Reflexão para a Quinta-feira Santa

Na última ceia vemos a entrega livre de Jesus. A Eucaristia é serviço, é partilha de dons e de vida!

Cidade do Vaticano

Entramos hoje, de modo profundo, no mistério da morte e ressurreição do Senhor. Para que isso seja vivido como desejaríamos, se faz necessário tomar atitudes espirituais apropriadas. A primeira é um recolhimento, um sair de si, em um descentramento, abandonando o que nos é próprio, como nossos problemas e decisões, para nos abrirmos a uma realidade ainda misteriosa, e que nos será revelada, à medida que estivermos abertos para ela.

Jesus padece e merece um amor maior do que agora sinto.

Não deveremos nos fixar tanto nas dores de Jesus, pois isso poderia nos distrair, mas voltar o olhar de nosso coração para o motivo de tal entrega que ele faz de si: o amor de Deus revelado na relação entre o Pai e o Filho.

Nesse sentido a cruz deverá deixar de ser um lugar de suplício e tornar-se o lugar onde brilha a glória de Deus e de onde ela é irradiada para toda a humanidade. Diferentemente da árvore do paraíso, onde o homem disse não a Deus, na árvore da cruz, o homem diz sim ao Pai.

Seguir Jesus Cristo implica em uma união de destino, em que a cruz surge como possível consequência de um seguimento fiel.

Na última ceia vemos a entrega livre de Jesus. Na hora da paixão física, na cruz, Jesus já se entregara por completo, fazendo-se obediente até a morte de cruz, sob os sinais do pão que já havia comido e do vinho que já havia bebido; ou sob o sinal das vestes depostas para lavar os pés dos discípulos.

Celebrar a quinta-feira da Ceia do Senhor, não se resume à celebração da Eucaristia, mas celebrar a Eucaristia deveria ser o ápice de um dia, de uma semana que foi marcada pelo êxodo de si mesmo, pelo esvaziar-se, para permitir que o amor de Deus falasse em nós e por nós. Celebrar a Ceia de Jesus significaria que me despojei de mim mesmo, não só de minhas vestes, e lavei os pés de meus irmãos, isto é, prestei a eles o serviço do amor, do perdão, proporcionando vida de acordo com suas necessidades. Eucaristia é serviço, é partilha de dons, de vida!

Reflexão do Pe. Cesar Augusto dos Santos

Fonte: Vatican News

 

 

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As celebrações da Semana Santa 2019

O Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice notificou as cerimônias da Semana Santa 2019

Cidade do Vaticano

A Semana Santa 2019 terá início dia 14 de abril, Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor e XXXIV Jornada Mundial da Juventude. Neste ano a JMJ terá uma celebração diocesana com o tema: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38)”. Na ocasião o Papa Francisco presidirá a Santa Missa às 10 horas, (5h da manhã, hora de Brasília) na Praça São Pedro depois da Bênção dos Ramos.

Na Quinta-feira Santa, 18 de abril o Pontífice preside na Basílica Vaticana, às 9h30 (4h30, Brasília), a concelebração da Santa Missa Crismal, junto com os patriarcas, os cardeais, os arcebispos, os bispos e os presbíteros presentes em Roma.

Sexta-feira Santa, 19 de abril, celebração da Paixão do Senhor na Basílica de São Pedro. Neste dia, o Papa presidirá às 17 horas (12h, Brasília) a Liturgia da Palavra, a adoração da Cruz e o rito da comunhão. Às 21h15 (16h15, Brasília), o Papa irá ao Coliseu para a Via-Sacra, no final da qual dirigirá algumas palavras aos fiéis presentes e dará a bênção apostólica.

No Sábado Santo, 20 de abril, às 20h30 (15h30, Brasília), celebração da grande Vigília Pascal. No átrio da Basílica haverá a celebração da Luz, a bênção do fogo e a preparação do Círio Pascal. Segue a procissão até o altar da Cátedra com o Círio Pascal acompanhado pelo canto Exsultet. Em seguida o Pontífice preside a Liturgia da Palavra, a Liturgia Batismal e a Liturgia Eucarística.

A Semana Santa terá a sua conclusão com a Santa Missa de Páscoa que está programada para o domingo, 21 de abril, às 10h (5h, Brasília) na Praça São Pedro. No final da celebração, do balcão da basílica, o Papa fará a bênção “Urbi et Orbi”.

Todas as celebrações presididas pelo Santo Padre serão transmitidas pela Rádio Vaticano – Vatican News, com comentários em português.

Fonte: Vatican News

 

 

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A solidariedade do mundo católico pela Notre Dame de Paris

Bispos e arcebispos abalados com o incêndio da Catedral de Notre Dame também assistiram com tristeza “queimar 800 anos de patrimônio comum da fé”. Através das redes sociais, as mensagens de solidariedade e o convite para a reconstrução do espaço sagrado, em campanha já motivada pelo presidente francês, Emmanuel Macron.

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

Ainda na noite desta segunda-feira (15), enquanto as chamas consumiam a Catedral de Notre Dame, símbolo de Paris e segunda igreja mais visitada da Europa, depois da Basílica de São Pedro, os bispos da França expressavam imensa tristeza, assegurando proximidade e orações pela diocese. Em comunicado, disseram que a Notre Dame vai continuar a ser um símbolo importante da fé católica e um lugar para todos, católicos ou não.

Patrimônio comum da fé

Da Itália, os bispos enviaram “um abraço fraterno ao arcebispo de Paris, Michel Aupetit, e a todos os fiéis da cidade e da França inteira”, numa união de orações a todos que “veem queimar 800 anos de patrimônio comum da fé”. O arcebispo de Cantuária e Primaz da Igreja Anglicacna, Justin Welby, também pediu orações pelo povo da França e de todo o mundo que chorou “pelo belíssimo lugar sagrado onde milhões de pessoas encontraram Jesus”, terminando a mensagem em francês: “Nous sommes avec vous”, estamos com vocês.

A reconstrução de Notre Dame

Neste momento de tristeza que envolve o mundo inteiro, o card. Vincent Nichols, de Londres, convidou todos a rezar para que, “com um esforço compartilhado, o edifício seja reestruturado”, um espaço considerado “emblemático, visitado por milhões de pessoas, mas sobretudo um símbolo de fé, que está no coração da Europa”. De Viena, o card. Christoph Schonborn usou as redes sociais para abraçar a causa e dizer o quanto estava “profundamente abalado”, ao ver as fotos de Paris: “Notre Dame é o coração de Paris. Todos precisam ajudar a reconstruir a Notre Dame”.

Campanhas para reerguer a catedral

De fato, após as chamas que, na noite desta segunda-feira (15) consumiram a catedral e comoveram o mundo, o pensamento agora é na reconstrução. O presidente francês, Emmanuel Macron, já anunciou o lançamento de uma campanha para reconstruir as partes atingidas pelo fogo: “a Notre-Dame de Paris é nossa história, nossa literatura. É o epicentro de nossa vida. Trata-se da catedral de todos os franceses, mesmo daqueles que nunca vieram aqui”, disse Macron.

Das agências de notícias chega a notícia de que a família francesa Pinault, dona de um banco de investimentos e de um grupo especializado em artigos de luxo, colocou 100 milhões de euros (cerca de 438 milhões de reais) à disposição para a reconstrução da catedral.

Fonte: Vatican News

 

 

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Incêndio na Catedral de Notre Dame: a oração do Papa Francisco

Diretor interino manifestou a proximidade do Papa Francisco aos católicos franceses e à população de Paris. As chamas foram apagadas e a situação está sob controle.

Cidade do Vaticano

O Papa Francisco manifestou sua proximidade à França e sua oração aos católicos franceses e a toda a população de Paris, que está sob choque em consequência do terrível incêndio que assolou a Catedral de Notre Dame. Através de um tuíte do Diretor interino da Sala de Imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti, o Papa garante também suas orações “a todos os que tentam enfrentar esta dramática situação”.

Na noite de segunda-feira, o Diretor interino afirmou que “a Santa Sé acolheu com choque e tristeza” a notícia do incêndio. A Catedral é “símbolo da cristandade na França e no mundo. Expressamos proximidade aos católicos franceses e à população de Paris e garantimos as nossas orações aos bombeiros e aos que estão fazendo o possível para fazer frente a esta dramática situação”.

Paris

O Arcebispo de Paris, Dom Michel Aupetit, convidou à oração e pediu aos párocos da capital francesa que toquem os sinos de suas igrejas. O incêndio não deixou indiferente o Reitor da Mesquita de Paris, Dr. Dalil Boubakeur, que falou de “terrível espetáculo”, pedindo a proteção divina para este “monumento precioso aos nossos corações”.

Cardeal brasileiro

O arcebispo emérito de São Paulo, Card. Cláudio Hummes, afirmou ao Vatican News que acompanha com tristeza esta “cena trágica”, recordando que em 2010 foi convidado pelo então arcebispo Dom Vingtrois para celebrar na Catedral no feriado de 15 de agosto. “Fui e levo uma lembrança linda, sagrada e monumental desta Basílica que agora o incêndio está destruindo”.

Desolação

Um incêndio de grandes proporções está devastando a Catedral de Notre Dame em Paris. Imagens divulgadas nas redes sociais, especialmente no Twitter, mostram chamas e uma densa coluna de fumaça saindo do teto da catedral e da torre. 400 bombeiros trabalham no combate às chamas.

O incêndio teve início no local onde se realizavam trabalhos de restauração, em particular no teto. Cerca de 650 turistas estavam dentro da Catedral quando as chamas tiveram início. Os bombeiros receberam o aviso do incêndio às 18h50.

“Um terrível incêndio está em curso na Catedral de Notre Dame de Paris”, escreveu no Twitter a prefeita da capital francesa, Anne Hidalgo. Os bombeiros “estão tentando controlar as chamas. Eles trabalham em conjunto” com a Diocese de Paris. “Eu convido todos a respeitar o perímetro de segurança!”

André Finot, porta-voz da catedral, informou que toda a estrutura do teto está em chamas e “não restará nada”. Pouco antes das 20 horas, uma das torres desabou. Logo depois, o teto de madeira.

O clima é de desolação entre os parisienses e os milhares de turistas que visitam a capital francesa. Agora à noite, grupos de fiéis aproximaram-se o máximo que puderam da Catedral, rezando e entoando cânticos, mesmo em meio às lágrimas.

A Catedral passava por reformas, especialmente no teto. Curiosamente, diversas imagens de Santos foram retiradas recentemente do alto da Catedral com gruas, para serem restauradas em uma localidade nos arredores de Paris.

A Catedral Metropolitana de Nossa Senhora (em francês: Cathédrale métropolitaine Notre-Dame; em latim: Ecclesia Cathedralis Nostrae Dominae), também conhecida como a Catedral de Notre Dame ou simplesmente Notre Dame, é o principal local de culto católico em Paris, Catedral da Arquidiocese de Paris, cujo arcebispo metropolitano é também primaz da França. Iniciada sua construção no ano de 1163, é dedicada a Maria, Mãe de Jesus Cristo. Levou 180 anos para ser construída. Em dezembro deste ano completaria 857 anos.

A Catedral, localizada na parte oriental da Île de la Cité, no coração da capital francesa, na praça de mesmo nome, representa um das construções góticas mais famosos do mundo e é um dos monumentos mais visitados de Paris. Anualmente recebe cerca de 13 milhões de turistas e fiéis, de todas as partes do mundo.

De acordo com a lei francesa sobre a separação de Estado e Igreja de 1905, o edifício é de propriedade do Estado francês, como todas as outras catedrais construídas pelo Reino da França, e seu uso é atribuído à Igreja Católica.

A catedral – basílica menor desde 27 de fevereiro de 1805 – é um monumento histórico da França desde 1862 e Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1991.

Fonte: Vatican News

 

 

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Francisco visita Bento XVI e o felicita pela Páscoa e aniversário

Esta tarde, no início da Semana Santa, o Papa Francisco foi ao mosteiro “Mater Ecclesiae”, nos Jardins do Vaticano, para levar a Bento XVI seus votos de Feliz Páscoa e também, “com particular afeto”, os seus parabéns pelo aniversário. O Papa emérito fará 92 anos amanhã.

Cidade do Vaticano

No início da Semana Santa, o Papa Francisco foi na tarde desta segunda-feira (15/04) ao Mosteiro Mater Ecclesiae para fazer seus votos de Feliz Páscoa a Bento XVI.

O encontro foi também uma ocasião para o Santo Padre felicitar com carinho especial o Papa emérito, que amanhã (16/04) celebrará o seu 92º aniversário.

