Cenário dos Ramos

A Semana Santa começa com o Domingo de Ramos, o dia da entrada triunfal de Jesus Cristo peregrino na cidade de Jerusalém, acolhido festivamente pelo povo simples e contestado ferrenhamente pelas autoridades preocupadas com o nível de sua popularidade. A cena foi comovente e a multidão deu significado ao momento com ramos nas mãos e tapetes forrando as vias por onde Jesus passava.

A Celebração do Domingo de Ramos tornou-se uma tradição na vida da Igreja e tem sua origem nos inícios do cristianismo. Com ela começa a sequência de fatos drásticos na vida de Jesus, que hoje chamamos de cenas da Paixão do Senhor. A culminância de tudo não é propriamente a morte na cruz, mas a realidade da Ressurreição, entendida como a vida que vence a morte e a volta de Cristo ao Pai.

A história construiu o cenário da Semana Santa e deu ampla visibilidade ao angustiante itinerário de paixão, envolvendo a pessoa de Jesus Cristo. Mas os cristãos também são colocados nas diversas e dolorosas cenas, quando participam e se comovem com a sequência dos fatos de sofrimento do Mestre Jesus. São cenas que provocam a sensibilidade humana e convidam para atitudes de compaixão.

Jesus foi longamente ovacionado, aplaudido por uma grande alucinada multidão, esperançosa, porque enxergava nele alguém com poderes que outras autoridades de seu tempo não tinham. A conduta de Jesus, diante desses fatos, não foi de orgulho próprio e nem de demonstrar poder, que na verdade tinha, pelo fato de ser Deus, mas revelou uma prática totalmente de humildade e doação de sua vida.

Na verdade, quem se humilha, acaba sendo exaltado. Foi justamente o que aconteceu com Jesus ao enfrentar os sofrimentos da paixão, porque conquistou a vida com a morte e possibilitou um caminho de libertação para quem procura segui-lo. Nestas condições, entendemos a frase bíblica, que diz assim: “Quem se humilha será exaltado, e quem se exalta, será humilhado” (cf. Lc 14,11).

Não é suficiente comover-se nas cenas da Semana Santa. A fé tem dimensão de vida espiritual e social. A morte de Cristo na cruz foi para salvar a pessoa total, corpo e alma. É por isto que realizamos a Coleta da Campanha da Fraternidade no Domingo de Ramos, transformando nossa fé em ação concreta, neste ano olhando para projetos relacionados com a fome de tantos irmãos nossos no país.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba

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