Papa: somos eternos mendigos de amor

“Os homens e as mulheres são eternamente mendigos de amor – somos mendigos de amor, temos necessidade de amor – procurando um lugar onde serem finalmente amados, mas não o encontram (…). No caminho correm o risco de nunca encontrar completamente o tesouro que buscam desde o primeiro dia de vida: o amor”, destacou o Papa Francisco em sua catequese sobre o “Pai Nosso” na Audiência Geral.

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

O amor de Deus é fiel e não nos abandona nunca, por isto não devemos temer. “Mesmo que por infelicidade nosso pai terreno tenha se esquecido de nós, e ficamos com ressentimento com ele, não nos é negada a experiência fundamental da fé cristã: a de saber que somos filhos muito amados de Deus, e que não há nada na vida que possa apagar o seu amor apaixonado por nós”.

Na Audiência Geral desta quarta-feira – realizada simultaneamente na Sala Paulo VI e na Basílica de São Pedro, onde havia recebido previamente uma peregrinação de 2.500 fiéis de Benevento – Francisco deu continuidade a sua série de catequeses sobre o Pai Nosso, recordando que a figura de nossos pais nos ajudam a entender o mistério da “paternidade de Deus”, mas para isto, devemos sempre “refiná-las”, “purificá-las”, pois assim como nenhum de nós teve pais perfeitos, tampouco nós seremos pais ou pastores perfeitos. E se entra neste mistério da paternidade de Deus, através da oração.

Falando aos peregrinos presentes na Sala Paulo VI e na Basílica de São Pedro, o Santo Padre recordou que “vivemos nossas relações de amor sempre sob o signo de nossos limites e também de nosso egoísmo”, motivo pelo qual “são frequentemente poluídas por desejos de posse ou manipulação do outro”.

Somos mendigos de amor

Por isso que quando falamos de Deus como “Pai” pensando na imagem de nossos pais – especialmente se eles nos amaram –  “devemos ir  além”:

“O amor de Deus é o do Pai “que está nos céus”, segundo a expressão que Jesus nos convida a usar: é o amor total que nós, nesta vida, experimentamos apenas de forma imperfeita. Os homens e as mulheres são eternamente mendigos de amor – somos mendigos de amor, temos necessidade de amor – procurando um lugar onde serem finalmente amados, mas não o encontram. Quantas amizades e quantos amores desiludidos existem no nosso mundo, quantos!”

O Papa observa que do  “deus grego do amor”, que “é o mais trágico de todos” – pois não fica claro “se ele é um ser angélico ou um demônio” – se pode pensar “na natureza ambivalente do amor humano”, “capaz de florescer e viver forte em um momento do dia e imediatamente após, murchar e morrer”.

Amamos de forma fraca e intermimente

A expressão do Profeta Oseias:  “Vosso amor é como a nuvem da manhã, como o orvalho que logo se dissipa”, ilustra bem a “congênita fraqueza de nosso amor”, observa.  “Aqui está o que o nosso amor é muitas vezes: uma promessa que se esforça para permanecer, uma tentativa que logo seca e evapora, um pouco como quando o sol sai de manhã e faz desaparecer o orvalho da noite”:

“Quantas vezes nós, homens, amamos desta maneira tão fraca e intermitente. Todos temos experiência disso: amamos, mas depois aquele amor acabou ou ficou fraco. Desejosos de querer bem, nos deparamos com nossos limites, com a pobreza de nossas forças: incapazes de manter uma promessa que nos dias de graça parecia fácil de cumprir. No fundo, até mesmo o apóstolo Pedro teve medo e teve que fugir. O apóstolo Pedro não foi fiel ao amor de Jesus. Tem sempre esta fraqueza que nos faz cair”.

“ Somos mendigos que no caminho correm o risco de nunca encontrar completamente o tesouro que buscam desde o primeiro dia de vida: o amor ”

No entanto – chama a atenção o Papa Francisco – “existe um outro amor, aquele do Pai “que está nos céus”. Ninguém deve duvidar de ser destinatário desse amor. Ele nos ama, “me ama”, podemos dizer”:

“Ainda que nosso pai e nossa mãe – uma hipótese histórica – não tivessem nos amado, existe um Deus no céu que nos ama como ninguém na terra jamais o fez ou poderia fazê-lo.  O amor de Deus é constante, sempre! O profeta Isaías diz: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta de seu filho, não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? Mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca”. Eis que estás gravada na palma de minhas mãos”. Mesmo que todos os nossos amores terrenos desmoronassem, e não restar nada nas mãos além de pó, existe sempre para todos nós, ardente, o amor único e fiel de Deus”.

Francisco recorda que hoje a tatuagem está na moda:

“ Fiz uma tatuagem de ti em minhas mãos. Eu estou nas mãos de Deus, assim, e não posso tirá-lo. O amor de Deus é como o amor de uma mãe, que nunca se pode esquecer. E se uma mãe se esquece? “Eu não te esquecerei”, diz o Senhor. Este é o amor perfeito de Deus, assim somos amados por Ele. ”

Na fome de amor que todos sentimos – disse o Papa – não procuramos algo que não existe:  esse é, ao contrário, o convite para conhecer a Deus que é Pai”, como aconteceu com a conversão de Santo Agostinho.

Não estamos sozinhos

A expressão “nos céus” – explicou o Papa – “não quer expressar uma distância, mas uma diferença radical de amor, uma outra dimensão de amor, um amor incansável, um amor que permanecerá para sempre, que está ao alcance da mão. Basta dizer “Pai Nosso que está nos céus” e este amor vem!”.

“Portanto – foi a exortação do Papa ao concluir – não tenha medo! Nenhum de nós está sozinho. E mesmo que por infelicidade teu pai terreno tenha se esquecido de ti, e ficaste ressentido com ele, não te é negada a experiência fundamental da fé cristã: a de saber que tu és filho muito amado de Deus, e que não há nada na vida que possa apagar o seu amor apaixonado por ti”.

Bento XVI

Ao concluir sua saudação aos peregrinos de língua italiana, antes de cantar o Pai Nosso, o Santo Padre recordou que na próxima sexta-feira celebra-se a festa da Cátedra de São Pedro Apóstolo, e pediu orações pelo seu ministério e pelo Papa emérito Bento XVI: “Rezem por mim e pelo meu ministério, também por Bento XVI, para que confirme sempre e em toda parte os irmãos na fé”.

Veja um trecho da catequese do Santo Padre:

Fonte: Vatican News

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Papa: os pobres pagam a conta das guerras, o dilúvio da atualidade

Na missa matutina na Casa Santa Marta, o Papa Francisco destacou que Deus nos ama com o coração, não com as ideias. A Ele é preciso pedir a graça de chorar diante das calamidades do mundo, aos perseguidos, a quem morre na guerra.

Benedetta Capelli – Cidade do Vaticano

O dilúvio universal e as guerras de hoje: o Papa Francisco traça uma linha de continuidade entre o que foi narrado no Livro do Gênesis e a atualidade, recordando o sofrimento das crianças famintas e órfãs, dos mais fracos, dos pobres que pagam “a conta da festa”. Na homilia da missa na Casa Santa Marta, o Pontífice exortou a ter um coração que se pareça com o coração de Deus, capaz de sentir raiva, de sentir dor, mas sobretudo de ser irmão com os irmãos, pai com os filhos; um coração humano e divino.

Deus tem sentimentos

Comentando a primeira leitura, o Papa falou da dor de Deus diante da malvadeza dos homens e no arrependimento por tê-los criado, a ponto de prometer cancelá-los da face da terra. É um Deus que tem sentimentos – afirmou o Papa –, “não é abstrato” de ideias puras e “sofre”, e este é “o mistério do Senhor”.

Os sentimentos de Deus, Deus pai que nos ama – e o amor é uma relação – mas é capaz de enraivecer-se, de irritar-se. É Jesus que vem e mostra o caminho para nós, com o sofrimento do coração, tudo… Mas o nosso Deus tem sentimentos. O nosso Deus nos ama com o coração, não nos ama com as ideias, nos ama com o coração. E quando nos acaricia, nos acaricia com o coração e quando nos repreende, como um bom pai, nos repreende com o coração. Ele sofre mais do que nós.

Os nossos tempos não são melhores que os tempos do dilúvio

É “uma relação de coração a coração, de filho a pai que se abre e se Ele é capaz de sentir dor no seu coração, também nós – prosseguiu o Papa – saremos capazes de sentir dor diante Dele”. “Não é sentimentalismo – afirmou –, esta  é a verdade.” Francisco explicou que os tempos de hoje não são diferentes dos tempos do dilúvio; existem problemas, as calamidades do mundo, os pobres, as crianças, os famintos, os perseguidos, os torturados, “as pessoas que morrem na guerra porque lançam bombas como se fossem balas”.

Eu não creio que os nossos tempos sejam melhores do que os tempos do dilúvio, não creio: as calamidades são mais ou menos as mesmas, as vítimas são mais ou menos as mesmas. Pensemos por exemplo nos mais fracos, nas crianças. A quantidade de crianças famintas, de crianças sem educação: não podem crescer em paz. Sem pais porque foram massacrados pelas guerras… Crianças-soldado… Pensemos nessas crianças.

Chorar como Jesus

A graça a ser pedida – concluiu o Papa – é ter “um coração como o coração de Deus, que se pareça com o coração de Deus, um coração de irmãos com os irmãos, de pai com os filhos, de filho com os pais. Um coração humano, como aquele de Jesus, é um coração divino”.

Há a grande calamidade do dilúvio, há a grande calamidade das guerras de hoje, onde a conta da festa é paga pelos mais fracos, os pobres, as crianças, aqueles que não têm recursos para ir avante. Pensemos que o Senhor está entristecido em seu coração e nos aproximemos Dele e digamos: “Senhor, olhe essas coisas, eu O compreendo”. Consolemos o Senhor: “Eu O compreendo e O acompanho”, acompanho na oração, na intercessão por todas essas calamidades que são fruto do diabo, que quer destruir a obra de Deus.

Veja um trecho da homilia do Santo Padre:

Fonte: Vatican News

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Santuário de Aparecida recebe quase 80 mil homens na 11ª Romaria Nacional do Terço dos Homens

Mais uma vez, uma das principais e maiores Romarias do Santuário Nacional de Aparecida reuniu milhares de devotos dos grupos de Terços dos Homens, para celebrar e rezar pelo 11º ano consecutivo aos pés da Padroeira do Brasil. O evento aconteceu nos dias 15 e 16 de fevereiro.

