Dom Aloísio Roque Oppermann

O nome de família Oppermann anuncia que algum ilustre antepassado familiar foi “mestre de obras”, capacitado a planejar e orientar realizações. Natural de São Vendelino/RS, cidade pequena e agradável na encosta da serra que teve origem de uma  colonização alemã iniciada no Brasil em 1855 por imigrantes católicos vindos de Sankt Wendel, nasceu em 19 de junho de 1936. Seu nome é Aloísio, mas prefere ser chamado de Dom Roque porque é uma lembrança batismal e uma conotação sacerdotal a São Roque Gonzales. Segundo a tradição católica a criança batizada sempre adota um nome de um santo católico, e São Roque Gonzales foi um sacerdote jesuíta martirizado por sua vida bem de acordo com o Evangelho em 1628 no Rio Grande do Sul, canonizado em 18 de maio de 1988.

Dom Roque fez estudos de Filosofia no convento da Congregação do Sagrado Coração de Jesus em Brusque/SC, e cursou Teologia em Taubaté/SP. Sua ordenação sacerdotal ocorreu em 29 de junho de 1961. Na Congregação SCJ especializou-se em Orientação Educacional, Biologia e em Pastorais da Igreja. Exerceu importantes cargos como Educador do Instituto dos Meninos no Orfanato São Judas de São Paulo/SP. Na CNBB pertenceu ao Conselho Permanente da CNBB e por 5 períodos foi coordenador de Liturgia, tendo por 12 anos coordenado a Pastoral Litúrgica em Minas Gerais e Espírito Santo. Também foi pároco em Curitiba/PR e Varginha/MG.

Em 02 de fevereiro de 1983 Dom Roque foi nomeado o primeiro bispo de Ituiutaba; na ordenação episcopal escolheu como lema pastoral para seu brasão “CRISTO É O SENHOR”. Em 1988 foi transferido para a Diocese de Campanha/MG, e em 1996 e veio ser o terceiro arcebispo de Uberaba (1996 a 2012).

Dom Roque fez várias pequenas publicações de cunho pastoral: “Respingos de Vida”, “O Enviado”, “Uma Proposta Desafiadora”, “Para que o Sol Resplandeça”, “Colóquios e Encontros” e “Flashes da Vida de um Bispo”, este último com capítulo inspirado nas Confissões de Santo Agostinho: “… teofanias, às quais vou me referir, estiveram presentes nos meus 25 anos de episcopado […] há minutos de glória, dias da mais sã alegria, […] Mas há também dias tenebrosos, momentos de vendavais implacáveis, e de insegurança total. Verdadeiros dias de chumbo […] como Jesus dizia: “hora do poder das trevas ( Lc 22, 53). Mas sempre, o coração de Cristo, inesperadamente, faz surgir uma resposta completa para uma dificuldade […] Nunca tive a ousadia de provocar o Eterno. [...] só tenho a coragem de pedir […] E assim, rezo a Liturgia das Horas, com extremas dificuldades de atenção […] Mas de repente […] É como se o Espírito dissesse: “essa frase  é só para você […] é como levar um coco na moleira […] A revelação divina […] a COMPREENSÃO da Escritura produz um sinal […] paz, a força, o restabelecimento de todos os grandes sonhos, a esperança”.

Dom Roque colaborou em jornais de Uberaba e Belo Horizonte, e providenciou registros quase diários de seu episcopado no livro do Tombo. E foi com a paz, os sonhos e a esperança mostrada acima que ele conseguiu fazer brotar na Arquidiocese várias atividades de ótimo fruto pastoral para o Reino de Deus ainda sempre em construção, como mostram alguns exemplos abaixo:

2006: Formatura dos alunos da ESTELAU – Escola da fé e política, 130 alunos; A Rádio Metropolitana entrou na internet; fundação da Escola Diaconal; Caderno Popular, passa a ter duas edições anuais; instiuição da Pastoral  Hospitalar.

2007: Início dos preparativos para as comemorações do primeiro centenário da Diocese de Uberaba; estudo histórico da proclamação eclesiástica de Nossa Senhora da Abadia como padroeira de Uberaba; Encontro de Adolescentes cristãos em Araxá; elaboração do Estatuto da Toca de Assis, fraternidade fundada por Pe. Roberto Letieri; instalação da Rádio Metropolitana em dependência da Curia.

De seu livro “Respingos e Encontros” destaque, de suas lembranças do povo das Dioceses onde atuou, e suas poéticas impressões sobre as frequentes viagens de carro, algumas feitas em apressada velocidade:

“A Uberaba, estimada, Tenho amor, predileção.
Mas Campanha e Ituiutaba,  Não me saem do coração”.  (trova n. 8)
“Sou viageiro deste mundo, Quase sempre por dever
Toda vez que “pisar fundo, Deus proteja  meu correr”. (trova n. 15)

Carlos Pedroso – Historiador.

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