CONSELHO ARQUIDIOCESANO DE LEIGOS E LEIGAS E O GRITO DOS EXCLUÍDOS

    O Conselho Arquidiocesano de Leigos e Leigas, em parceria com outras lideranças da Igreja e da sociedade civil, bem como entidades, associações e sindicatos, está na organização da 28ª edição do Grito dos(as) Excluídos(as). Trata-se de um evento que teve sua origem no contexto da Segunda Semana Social Brasileira, em 1994. O tema, naquela época, era “Brasil, alternativas e protagonistas”, inspirado na Campanha da Fraternidade de 1995, com o lema: “A fraternidade e os excluídos”.

   Hoje, o evento acontece no contexto da 6ª. Semana Social Brasileira. O tema escolhido para este ano de 2022 é “Brasil: 200 anos de (in)dependência. Para quem?”. Será um momento profético de denúncia das injustiças cometidas por pessoas e empresas que dominam a economia do país, bem como políticas que não favorecem o bem comum e as necessidades básicas dos cidadãos.

  Várias iniciativas estão sendo tomadas para acontecer em todo o país. Na cidade de Uberaba, haverá uma manifestação na tarde do dia 6 de setembro, com concentração prevista na Praça Rui Barbosa, centro da cidade, a partir das 16h. Haverá apresentações artísticas, manifestações de entidades, leitura da Carta em defesa do Estado Democrático de Direito, dentre outras atividades. A seguir, será feito um pequeno deslocamento até as escadarias da Catedral, onde haverá a palavra e a bênção do Arcebispo.

   Eduardo Brasileiro, educador e sociólogo, mestrando em Sociologia pela PUC Minas, em artigo intitulado “Os 200 anos da (in)dependência e os desafios sociopastorais à luz das propostas da 6ª Semana Social Brasileira”, com muita lucidez e visão crítica, aborda a atual conjuntura brasileira, analisa algumas prospectivas, apresenta a pedagogia do Papa Francisco, chama a fazer mutirão por outra economia, democracia e soberania, e trata do método da 6ª Semana Social Brasileira: mutirão pela vida.

   “Pensar os impactos da Independência de 1822 na vida dos brasileiros e brasileiras de hoje, 200 anos depois, é grande desafio. Dizer que não houve independência seria coligar-se a um negacionismo de coturno que se vê atualmente no Brasil, mas não problematizá-la seria um erro crasso: independência para quem?”. É assim que o autor inicia sua análise de conjuntura, numa espécie de balanço desses 200 anos.

   Eduardo critica a raiz da independência, suas intenções e consequências: “Nossa independência foi uma revolução conservadora, pois o Brasil mudava para continuar igual. Tratou-se de uma movimentação do príncipe e de setores da classe dominante para conservar uma grande nação unida, com coesão econômica – recusando o retorno do Brasil a colônia servil de Portugal -, a fim de manter a escravidão e o latifúndio de pé”.

   Reconhecendo a dificuldade em assumir esta ideia, “o Brasil nunca teve uma cultura societária que configurasse sua identidade como pátria – afinal, na condição de país de geografia continental, teve sempre profundas dificuldades de se reconhecer, de ver suas belezas e contradições”. Esta é uma tarefa para as atuais gerações.

  Reconhece o autor que “o Brasil, para além desses aspectos, detém uma herança do reconhecimento popular de suas profundas desigualdades, cindindo seus cidadãos entre privilégio e miséria”. Somos herdeiros de riquezas e pobrezas, belezas e feiúras, encantos e horrores. Os brasileiros se movem numa esquizofrenia social entre dominação e opressão, “Casagrande e senzala”.

  Eduardo Brasileiro busca inspiração no Papa Francisco com sua pedagogia que “é apontar para a escuta, para a abertura ao outro e para a complexidade, diante de suas escolhas, renúncias e dores”. Isso deve provocar uma conversão da ação popular no Brasil, levando a uma pedagogia do encontro e a práticas cada vez mais colaborativas de organização popular.

  Por fim, diz o autor: “O que está em risco é a vida de milhões de pessoas. Por conseguinte, é urgente mobilizar e articular as forças sociais, conjugando-as para uma evangelização da sensibilidade, a qual Francisco nos propõe com a beleza, o chamado, o sentido e a força de um projeto popular resumido no tema: ‘O Brasil que queremos: o bem viver dos povos’”.

   (Para acessar a íntegra do artigo, visite o site <www.ssb.org.br>. Para obter mais informações sobre o Grito dos(as) Excluídos(as), acesse: <https://www.gritodosexcluidos.com>).

Comissão de Animação

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© Copyright Arquidiocese de Uberaba. Feito com por
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