Fraternidade e educação

A escolha do tema “educação” para reflexão na Campanha da Fraternidade deste ano me parece muito pertinente. Saímos de um período de isolamento social, de fechamento das escolas e perda no aspecto de socialidade que propõem as instituições educacionais. Não só isto, mas também queda no nível de conhecimento dos estudantes, mesmo com a eficiência de aulas virtuais.

Os ensinamentos bíblicos são eminentemente educadores, principalmente na dimensão do relacionamento entre a fé e a prática da vida cotidiana. Todos os conhecimentos, sejam eles intelectuais ou humanos, que são adquiridos no processo formativo e educativo, dão maior qualidade para os atos normais da vida. Agora é recuperar o que foi perdido através de maior investimento na educação.

O tema educação tem também o aspecto da conversão, que está em sintonia com os objetivos da quaresma. A educação proporciona mudança no estilo de vida, maior capacidade crítica e melhor enfrentamento diante das limitações da cultura. Assim fez Jesus ao orientar e educar seus discípulos, abrindo a mente deles para assumir a missão e a proposta que a eles estava confiando.

Paulo convoca o povo de Corinto a ser criatura nova a partir de um processo educativo, que leve ao encontro com Jesus Cristo, fazendo com que tudo se torne novo (cf. II Cor 5,17). A novidade da quaresma, e também da educação, é justamente transformar as condições sofridas da vida humana em conquista de uma dignidade mais saudável, mesmo enfrentando os sofrimentos decorrentes.

Pensamos num caminho de ressurreição. Foi o que Jesus fez ao acolher os pecadores e ao tomar refeição com eles. A intenção do Mestre Jesus era que eles tivessem uma postura de vida diferente, mais justa e honesta. De certa forma, é preciso abrir o coração para receber e viver uma postura nova, de mais respeito para com a vida, que merece ser tratada com dignidade (cf. Lc 15,1-2).

Para confirmar a beleza da reconciliação e mudança de vida, Jesus conta a Parábola de um pai que tinha dois filhos. O mais novo saiu de casa, perdeu os laços da convivência e se tornou uma pessoa sofrida, no fundo do poço. Mas resolve voltar, fazendo uma profunda transformação e foi novamente acolhido pelo pai, recuperando sua dignidade. Vida nova é vida reconciliada com os irmãos e com Deus.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba

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© Copyright Arquidiocese de Uberaba. Feito com por
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