Em Pompeia ou na mesa de Bilhar

A devoção mariana popular de Frei Gabriel de Frazzanò

Carlos leitores, paz e bem.

Já percorremos um longo caminho conhecendo a vida e as obras do Servo de Deus Frei Gabriel de Frazzanò. Desde sua infância em Frazzanò, na Sicília, até suas atividades sociais em Frutal, percebemos o quanto a vida desse homem foi se configurando à espiritualidade franciscano-capuchinha. Nesse itinerário, conhecemos alguns traços marcantes do seu apostolado nas cidades de Carmo do Paranaíba, Uberaba e Frutal. Dessa vez, abrindo um parêntesis nessa narrativa quase que cronológica, queremos compartilhar alguns episódios ocorridos com o Servo de Deus que mostram um pouco de seu jeito de ser e de viver a espiritualidade. Tudo em Frei Gabriel é expressão de serviço, dedicação e compromisso.

Já nos foram relatadas as ajudas de Frei Gabriel na edificação da nova Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo e na Igreja de Nossa Senhora Aparecida, ambas em Frutal. Também nos foi partilhado sobre seu amor e devoção para com a Virgem Maria.

Desta vez, nosso itinerário nos leva para Belo Horizonte, a capital do Estado de Minas Gerais.

Os Frades Capuchinhos chegaram em Belo Horizonte em 1939, três anos após o início da Missão no Estado, com o intuito de estabelecer uma fraternidade que fosse central e que dinamizasse as atividades, sendo, inclusive, um Centro Administrativo da então Custódia dos Capuchinhos. A primeira residência dos frades em Belo Horizonte resultou de uma adaptação feita em um galinheiro e os frades receberam do Arcebispo de Belo Horizonte a recém-criada Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Santa Efigênia, com sede na Capela de Nossa Senhora da Abadia.

Ao longo do tempo, as coisas foram se desenvolvendo e a Paróquia, renomeada por Frei Odorico de Resuttano como Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, foi crescendo. Nessa sede da presença dos Capuchinhos, Frei Gabriel morou por um breve espaço de tempo, mesmo que em nossos arquivos não consigamos precisar as datas, durante a edificação da nova Igreja da Pompeia e do Convento anexo. Ali estava novamente o “Irmão de todos” envolvido nas edificações e no serviço braçal.

O Servo de Deus já havia rezado a Nossa Senhora do Rosário de Pompeia para que ela o ajudasse a discernir sua vocação missionária antes de se dispor a vir para o Brasil. Agora, anos depois, estava ele colaborando na construção de uma nova igreja em honra da Virgem de Pompeia e na edificação da sede da missão. Contudo, por ser Irmão Leigo, seu nome não consta nas relações dos frades no Livro de Tombo da Paróquia. Sua colaboração permaneceu discreta, mas ativa nas obras em Pompeia de Belo Horizonte. Pouco tempo depois, era transferido novamente para outra Fraternidade, deixando a capital e voltando para o interior. Frei Gabriel retornaria a Pompeia, acompanhando os corpos e participando do velório e enterro dos frades que faleceram num acidente em Araxá, em 1966.

De volta ao interior de Minas Gerais, encontramos Frei Gabriel desempenhando suas atividades apostólicas e sociais com o mesmo ânimo e força física, com suas andanças e campanhas, apesar das doenças e da perna inchada. Com seu físico corpulento, suando muito pelo trabalho e calor, limpava de vez em quando a testa com o tradicional e colorido lenço siciliano, colocando-se sempre disposto a ajudar.

Certa vez, em Planura, município cerca de 30 quilômetros de Frutal, onde exerceu suas atividades religiosas e assistenciais, ocorreu uma festividade religiosa. Era a hora da procissão, pela tardinha muito quente. O religioso foi à capela na praça principal, viu-a vazia, e então começou a tocar o sino, convocando o povo à prece e à procissão.

Depois de certo tempo, notando que não dava resultado, foi interpelar as pessoas no jardim e ali por perto. Convidava a todos. Havia, entretanto, um bar onde diversos rapazes jogavam bilhar e conversavam. Frei Gabriel chegou, convidou a todos para irem à igreja. Não deu resultado.

Pois bem, ele retornou à igrejinha, trouxe de lá a Santa da festa (era uma imagem de Nossa Senhora Aparecida) e algumas velas. Entrando no bar, sem nada dizer, colocou a sagrada imagem na mesa de jogo. E acrescentou:

– “Agora quero ver vocês jogarem mais!”

E decididamente retirava o taco de jogo de cada jovem e dava uma vela para que segurasse e fosse à procissão.

Tal iniciativa, feita assim no estilo simpático e bondoso do Frei Gabriel, acabou por bloquear emocionalmente qualquer reação. E os jovens dirigiram-se à capela da praça e acompanharam o serviço religioso. Depois, diziam uns aos outros:

– “Viu como eu segurei a vela durante toda a procissão?”

– “Eu rezei durante a procissão!”

Durante a semana, foi o assunto mais notado nas rodas da cidade e especialmente no bar. A turma costumeira contava, rememorava o acontecimento e ria, edificada pelo expediente inusitado do irmão. De qualquer maneira, deu resultado, pois os jovens e o povo em geral notaram o espírito de fé e o gesto de bondade que os convocaram à religião. O apelo do frade teve seu caráter jocoso e estranho, mas deixou boa impressão em todos.

Caros leitores, por hora paramos aqui com a narrativa da vida e dos feitos do Frei Gabriel, mas não poderíamos deixar de comunicar que no dia 17 de abril, Domingo de Páscoa, foi instituído o Ano do Jubileu de Ouro da Páscoa do Servo de Deus Frei Gabriel de Frazzanò. As comemorações e atividades deste ano jubilar se estenderão até o dia 17 de abril de 2023, quando recordamos os 50 anos da morte do “Irmão de todos”. Acompanhe as atividades pelas redes sociais dos Capuchinhos de Minas Gerais (@capuchinhosmg) e pelo perfil do Instituto Social Frei Gabriel (@institutofreigabriel). Unam-se conosco e com a Paróquia Nossa Senhora do Carmo de Frutal. Rezemos juntos para que, se for da vontade de Deus, o Servo de Deus Frei Gabriel de Frazzanò seja incluído no número dos santos.

Fraternalmente, que Deus abençoe a todos!

Paz e Bem.

Fr. Vicente da S. Pereira, OFMCap
Fr. Glaicon G. Rosa, OFMCap

 

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© Copyright Arquidiocese de Uberaba. Feito com por
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