Dia Nacional da Bíblia

A vida humana deve ser referendada pela Palavra de Deus. Na Igreja Católica Apostólica Roma, no Brasil, setembro é chamado de “Mês da Bíblia”, oportunidade para motivar os cristãos ao valor e ao hábito frequente da leitura bíblica. Com isto, todos podem ter um olhar esperançoso para as riquezas que a Palavra provoca na vida do ser humano e na condução diuturna de suas atividades como pessoa.

A falta de sintonia amorosa com as riquezas que veem da Palavra divina facilita o desequilíbrio emocional. Quando é acolhida com profunda generosidade, é capaz de proporcionar a esperança, principalmente naqueles momentos mais difíceis da vida. Ela provoca nas pessoas os relacionamentos de justiça, de piedade, de fé, de caridade, de constância e de mansidão (I Tm 6,11).

Não podemos ter os corações fechados para as ternuras de Deus. O convite é para a partilha de dons, de bens materiais e gestos de fraternidade. Diante das grandes diferenças sociais e econômicas, as motivações da Palavra são de luta pela transformação que envolva as melhorias nas condições de vida das pessoas mais fragilizadas. A falta desta prática é afronta aos ensinamentos da bíblia.

A cultura moderna da prosperidade pode ser sintoma de leviandade. Os profetas advertem determinantemente contra esses atos, porque são vistos como política suspeita, com objetivos mal-intencionados diante dos desatentos sociais. É aquilo que sentimos na leitura crítica e pertinente do profeta Amós ao referir-se a esse tipo conduta da sociedade de seu tempo (Am 6,1).

É interessante seguir os ensinamentos de Jesus sobre a forma de lidar com os bens materiais. Ele fala da parábola do pobre Lázaro e do rico totalmente insensível ao sofrimento de quem está abandonado, mostrando o contraste existente entre duas realidades muito extremas. São as discrepâncias sociais daquele tempo, mas que continuam da mesma forma e gritantes nos dias de hoje.

No final da história, contada pela bíblia, podemos dizer que a distância, em vida, entre os dois se torna permanente no além. Os destinos eternos são definidos no cotidiano da história. Na terra, o pobre clama pelo rico, pedindo comida; na eternidade, o rico vai ao encontro de Lázaro pedindo brandura pelos seus sofrimentos, mas fica decepcionado, porque não tem mais o que fazer.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba

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© Copyright Arquidiocese de Uberaba. Feito com por
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