Fake news e sua influência nas relações sociais

Provavelmente você já deve ter ouvido falar em Fake News, seja nas várias redes sociais, seja nos demais meios de comunicação tradicionais, como o rádio e a televisão. Entretanto, você já parou para pensar no impacto causado pela disseminação das fake news na sociedade?

Este questionamento, possivelmente, já foi feito por algumas pessoas. Contudo, acredito que boa parcela de nossa sociedade ainda não teve oportunidade de refletir sobre o problema que cada vez mais atinge diversas situações de nosso convívio social.

Fake Newssão notícias que têm de certa maneira um fundamento verídico. Todavia, não passam de notícias fantasiosas que para algumas pessoas preenchem um desejo, isto é, dizem exatamente aquilo que a pessoa gostaria de ouvir.

Em nosso convívio social, muitas vezes, ao recebermos uma grande notícia, ou ainda, uma informação que causa grande surpresa para nós, a primeira ação é partilhá-la com alguém. Nesse movimento, logo várias pessoas partilham da mesma notícia ou informação.

Se continuarmos refletindo com essa lógica e levando-a para o âmbito das redes sociais, em especial, o Facebook e o Whatsapp,as mais populares entre nós, brasileiros, percebemos que o compartilhamento de notícias e informações chegam simultaneamente a milhares de pessoas. E é a partir daí que as fake news podem atingir um resultado que não podemos calcular e, ao mesmo tempo, o trabalho para consertar ou até mesmo desmentir é muito maior. Na maioria das vezes, não consegue atingir a mesma força da primeira versão.

Nessa realidade, as notícias ou as informações equivocadas e até mesmo falsas são espalhadas na internet e acabam sendo a única versão apresentada sobre o assunto.

Por isso, é essencial que se verifique a veracidade do conteúdo, bem como se a fonte é segura. Esse cuidado deve sempre anteceder o compartilhamento de qualquer notícia ou informação.

O MAU USO DAS TECNOLOGIAS

O avanço tecnológico tem cada vez mais proporcionado soluções imediatas para diversos problemas em vários âmbitos, sejam eles na medicina, na engenharia ou até mesmo no nosso cotidiano. Entretanto, esse avanço, infelizmente, nos trouxe algumas situações provocadas pelo mau uso dessas tecnologias, isto é, causam diversos transtornos às pessoas.

O acesso a um smartphone, computador e internet tem aumentado anualmente, e isso significa que a nossa sociedade cada vez mais tem acesso fácil e rápido a informações ou notícias. É enriquecedor perceber esse crescimento, ainda mais em uma situação política e econômica cada dia mais decadente em nosso país.

Contudo, nossa sociedade de modo geral se tem tornado refém de criminosos, que utilizam essas tecnologias e a internet pra causar transtornos a figuras públicas ou até mesmo a um cidadão que não esteja em uma posição de destaque.

Recentemente, o jornal Folha de São Paulo, na edição do dia 10 de março, apresentou uma matéria do jornal americano New York Timesque apresenta o novo crime cibernético, o deepfakes. O deepfakes é um vídeo que transforma qualquer rosto em outro rosto, de acordo com a vontade daquele que está utilizando o programa. Nessa matéria, a vítima foi a ex-Primeira Dama dos Estados Unidos Michele Obama, que aparece em um vídeo em situação embaraçosa.

Com isso percebe-se que cada vez mais somos surpreendidos por situações perigosas e desafiadoras. Cada vez mais somos expostos e mal percebemos esse perigo que nos rodeia. Portanto, é necessário estarmos atentos aos programas que utilizamos, instalamos em nossos computadores ou smartphones e até mesmo os sitesque acessamos.

OS RISCOS DAS REDES SOCIAIS

Na atualidade, é raro encontrarmos alguém que não possua um perfil no Facebookou no Whatsappe ficamos visivelmente surpresos quando nos deparamos com uma situação dessas.  As redes sociais facilitaram a comunicação, bem como aproximaram pessoas. Entretanto, cada dia mais percebemos que essas redes se tornaram armas para pessoas que almejam poder, seja ele político ou econômico. Essas redes são proibidas em locais com algum tipo de governo ditatorial, para que as pessoas não tenham acesso a notícias ou informações que podem levar a sociedade a questionar a forma de governo.

Nas redes sociais, somos protegidos por uma tela, seja ela de computador ou de umsmartphone. Em alguns momentos, expomos nossa visão sobre política, futebol e outros assuntos do nosso cotidiano. Na rede social, podemos expor nossa opinião, exercer nossa cidadania, viver a democracia. Na rede social exponho o que eu penso, dou likeno que gosto e ignoro o que me causa mal-estar.

Quantas vezes compartilhamos uma notícia a partir de um amigo, sem ao menos lê-la. Ou apenas lemos o título? Quantas vezes, compartilhamos notícias visivelmente tendenciosas, apenas por simpatizar com tal assunto? Ou ainda, quantas vezes fazemos um teste no Facebook que, evidentemente, é engraçado e a partir daí tantos outros amigos também o fazem?

Com essa lógica, caminhamos para problemas que infelizmente são ignorados pela mídia e também pelos nossos governantes. Recentemente, o assassinato da vereadora da cidade do Rio de Janeiro chamou a atenção de muitos brasileiros. Contudo, ao mesmo tempo muitas informações falsas foram vinculadas a Marielle Franco e, algumas delas, até mesmo disponibilizadas por uma magistrada, o que de certa maneira garante a credibilidade da informação. Todavia, qual é o nosso compromisso como cristãos católicos? Em primeiro lugar, evidentemente é não compartilhar informações ou notícias antes de ler e verificar a fonte e fazer uma breve pesquisa sobre o assunto.

Atitudes como essas não apenas colaboram para a diminuição do impacto das fake news, mas também protegem as pessoas e seus familiares que são vítimas dessas informações.

Atualmente o Facebook é alvo de investigações na corte americana. A rede social é acusada de fornecer dados a uma empresa contratada pelo atual presidente Donald Trump, durante a campanha eleitoral de 2016. O fato é que o Facebook, de acordo com o seu fundador e CEO, Mark Zuckerberg, não sabia que os dados de milhares de usuários estavam sendo disponibilizados por meio de um teste criado na rede e feito por várias pessoas.

A partir desse fato, o resultado da eleição foi influenciado.A questão não é discutir se isto foi positivo ou negativo, mas uma eleição para presidente envolve questões que realmente afetam toda a organização de um país. Ainda mais os Estados Unidos da América, que têm uma importante posição no cenário mundial. No início de abril, Mark Zuckerberg foi ouvido pelo senado americano e pediu publicamente desculpas à sociedade norte-americana.

Entretanto, percebe-se que o Facebooktem perdido cada vez mais sua credibilidade no cenário mundial, o que provavelmente trará desdobramentos nos aspectos políticos e econômicos de muitos países.

AS FAKE NEWS E AS ELEIÇÕES DE 2018 NO BRASIL

Para o Brasil, este ano é marcado principalmente pelas eleições de outubro, pois escolheremos um novo presidente, que será visto como o “salvador da pátria”. Com diversos políticos almejando suas candidaturas, bem como suas vitórias, já é tempo de estarmos atentos às notícias e informações que são vinculadas.

Além disso, devemos redobrar nosso cuidado ao compartilhar pesquisas, notícias de sites, bem como perfis duvidosos, pois nossa responsabilidade social e também democrática é enorme nesse âmbito das redes sociais.

Amanda Oliveira
Coordenadora Arquidiocesana da Pascom

Compartilhe!
0 respostas

Deixe um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *