Paroquiato de Pe. Jacinto Fagundes

Dando prosseguimento à nossa pretensão de caminhar pela história conduzidos pelas biografias dos sacerdotes que em algum momento de suas vidas tiveram a dignidade de serem párocos da Catedral Metropolitana, ou Curas da Sé, como então eram referidos, propomos uma discussão preliminar que aponte as possibilidades de crescimento cultural que este estudo histórico em particular propicia aos nossos caros leitores. A matéria-prima da história, por excelência, são as relações humanas estabelecidas ao longo do tempo ou como afirma o padre e historiador francês Michel DeCerteau, “sobre o corte entre um passado, que é seu objeto, e um presente, que é o lugar de sua prática, a história não para de encontrar o presente no seu objeto, e o passado, nas suas práticas”. Partindo então do pressuposto de que a Igreja Católica está condicionada a Cristo cujos exemplos e ensinamentos estão repletos do sentido de coletividade – em detrimento de qualquer espírito individualista – como quando ele afirma que onde estiverem reunidos dois ou três em Seu nome, aí Ele se fará presente (Mt 18, 20) ressaltando a necessidade apostólica de comunhão e união entre os homens, entendemos também que a história da Igreja e daqueles que a integram é também, de certo modo, parte da história de todas as cidades, países e continentes em que ela se faz presente. Assim sendo, quando da saída de Pe. Alaor Porfírio para Uberlândia em 1934, a autoridade diocesana decidiu que o então Secretário do Bispado, Mons. Joaquim Thiago dos Santos, nascido em 06/08/1881 e ordenado em 19/09/1909, iria assumir interinamente a Catedral até que um nome apropriado fosse encontrado, o que somente aconteceria um ano depois, em 1935. A escolha por Mons. Joaquim não era de se surpreender, visto que o experiente sacerdote que contava com seus 53 anos, já ocupava diversas funções administrativas no episcopado de D. Luiz Maria de Sant’Ana, como Diretor e Redator-Chefe do jornal diocesano, o Correio Católico, como Diretor Espiritual e Ecônomo do Seminário Menor e finalmente como Chantre do Cabido Diocesano (assessor para questões pertinentes à música sacra e litúrgica). Após servir um ano interinamente na Catedral, Mons. Joaquim haveria de ter seu bom trabalho reconhecido com sua nomeação simultânea como Vigário-Geral e Juiz Oficial do Tribunal Ordinário. O próximo titular da Catedral haveria de assumir ainda em 1935 após ser transferido da Paróquia de São Pedro Alcântara em Ibiá (MG). O Pe. Jacinto Fagundes nasceu em 12 de setembro de 1904 e foi ordenado aos 27 anos em 06/12/1931 sendo portanto um dos mais jovens párocos da Catedral, com apenas 31 anos. Sua juventude não impediu que o bispo lhe confiasse o governo da Catedral e o nomeasse também para ser o mestre de cerimônias diocesano, diretor da Federação Mariana em Uberaba e Promotor de Justiça do Tribunal Eclesiástico. Como fatos notáveis que ocorreram enquanto Pe. Jacinto foi o pároco da Catedral, destacamos a trágica situação da saúde pública em Uberaba que vivia verdadeira situação de caos com surtos generalizados de tuberculose, tifo e febre amarela. Como tentativa de conter essa questão, o governo diocesano em parceria com a sociedade civil, inaugurou em 1935 a Santa Casa de Misericórdia, contribuindo decisivamente para a contenção do adoecimento da população. Foi igualmente notável a missa campal realizada em 22 de fevereiro de 1936 na Praça Rui Barbosa marcando a participação da Igreja na comemoração do centenário de Uberaba. Em abril de 1938, dá-se a notícia da transferência do bispo D. Luís Sant’Ana para Botucatu (SP) e a chegada em dezembro de 1939 de D. Alexandre Gonçalves do Amaral, o que naturalmente implicava numa reestruturação da administração diocesana e na transferência de sacerdotes das paróquias em que se encontravam. Quando Pe. Jacinto é transferido da Catedral, em 1941, deixa um legado de aproximadamente 5.500 batizados e 1.000 casamentos. Apontamos também que foi durante este período que o presidente Getúlio Vargas suspende as liberdades democráticas e instaura a Ditadura do Estado Novo (1937-1945) e que em 1939 eclodiria a II Guerra Mundial na Europa com a invasão da Polônia pela Alemanha, trazendo muitos imigrantes dos países envolvidos para o Brasil e consequentemente para Uberaba.

Vitor Lacerda – Historiador.

Compartilhe!
0 respostas

Deixe um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *