criar o Dia Mundial dos Pobres, porque isto faz parte essencial dos ensinamentos de Jesus através dos Evangelhos. A desigualdade social e econômica pode estar dentro do prisma da justiça e da paz. A voz do Papa é a voz da Igreja, preocupada com a vida e a dignidade de todas as pessoas, ricos e pobres, imagens e semelhanças de Deus.

A Igreja tem uma opção preferencial pelos pobres, não de assistencialismo caritativo, mas num processo de libertação integral, porque é direito de todos viverem bem. É uma questão de justiça, de superação de todos os tipos de discriminação e de desvalorização da pessoa humana. O olhar cristão de compaixão pelos pobres constitui um verdadeiro culto de adoração a Deus.

O pobre experimenta uma esperança perdida, mas fica sempre na expectativa de seu restabelecimento. A desigualdade vem ocasionando um considerável grupo de indigentes, de sofrimento e desestímulo de viver. Essa zona limite da vida humana faz com que a pessoa fique desprotegida e sem onde se apegar, a não ser lançar mão na fé e pedir a proteção divina. A violência não leva a nada.

Encontramos na bíblia o seguinte versículo: “Ouvimos dizer que entre vós há alguns que vivem à toa, muito ocupados em não fazer nada” (2 Ts 3,11). A pobreza é fruto da falta de trabalho, que é fonte de sustentação. É uma experiência dolorosa para quem vive motivado para trabalhar e tem necessidade de sustentar a família. É humilhante viver como parasita, dependendo de auxílio alheio.

A Celebração do Dia Mundial dos Pobres precisa sugerir iniciativas de solidariedade dentro da vida comunitária, com um olhar voltado para as pessoas carentes locais; refletir sobre as realidades de trabalho, emprego e questões sociais relativas às desigualdades; trabalhar, em sintonia com a Campanha da Fraternidade, as políticas públicas para que sejam amenizados os sofrimentos de tanta gente.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

Papa Francisco no almoço com os pobres na sala Paul VI, em 2018 (@L’Osservatore Romano)

 

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