A informação foi divulgada pelo Diretor interino da Sala de Imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti.

Fonte: Vatican News

 

 

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Os 92 anos de Bento XVI e aquele “caminho penitencial” que une dois pontificados

O aniversário do Papa emérito este ano é acompanhado do debate em torno de seu escrito sobre os abusos. Uma leitura de três documentos que unem os dois últimos Bispos de Roma no combate a esta chaga

Andrea Tornielli

O Papa emérito alcança a marca dos 92 anos e desta vez o aniversário é acompanhado por um veemente debate em torno de um escrito seu, algumas “anotações” suas – como ele mesmo as chamou – dedicadas ao tema dos abusos sobre menores. Naquele texto, Bento XVI se pergunta quais são as respostas justas à chaga dos abusos e escreve: “O antídoto ao mal que nos ameaça a nós e ao mundo inteiro não pode deixar de consistir no fato que nos abandonemos” ao amor de Deus. Não pode haver nenhuma esperança numa Igreja feita por nós, construída pelas mãos do homem, que confia nas próprias capacidades. “Se refletimos sobre o que fazer é claro que não precisamos de outra Igreja por nós inventada”. Hoje, “a Igreja é em grande parte vista somente como uma espécie de aparato político” e “a crise causada por muitos casos de abuso por obra de sacerdotes induz a considerar a Igreja até mesmo como algo malsucedido que devemos com decisão tomar em punho nós mesmos e formar de modo novo. Mas uma Igreja feita por nos não pode representar nenhuma esperança”.

 

Pode ser útil ressaltar, celebrando o aniversário de Joseph Ratzinger, a atitude que tanto Bento XVI quanto seu sucessor Francisco teve diante dos escândalos e dos abusos sobre menores. Uma resposta pouco midiática e pouco reboante, que não se presta a ser reduzida a slogan. É uma resposta que não confia nas estruturas (embora necessárias), nas novas normas emergenciais (igualmente necessárias) ou nos protocolos sempre mais detalhados e meticulosos para garantir a segurança das crianças (em todo caso, indispensáveis): todos instrumentos úteis já definidos ou em via de definição.

A resposta de Bento XVI, por primeiro, e de Francisco, depois, é uma resposta profundamente e simplesmente cristã. Para compreender isso basta reler três documentos. Três cartas ao povo de Deus: à Irlanda, ao Chile e ao mundo inteiro, que dois Papas escreveram nos momentos de maior tensão causados pelos escândalos.

Escrevendo aos fiéis da Irlanda, em março de 2010, o Papa Ratzinger explicava que “as medidas para ocupar-se de modo justo de cada crime singularmente considerado são essenciais, todavia, sozinhas não são suficientes: é preciso uma nova visão para inspirar a geração presente e as futuras a aprender do dom da nossa fé comum”.

Bento XVI convidava “todos a dedicar suas penitências da sexta-feira, durante um ano inteiro, até a Páscoa de 2011, a esta finalidade. Peço-lhes que ofereçam seu jejum, sua oração, sua leitura da Sagrada Escritura e suas obras de misericórdia pelo alcance da graça da cura e da renovação para a Igreja na Irlanda. Encorajo-os a redescobrir o sacramento da reconciliação e a servir-se com maior frequência da força transformadora da sua graça”.

“Deve-se dar também particular atenção à adoração eucarística”, acrescentava o Papa. Oração, adoração, jejum e penitência. A Igreja não enxerga inimigos externos, tem consciência de que o ataque mais forte vem de inimigos internos e do pecado na Igreja. E o remédio proposto é a redescoberta do essencial da fé e de uma Igreja “penitencial”, que se reconhece necessitada de perdão e de ajuda do Alto. O coração da mensagem, imbuído de humildade, dor, vergonha, contrição, mas ao mesmo tempo aberto à esperança, é o olhar cristão, evangélico.

Oito anos mais tarde, em 1º de junho de 2018, foi publicada outra carta de um Papa aos cristãos de um país atingido pelo escândalo da pedofilia. Trata-se da carta que Francisco enviou aos chilenos. “Recorrer a vocês, pedir-lhes orações – escreve – não foi uma solicitação funcional, tampouco um gesto de boa vontade”, mas, pelo contrário, “eu quis colocar o tema onde deve ser colocado: a condição do povo de Deus… A renovação da hierarquia eclesial em si mesma não gera a transformação à qual o Espírito Santo nos impele. Somos chamados a promover, juntos, uma transformação eclesial que nos envolva a todos”.

O Papa Bergoglio insiste sobre o fato que a Igreja não se constrói por si, não confia em si mesma: “Uma Igreja com as chagas não se coloca no centro, não se crê perfeita, não busca cobrir ou dissimular seu mal, mas coloca aí o único que pode sanar as feridas e que tem um nome: Jesus Cristo”.

Chega-se assim a 20 de agosto de 2018, à carta de Francisco ao povo de Deus sobre o tema dos abusos. Trata-se da primeira de um Pontífice endereçada sobre esse tema aos fiéis do mundo inteiro. Também este novo apelo ao povo de Deus se conclui do mesmo modo:

“A oração e a penitência serão de ajuda. Convido todo o santo povo fiel de Deus ao exercício penitencial da oração e do jejum segundo a recomendação do Senhor, que desperta a nossa consciência, a nossa solidariedade e o nosso compromisso por uma cultura da proteção e do ‘nunca mais’ em relação a todo tipo e forma de abuso.”

Além disso, a penitência e a oração “nos ajudarão a sensibilizar nossos olhos e nosso coração diante do sofrimento dos outros e a vencer a avidez de domínio e de posse que muitas vezes se torna raiz destes males”.

Mais uma vez, Francisco sugere um caminho penitencial, muito distante de qualquer triunfalismo – como reiterado na homilia deste Domingo de Ramos – e da imagem de uma Igreja forte e protagonista, que busca esconder suas fraquezas e seu pecado. A mesma proposta de seu predecessor.

Fonte: Vatican News

 

 

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Papa Francisco: Jesus permanece fiel ao caminho da humildade

“Uma forma sutil de triunfalismo é a mundanidade espiritual, que é o maior perigo, a mais pérfida tentação que ameaça a Igreja. Jesus destruiu o triunfalismo com a sua Paixão”, disse Francisco, convidando os jovens, nesta Jornada Mundial da Juventude diocesana, a não terem vergonha de manifestar o seu entusiasmo por Jesus.

Mariangela Jaguraba – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco presidiu a missa, deste Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (14/04), na Praça São Pedro, que contou com a participação de milhares de fiéis.

A liturgia solene da Paixão do Senhor começou com a bênção dos ramos de oliveira, perto do obelisco situado no centro da Praça São Pedro. A seguir, houve a procissão até o adro da Basílica de São Pedro.

Em sua homilia, Francisco destacou que Jesus nos mostra no Evangelho deste domingo “como enfrentar os momentos difíceis e as tentações mais insidiosas, guardando no coração uma paz que não é isolamento, não é ficar impassível nem fazer o super-homem, mas confiante abandono ao Pai e à sua vontade de salvação, de vida e misericórdia”.

Jesus nos mostra o caminho

Na sua entrada em Jerusalém, Jesus “também nos mostra o caminho. Nesse acontecimento, o maligno, o príncipe deste mundo, tinha uma carta para jogar: a carta do triunfalismo, e o Senhor respondeu permanecendo fiel ao seu caminho, o caminho da humildade”.

Segundo o Papa, “o triunfalismo procura tornar a meta mais próxima por meio de atalhos, falsos comprometimentos. Aposta na subida para o carro do vencedor. O triunfalismo vive de gestos e palavras, que não passaram pelo cadinho da cruz; alimenta-se da comparação com os outros, julgando-os sempre piores, defeituosos e falhos… Uma forma sutil de triunfalismo é a mundanidade espiritual, que é o maior perigo, a mais pérfida tentação que ameaça a Igreja. Jesus destruiu o triunfalismo com a sua Paixão”.

“O Senhor realmente aceitou e alegrou-se com a iniciativa do povo, com os jovens que gritavam o seu nome, aclamando-o Rei e Messias. O seu coração rejubilava ao ver o entusiasmo e a festa dos pobres de Israel, de tal maneira que, aos fariseus que lhe pediam para censurar os discípulos pelas suas escandalosas aclamações, Jesus respondeu: «Se eles se calarem, as pedras gritarão». Humildade não significa negar a realidade, e Jesus é realmente o Messias, o Rei.”