Faixas, cartazes, camisetas personalizadas e terços nas mãos caracterizam a presença dos diversos grupos que vieram dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, Sergipe, Goiás, Distrito Federal, Paraíba e Bahia.

A programação teve início na sexta-feira (15), com a Santa Missa das 18h, presidida pelo arcebispo metropolitano de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira, que é o Referencial para o Terço dos Homens no país. Na celebração, os homens do terço entoaram o hino do movimento, mostrando a força dos que rezam e rogam pela intercessão da Mãe Aparecida, por suas famílias e pela caminhada pessoal na fé.

Homilia de Dom Gil

Dom Gil conduziu adoração eucarística, na sexta-feira (15) à noite. Foto: Instagram do Santuário Nacional

Dom Gil, em sua homilia, ressaltou que o Terço dos Homens é uma bênção para a Igreja e para a família, destacou a iniciativa do movimento a partir dos leigos e pontuou o importante apoio de todo o clero como entusiastas. Frisou que o movimento vem crescendo a cada dia, e que hoje, já são mais de um milhão e quinhentos mil homens rezando o terço no Brasil.

Refletindo o tema da Romaria deste ano, ‘Terço dos Homens: não basta rezar, é preciso agir’, o pastor afirmou que na oração o homem aprende a agir e ser amor na vida do próximo. “Podemos dizer também que não basta agir, tem que rezar. Nós agimos primeiramente pela nossa palavra. Quando você reza com fé, você está com o seu exemplo atraindo outros homens. Mas também é preciso ir atrás daqueles que não vem, daqueles que estão desanimados, daqueles que foram para outros caminhos, é preciso chamá-los. Essa é uma ação, temos que agir. Quem começa a rezar, depois aprende a agir… é que Deus vai trabalhando, vai ensinando a praticar o amor”.

O referencial do movimento também lembrou algumas das ações dos homens do Terço pelo Brasil afora, em favor dos mais necessitados, citando o trabalho que é feito em sua Arquidiocese. “Na minha Arquidiocese em Juiz de Fora, lá em algumas Paróquias, os grupos de Terço dos Homens cuidam das pessoas que estão nas ruas, dos pobres mais pobres da cidade. E tem Terço dos Homens cuidando de hospitais, de asilos de idosos e de crianças”, ressaltou Dom Gil.

A celebração foi encerrada com a adoração e benção dos homens com o Santíssimo Sacramento.

Procissão até o Porto Itaguaçu

Procissão Foto: Marília Ribeiro

Na sequência, os homens do terço foram convidados a seguirem em procissão pelo Caminho do Rosário, até o Porto Itaguaçu, local do encontro da Imagem de Aparecida. Na ocasião eles rezaram, cantaram e receberam uma bênção especial dos missionários redentoristas, Padre Camilo Junior e o Irmão João Batista de Viveiros.

Vigília na Capela do Santíssimo

Como preparação do coração dos participantes da Romaria para a intensa programação do sábado (16), o Santuário organizou uma noite de vigília na Capela do Santíssimo. Padre Reinaldo Beijamim e os seminaristas do Seminário Santo Afonso acompanharão os homens do terço durante toda a noite. A cada hora, um grupo ficou responsável por conduzir o momento da vigília, como sinal de partilha e confraternização.

Missa e consagração à Nossa Senhora Aparecida marcam o sábado chuvoso

Reza do Terço e Consagração no sábado na Romaria do Terço dos Homens. Foto: Thiago Leon

Nem a leve chuva antes do início da celebração de sábado (16), nem o tempinho nublado que persistiu durante a Santa Missa, foram capazes de afastar os 78 mil homens presentes na maior Romaria que o Santuário Nacional de Aparecida recebe durante o ano. Pelo contrário: o número superou a expectativa de 50 mil participantes, estimada para essa edição.

Presidida pelo Arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, para uma multidão de pessoas em frente a Tribuna Papa Bento XVI, o Terço dos Homens se mostra mais forte ano a ano. O Arcebispo, durante a homilia, agradeceu a presença dos grupos nos mais diversos lugares, como periferias, hospitais, cadeias. “Lá estão vocês sempre com a força do terço, curando feridas. Vamos ser o Evangelho!”.

À tarde, a reza do Terço e a Consagração a Nossa Senhora Aparecida lotaram o Santuário Nacional, com a presença do Ir. Viveiros e Jéssica Fernandes. Logo após, foi realizado o sorteio da Imagem Peregrina de Nossa Senhora Aparecida para um grupo que, durante todo o ano de 2019, manterá em sua comunidade a capela para mantê-los ainda mais unidos em oração. O grupo contemplado foi de Santa Bárbara D’Oeste (SP).

Fonte: A12.com

Fonte: Portal A12

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São Valentim: por que o dia dos namorados na maioria dos países é 14/02?

Conheça a tradição popular que atribui a São Valentim o martírio em nome do amor – e saiba por que no Brasil a data é outra (12 de junho)

A festa de São Valentim, celebrada em 14 de fevereiro, equivalente ao Dia dos Namorados na maioria dos países. O Brasil é uma exceção: o dia dos namorados é celebrado aqui em 12 de junho, por ser a véspera da festa de Santo Antônio de Lisboa e de Pádua. Na cultura luso-brasileira, Santo Antônio é considerado o “santo casamenteiro”.

Por que São Valentim?

Segundo a tradição popular, São Valentim teria sido um bispo que viveu em uma das severas épocas de perseguição perpetrada pelo Império Romano contra os cristãos. Apesar das proibições impostas pelo imperador, ele continuou celebrando casamentos cristãos clandestinamente. Recusando-se a renunciar à fé em Jesus Cristo, Valentim acabou sendo martirizado num dia 14 de fevereiro.

Não há, porém, comprovações históricasdesse relato. É por isso que a Igreja retirou essa festa do calendário litúrgico em 1969, mantendo-a apenas como memória facultativa.

A celebração dos namorados, portanto, tem vínculo direto com a fé cristã, seja no Brasil, com Santo Antônio, seja nos países em que a data dedicada a eles é 14 de fevereiro, dia de São Valentim: são dois santos que celebram e exaltam na sua integridade e sublimidade o santo matrimônio cristão.

Fonte: Aleteia

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Reflexão para o 6º Domingo do Tempo Comum

“Confiar em Deus para ser feliz, Ele é a nossa segurança”

Padre César Augusto – Cidade do Vaticano

A primeira leitura nos fala de quem é feliz em optar por confiar em Deus e da infelicidade e frustração daquele que confia no Homem.

Confiar em Deus supõe muita fé e , ao mesmo tempo, um coração que use a memória e a inteligência para verificar o quanto Deus fez por cada um de nós. À medida em que vamos repassando nossa vida, vamos reconhecendo a ação providente e generosa do Senhor. Quem seríamos nós sem Seu amor, sem seu carinho de Pai, exclamamos! Que seria de nossa vida, perguntamos? O Senhor que está presente em nossa existência! Ele é a nossa segurança!

Diante de uma multidão de pessoas desvalidas, famintas, doentes físicos e psíquicos, economicamente miseráveis, o Senhor proclama em alto e bom som que os pobres que estão diante dele são bem-aventurados, do mesmo modo os famintos, os que choram, os odiados e marginalizados. Ao mesmo tempo o Senhor proclama malditos os ricos.

Fonte: Vatican News

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Papa: ” Na oração cristã não há espaço para o ‘eu’ “

Na audiência geral, Francisco lembrou que o ‘Pai Nosso’ não é uma oração individualista.: “No diálogo com Jesus, não deixamos o mundo fora da porta do nosso quarto… levamos as pessoas e situações em nosso coração!”

Cristiane Murray – Cidade do Vaticano

Na catequese pronunciada esta quarta-feira (13/02), o Papa propôs uma reflexão sobre o ‘Pai Nosso’, explicando como rezar melhor a oração que Jesus nos ensinou.
A Sala Paulo VI, dentro do Estado do Vaticano, ficou repleta de fiéis, romanos e turistas que receberam o Papa com o carinho de sempre, cantos e aplausos e em seguida, ouviram suas palavras com atenção.

Introspecção do diálogo com Jesus

Para rezar – iniciou o Papa – são necessários silêncio e introspecção.

“A verdadeira oração se realiza no segredo na consciência, do fundo do coração: com Deus é impossível fingir, é como o olhar de duas pessoas, o homem e Deus, quando se cruzam”. Mas apesar disso, Jesus não nos ensina uma oração intimista ou individualista. Não deixamos o mundo fora da porta do nosso quarto… levamos as pessoas e situações em nosso coração!

“ Na oração do Pai Nosso, há uma palavra que brilha pela sua ausência: uma palavra que em nossos tempos – como talvez sempre – todos consideram importante: a palavra ‘eu’. ”

Primeiramente nos dirigimos a Deus como a Alguém que nos ama e escuta (seja santificado o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade) e, depois, quando lhe apresentamos uma série de petições (dai-nos hoje o nosso pão cotidiano, perdoai as nossas ofensas, não nos deixeis cair em tentação, livrai-nos do mal), as fazemos na primeira pessoa do plural – “nós” – isto é, rezamos como uma comunidade de irmãos e irmãs.

Ouça a reportagem completa com a voz do Papa

“Até as necessidades mais elementares do homem – como ter alimento para saciar sua fome – são todas feitas no plural. Na oração cristã, ninguém pede o pão para si, mas o suplica para todos os pobres do mundo”, disse Francisco.

Pedir a Jesus que nos faça ter compaixão

Na oração, o cristão leva todas as dificuldades e sofrimentos de quem está ao seu lado, tanto dos amigos como de quem lhe faz mal, imitando a compaixão que Jesus sentia pelos pecadores.
Mas pode acontecer – ressalvou o Papa – que alguém não perceba o sofrimento a seu redor, não sinta pena pelas lágrimas dos pobres, fique indiferente a tudo. Isto significa que seu coração está petrificado. Neste caso, seria bom pedir ao Senhor que o toque com o seu Espírito e sensibilize seu coração.

“ Cristo não ficou alheio às misérias do mundo. Toda vez que percebia uma solidão, uma ferida no corpo ou no espírito, sentia forte compaixão. ”

Às 7 mil pessoas presentes, o Papa perguntou: “Quando rezamos, nos abrimos ao grito de tanta gente, próxima ou distante? Ou penso na oração como uma espécie de anestesia, para ficar mais tranquilo? Isto seria um terrível equivoco”.

A oração deve abrir o coração ao próximo para que amemos com um amor compassivo e concreto, sabendo que tudo aquilo que fizermos “a um destes meus irmãos mais pequeninos, -afirma Jesus – foi a mim mesmo que o fizestes”.

Veja um trecho da catequese do Santo Padre:

Fonte: Vatican News
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Alguns exageros na renovação litúrgica

O Papa Bento XVI alertava para os exageros litúrgicos, recordando que “em muitos lugares, se celebrava não se atendo de maneira fiel às prescrições do novo Missal, antes consideravam-se como que autorizados ou até obrigados à criatividade, o que levou frequentemente a deformações da Liturgia no limite do suportável”

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

No nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a falar sobre a reforma litúrgica.

Desde terça-feira, 12 de fevereiro, até a sexta-feira, 15, está sendo realizada a Assembleia Plenária da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, para tratar da “Formação Litúrgica do Povo de Deus”. Nestes dias, os membros do Dicastério vaticano encarregados da promoção e regulamentação da sagrada liturgia – 22 cardeais, 8 arcebispos e 11 bispos, provenientes dos cinco continentes – estão reunidos no Vaticano para discutir sobre este assunto.

Com a reforma litúrgica advinda do Concílio Vaticano II, o latim das celebrações, por exemplo, foi substituído pela língua falada em cada país; o celebrante passou a celebrar voltado para a assembleia, estabelecendo assim um novo tipo de participação ativa e consciente da comunidade, que também passou a acompanhar a celebração através dos folhetos litúrgicos dominicais.

Ao encontrar bispos brasileiro em 1990, o Papa João Paulo II recordava a “alta intensidade espiritual” que viveu no Brasil durante as celebrações litúrgicas, “que constituíam o ponto culminante” de suas visitas. Mas ele também recordou, que “na aplicação da Sacrosanctum Concilium , houve, certamente, deficiências, hesitações e abusos. Mas não se pode negar – disse ele – que, onde as comunidades foram preparadas, com a devida informação e a catequese, os resultados são positivos. Com razão se afirmou na Assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos de 1985 que ‘a renovação litúrgica é o fruto mais visível de toda a obra conciliar’.”

No programa de hoje deste nosso espaço, padre Gerson Schmidt – que tem nos acompanhado neste percurso da exposição dos documentos conciliares – nos fala sobre o tema “alguns exageros na reforma litúrgica”:

“A reforma da Missa foi uma das partes mais fundamentais da reforma de toda a liturgia, mas ao mesmo tempo, foi a sua parte mais controvertida[1]. A reforma suscita controvérsias até hoje[2]. Passados mais de 50 anos, até que ponto a reforma da liturgia está caminhando corretamente, não sabemos bem o certo.

Tal como aponta Helmut Hoping, professor liturgista da Universidade de Friburgo: “Um movimento mais influente reconhece a reforma litúrgica do Concilio, mas acha necessária “uma reforma da reforma” para corrigir alguns erros concretos na aplicação da reforma e do desenvolvimento litúrgico pós-conciliar”[3].

Outros mais conservadores, querem o retorno à liturgia pré-conciliar, negligenciando os avanços, riqueza e aprimoramentos de caminhada de toda a renovação[4], que como diz Papa Francisco, não pode retroceder[5].

Papa Bento XVI alertava para os exageros litúrgicos, recordando que “em muitos lugares, se celebrava não se atendo de maneira fiel às prescrições do novo Missal, antes consideravam-se como que autorizados ou até obrigados à criatividade, o que levou frequentemente a deformações da Liturgia no limite do suportável”[6].

Houve não poucos exageros. Em relação ao primeiro capítulo da Lumen Gentium que utiliza a imagem da Igreja como Povo de Deus, não poucos intérpretes sustentaram, através de uma eclesiologia unilateral do Povo-Deus (uma eclesiologia a “partir de baixo”) de que a Liturgia tem sentido somente pela imagem da comunidade reunida como ágape e sujeito da liturgia.

“Essa opinião foi chamada de “horizontalismo superficial” na liturgia. Além disso, o missal de 1970, com suas amplas modificações, deu a impressão de a liturgia pudesse inventar-se a si mesma. esta é a posição dos que são favoráveis à reforma da reformas”[7].

Sobre esse horizontalismo, como se a liturgia fosse tão somente um clamor popular, é preciso aqui dizer algo. É sem dúvida, na América Latina, louvável as iniciativas de unir o sofrimento dos povos mais sofredores com o sacrifício redentor de Cristo, celebrado e atualizado na Eucaristia. Traz presente a vida do povo e se mergulha no grande mistério eucarístico.

Mas não podemos cair em exagero de dizer que na Santa Missa tão somente se celebra as lutas e as reinvindicações populares, como se o sacramento fosse um espaço de um esforço puramente humano e não um inefável dom de Deus.

Por isso, a Congregação da Doutrina da Fé, em 1984, fazia o seguinte alerta em relação aos exageros litúrgicos nas celebrações populares, expressões da Teologia da Libertação: “Verifica-se ainda a inversão dos símbolos no domínio dos sacramentos. A Eucaristia não é mais entendida na sua verdade de presença sacramental do sacrifício reconciliador e como dom do Corpo e do Sangue de Cristo. Torna-se celebração do povo na sua luta. Por conseguinte, a unidade da Igreja é radicalmente negada. A unidade, a reconciliação, a comunhão no amor não mais são concebidas como um dom que recebemos de Cristo. É a classe histórica dos pobres que, mediante o combate, construirá a unidade. A luta de classes é o caminho desta unidade. A Eucaristia torna-se, deste modo, Eucaristia de classe. Nega-se também, ao mesmo tempo a força triunfante do amor de Deus que nos é dado”[8].

_____________________

[1] Helmut Hoping, A Constituição Sacrosanctum Concilium. In: As Constituições do Vaticano II, Ontem e Hoje, org. Geraldo B. Hackmann e Miguel de Salis Amaral, Edições CNBB, 2015, p.120.

[2] idem, p. 132.

[3] ibidem.

[4] ibidem.

[5] Discurso do Papa Francisco na 68ª SEMANA LITÚRGICA NACIONAL, por ocasião do aniversário de 50 anos da Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium, ao grupo de liturgia da Conferência Episcopal da Itália, na Sala Paulo VI.

[6] Carta aos bispos que acompanha o motu proprio SVMMORVM PONTIFICVM, de 7 de julho de 2007.

[7] Helmut Hoping, A Constituição Sacrosanctum Concilium. In: As constituições do Vaticano II, Ontem e Hoje, org. Geraldo B. Hackmann e Miguel de Salis Amaral, Edições CNBB, 2015, p.134.

[8] SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, INSTRUÇÃO SOBRE ALGUNS ASPECTOS DA « TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO, 1984, X,16.

Fonte: Vatican News

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Pela primeira vez, Brasil será sede da Assembleia Continental das POM

Representantes das Pontifícias Obras Missionárias de toda a América se reunirão em Brasília de 18 a 23 de fevereiro.

Brasília

Está tudo pronto para receber em Brasília (DF) representantes das Pontifícias Obras Missionárias de toda a América. Pela primeira vez, o Brasil será sede da Assembleia Continental dos Diretores da América e Bispos referenciais da missão. O encontro acontece na sede das POM, entre os dias 18 e 23 de fevereiro, reunindo bispos, padres, religiosos(as) e leigos(as) responsáveis pelo trabalho missionário nos países da América.

A Assembleia terá representantes de 23 países, sendo eles: Argentina, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Chile, México, EUA, República Dominicana, Porto Rico, Costa Rica, Canadá, Paraguai, Guatemala, Uruguai, Honduras, Antilhas, Nicáragua, El Salvador, Bolívia, Cuba e Brasil. Representando a Secretaria Internacional das POM, a assembleia terá a presença do Pe. Fabrizio Meroni, Secretário-Geral da Pontifícia União Missionária (PUM).

Entre os objetivos da assembleia, destaca-se a reflexão sobre os fundamentos da missão, vocação e serviço das POM. Outro ponto de pauta será a reflexão sobre um itinerário comum em preparação ao Mês Missionário Extraordinário em sintonia com o Sínodo para Amazônia, nos distintos níveis (continental, regional e nacional). Também serão recebidas as conclusões do 5º Congresso Missionário Americano (CAM 5).

Pe. Maurício Jardim, diretor nacional das POM no Brasil, ressalta a importância deste encontro para a missão no Brasil:

“Acolher a Assembleia continental das POM no Brasil, com os bispos referenciais da missão e os representantes de Roma e do CELAM, tem grande significado para as Obras Pontifícias no país. Este encontro impulsiona e valoriza nosso ser e viver a missão. Ele é uma feliz coincidência, pois realiza-se no ano que o Papa Francisco convoca toda a Igreja para o Mês Missionário Extraordinário”, destacou o diretor.

Sede das POM em Brasília receberá membros de 23 países

 

Fonte: Vatican News

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Dia Mundial do Enfermo: a presença da Igreja missionária no mundo do sofrimento

Nas chamadas terras de missão, o trabalho muitas vezes silencioso da Igreja e de seus missionários ajuda a levar um pouco de esperança a um mar de desespero e sofrimento. Onde há uma missão, existe um ponto de assistência à saúde, muitas vezes o único em um raio de centenas, senão milhares de quilômetros. Muitos dispensários, clínicas e verdadeiros hospitais, nasceram e continuam a operar nos lugares mais remotos do mundo, graças ao trabalho de missionários.

Cidade do Vaticano

Em 11 de fevereiro de cada ano, na memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, a Igreja celebra o Dia Mundial do Enfermo, instituído pelo Papa João Paulo II em 1992, para ser “um momento forte de oração, de partilha, de oferta do sofrimento pelo bem da Igreja e de chamado para todos a reconhecerem no rosto de seu irmão doente, a Santa face de Cristo que, sofrendo, morrendo e ressuscitando, alcançou a salvação da humanidade “(Carta que instituiu o Dia Mundial do Enfermo, 13 de maio de 1992, n. 3).

Ouça a reportagem:

Anuário Estatístico

Segundo o último Anuário Estatístico da Igreja, os Institutos de caridade e assistência administrados pela Igreja incluem: 5.287 hospitais, com maior presença na América (1.530) e África (1.321); 15.957 dispensários, principalmente na África (5.177), na América (4.430) e Ásia (3.300); 610 leprosários distribuídos principalmente na Ásia (352) e na África (192); 15.722 casas para idosos, doentes crônicos e pessoas com necessidades especiais, principalmente na Europa (8.127) e América (3.763); 9.552 orfanatos, a maior parte na Ásia (3.660); 11.758 Jardins de Infância, com maior número na Ásia (3.295) e na América (3.191); 13.897 centros de aconselhamento matrimonial, principalmente na Europa (5.664) e América (4.984); 3.506 centros de educação ou reeducação social e 35.746 instituições de outros tipos.

Trabalho silencioso

Nas chamadas terras de missão, o trabalho muitas vezes silencioso da Igreja e de seus missionários, ajuda a levar um pouco de esperança a um mar de desespero e sofrimento. Onde há uma missão, existe um ponto de assistência à saúde, muitas vezes o único em um raio de centenas, senão milhares de quilômetros. Muitos dispensários, clínicas e verdadeiros hospitais, nasceram e continuam a operar nos lugares mais remotos do mundo, graças ao trabalho de missionários e voluntários animados pelo espírito evangélico.

Principais Ordens e Congregações no campo da saúde

Entre as principais Ordens religiosas que atuam no campo da saúde nos territórios de primeira evangelização, estão os Ministros dos Enfermos (Camilianos), as Ministras dos Enfermos de São Camilo, a Ordem Hospitaleiros de São João de Deus (Fatebenefratelli), as missionárias e os missionários Combonianos, os missionários e  missionárias da Consolata, os Xaverianos e Xaverianas, os Rogacionistas, as Filhas do  Divino Zelo, os Capuchinhos, as Dominicanos, os missionários do PIME, os Salesianos e Salesianas, as missionárias da Caridade …

Testemunhos heroicos

Não faltaram heroicos testemunhos de religiosos e religiosas que diante da emergência, preferiram sacrificar suas vidas em vez de abandonar as pessoas que assistiam. Entre estes, recordamos a família religiosa dos Fatebenefratelli, que em 2014 perdeu na Libéria e na Serra Leoa quatro irmãos, uma religiosa e treze colaboradores dos hospitais em Monróvia e Lunsar, por terem contraído o vírus ebola, em seu generoso compromisso em cuidar dos doentes.

Um destino semelhante tiveram seis missionários italiano das Irmãs “delle Poverelle” de Bergamo, falecidas no Congo em 1995, após terem contraído contraído o vírus Ebola., mas quiseram permanecer no local, de modo a não deixar as pessoas sem cuidados de saúde.

(Agência Fides)

 

Fonte: Vatican News

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Mensagem do Papa para o Dia Mundial do Enfermo

“Contra a cultura do descarte e da indiferença, cumpre-me afirmar que se há de colocar o dom como paradigma capaz de desafiar o individualismo e a fragmentação social dos nossos dias, para promover novos vínculos e várias formas de cooperação humana entre povos e culturas.”

Cidade do Vaticano

Com o tema «Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10, 8), foi publicada no dia 8 de janeiro, a mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial do Enfermo, a ser celebrado em 11 de fevereiro. Eis o texto na íntegra:

“Queridos irmãos e irmãs!

«Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10, 8): estas são palavras pronunciadas por Jesus, quando enviou os apóstolos a espalhar o Evangelho, para que, através de gestos de amor gratuito, se propagasse o seu Reino.

Por ocasião do XXVII Dia Mundial do Doente, que será celebrado de modo solene em Calcutá, na Índia, a 11 de fevereiro de 2019, a Igreja – Mãe de todos os seus filhos, mas com uma solicitude especial pelos doentes – lembra que o caminho mais credível de evangelização são gestos de dom gratuito como os do Bom Samaritano. O cuidado dos doentes precisa de profissionalismo e ternura, de gestos gratuitos, imediatos e simples, como uma carícia, pelos quais fazemos sentir ao outro que nos é «querido».

A vida é dom de Deus, pois – como adverte São Paulo – «que tens tu que não tenhas recebido?» (1 Cor 4, 7). E, precisamente porque é dom, a existência não pode ser considerada como mera possessão ou propriedade privada, sobretudo à vista das conquistas da medicina e da biotecnologia, que poderiam induzir o homem a ceder à tentação de manipular a «árvore da vida» (cf. Gn 3, 24).

Contra a cultura do descarte e da indiferença, cumpre-me afirmar que se há de colocar o dom como paradigma capaz de desafiar o individualismo e a fragmentação social dos nossos dias, para promover novos vínculos e várias formas de cooperação humana entre povos e culturas. Como pressuposto do dom, temos o diálogo, que abre espaços relacionais de crescimento e progresso humano capazes de romper os esquemas consolidados de exercício do poder na sociedade.

O dar não se identifica com o ato de oferecer um presente, porque só se pode dizer tal se for um dar-se a si mesmo: não se pode reduzir a mera transferência duma propriedade ou dalgum objeto. Distingue-se de presentear, precisamente porque inclui o dom de si mesmo e supõe o desejo de estabelecer um vínculo. Assim, antes de mais nada, o dom é um reconhecimento recíproco, que constitui o caráter indispensável do vínculo social. No dom, há o reflexo do amor de Deus, que culmina na encarnação do Filho Jesus e na efusão do Espírito Santo.

Todo o homem é pobre, necessitado e indigente. Quando nascemos, para viver tivemos necessidade dos cuidados dos nossos pais; de forma semelhante, em cada fase e etapa da vida, cada um de nós nunca conseguirá, de todo, ver-se livre da necessidade e da ajuda alheia, nunca conseguirá arrancar de si mesmo o limite da impotência face a alguém ou a alguma coisa. Também esta é uma condição que carateriza o nosso ser de «criaturas». O reconhecimento leal desta verdade convida-nos a permanecer humildes e a praticar com coragem a solidariedade, como virtude indispensável à existência.

Esta consciência impele-nos a uma práxis responsável e responsabilizadora, tendo em vista um bem que é indivisivelmente pessoal e comum. Apenas quando o homem se concebe, não como um mundo fechado em si mesmo, mas como alguém que, por sua natureza, está ligado a todos os outros, originariamente sentidos como «irmãos», é possível uma práxis social solidária, orientada para o bem comum. Não devemos ter medo de nos reconhecermos necessitados e incapazes de nos darmos tudo aquilo de que teríamos necessidade, porque não conseguimos, sozinhos e apenas com as nossas forças, vencer todos os limites. Não temamos este reconhecimento, porque o próprio Deus, em Jesus, Se rebaixou (cf. Flp 2, 8), e rebaixa, até nós e até às nossas pobrezas para nos ajudar e dar aqueles bens que, sozinhos, nunca poderíamos ter.

Aproveitando a circunstância desta celebração solene na Índia, quero lembrar, com alegria e admiração, a figura da Santa Madre Teresa de Calcutá, um modelo de caridade que tornou visível o amor de Deus pelos pobres e os doentes. Como dizia na sua canonização, «Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. (…) Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes (…) da pobreza criada por eles mesmos. A misericórdia foi para ela o “sal”, que dava sabor a todas as suas obras, e a “luz” que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento. A sua missão nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres» (Homilia, 4/IX/2016).

A Santa Madre Teresa ajuda-nos a compreender que o único critério de ação deve ser o amor gratuito para com todos, sem distinção de língua, cultura, etnia ou religião. O seu exemplo continua a guiar-nos na abertura de horizontes de alegria e esperança para a humanidade necessitada de compreensão e ternura, especialmente para as pessoas que sofrem.

A gratuidade humana é o fermento da ação dos voluntários, que têm tanta importância no setor socio-sanitário e que vivem de modo eloquente a espiritualidade do Bom Samaritano. Agradeço e encorajo todas as associações de voluntariado que se ocupam do transporte e assistência dos doentes, aquelas que providenciam nas doações de sangue, tecidos e órgãos. Um campo especial onde a vossa presença expressa a solicitude da Igreja é o da tutela dos direitos dos doentes, sobretudo de quantos se veem afetados por patologias que exigem cuidados especiais, sem esquecer o campo da sensibilização e da prevenção.

Revestem-se de importância fundamental os vossos serviços de voluntariado nas estruturas sanitárias e no domicílio, que vão da assistência sanitária ao apoio espiritual. Deles beneficiam tantas pessoas doentes, sós, idosas, com fragilidades psíquicas e motoras. Exorto-vos a continuar a ser sinal da presença da Igreja no mundo secularizado.

O voluntário é um amigo desinteressado, a quem se pode confidenciar pensamentos e emoções; através da escuta, ele cria as condições para que o doente deixe de ser objeto passivo de cuidados para se tornar sujeito ativo e protagonista duma relação de reciprocidade, capaz de recuperar a esperança, mais disposto a aceitar as terapias. O voluntariado comunica valores, comportamentos e estilos de vida que, no centro, têm o fermento da doação. Deste modo realiza-se também a humanização dos tratamentos.

A dimensão da gratuidade deveria animar sobretudo as estruturas sanitárias católicas, porque é a lógica evangélica que qualifica a sua ação, quer nas zonas mais desenvolvidas quer nas mais carentes do mundo. As estruturas católicas são chamadas a expressar o sentido do dom, da gratuidade e da solidariedade, como resposta à lógica do lucro a todo o custo, do dar para receber, da exploração que não respeita as pessoas.

Exorto-vos a todos, nos vários níveis, a promover a cultura da gratuidade e do dom, indispensável para superar a cultura do lucro e do descarte. As instituições sanitárias católicas não deveriam cair no estilo empresarial, mas salvaguardar mais o cuidado da pessoa que o lucro. Sabemos que a saúde é relacional, depende da interação com os outros e precisa de confiança, amizade e solidariedade; é um bem que só se pode gozar «plenamente», se for partilhado. A alegria do dom gratuito é o indicador de saúde do cristão.

A todos vos confio a Maria, Salus infirmorum. Que Ela nos ajude a partilhar os dons recebidos com o espírito do diálogo e mútuo acolhimento, a viver como irmãos e irmãs cada um atento às necessidades dos outros, a saber dar com coração generoso, a aprender a alegria do serviço desinteressado. Com afeto, asseguro a todos a minha proximidade na oração e envio-vos de coração a Bênção Apostólica.

Vaticano, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, 25 de novembro de 2018″.

Franciscus

 

Fonte: Vatican News

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