O Pontífice frisou que “ao mesmo tempo o coração de Cristo encontra-se noutro caminho, no caminho santo que só Ele e o Pai conhecem: aquele que vai da «condição divina» à «condição de servo», o caminho da humilhação na obediência «até à morte e morte de cruz».”

Dar espaço a Deus

Jesus “sabe que, para chegar ao verdadeiro triunfo, deve dar espaço a Deus; e, para dar espaço a Deus, há somente uma maneira: o despojamento, o esvaziamento de si mesmo. Calar, rezar, humilhar-se. Com a cruz, não se pode negociar: se deve abraçá-la ou recusá-la. E, com a sua humilhação, Jesus quis abrir-nos o caminho da fé e preceder-nos nele”.

O Papa recordou que, atrás de Jesus, a primeira a percorreu esse caminho “foi a sua Mãe, Maria, a primeira discípula. A Virgem e os santos tiveram que padecer para caminhar na fé e na vontade de Deus. No meio dos acontecimentos duros e dolorosos da vida, responder com a fé custa «um particular aperto do coração». É a noite da fé. Mas, só desta noite é que desponta a aurora da ressurreição. Aos pés da cruz, Maria repensou nas palavras com as quais o Anjo lhe anunciou o seu Filho: «Ele será grande (…). O Senhor Deus dará a ele o trono de seu pai Davi, reinará para sempre sobre a casa de Jacó e o seu reino não terá fim».”

Francisco sublinhou que “no Gólgota, Maria se depara com a negação total daquela promessa: o seu Filho agoniza numa cruz como um malfeitor. Deste modo o triunfalismo, destruído pela humilhação de Jesus, foi igualmente destruído no coração da Mãe; ambos souberam calar”. Depois de Maria, vários santos e santas “seguiram Jesus pelo caminho da humildade e da obediência”.

Jornada Mundial da Juventude diocesana

Celebra-se também neste domingo a 34ª Jornada Mundial da Juventude. As JMJ são realizadas anualmente no âmbito diocesano, no Domingo de Ramos. Este ano, o tema da Jornada Mundial da Juventude diocesana é “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38)”. A esse propósito o Papa disse:

“Hoje, Jornada Mundial da Juventude, quero lembrar os inúmeros santos e santas jovens, especialmente os da «porta ao lado», que só Deus conhece e que às vezes Ele gosta de nos revelar de surpresa. Queridos jovens, não tenham vergonha de manifestar o seu entusiasmo por Jesus, gritar que Ele vive, que é a sua vida. Mas, ao mesmo tempo não tenham medo de segui-lo pelo caminho da cruz. E quando sentirem que Ele lhes pede para renunciar a si mesmos, para se despojar das próprias seguranças confiando completamente no Pai que está nos céus, então alegrem-se e exultem! Vocês estão no caminho do Reino de Deus.”

Silêncio de Jesus

Segundo o Papa, “é impressionante o silêncio de Jesus na sua Paixão. Vence inclusivamente a tentação de responder, de ser «midiático». Nos momentos de escuridão e grande tribulação, é preciso ficar calado, ter a coragem de calar, contanto que seja um calar manso e não rancoroso”.

“A mansidão do silêncio nos fará parecer ainda mais frágeis, mais humilhados, e então o demônio, ganhando coragem, sairá. Será necessário resistir-lhe em silêncio, «conservando a posição», mas com a mesma atitude de Jesus. Ele sabe que a guerra é entre Deus e o príncipe deste mundo, e não se trata de empunhar a espada, mas de permanecer calmos, firmes na fé. Enquanto esperamos que o Senhor venha e acalme a tempestade, com o nosso testemunho silencioso na oração, demos a nós mesmos e aos outros a «razão da esperança que está em [nós]»”, concluiu Francisco.

Fonte: Vatican News

 

 

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Reflexão para o Domingo de Ramos

Celebremos a Paixão e a Páscoa de Jesus, acolhendo o pecador, partilhando nossa fé na vitória da Vida e do perdão!

Cidade do Vaticano

A Ceia, a última Ceia de Jesus, é a prefiguração de sua entrega a Deus por nós e a conclusão de sua missão. Nela ele promete a restauração da humanidade e nos associa ao seu destino. “Fazei isto em memória de mim” é um mandamento convite para nos identificarmos com ele, para repartirmos nossa vida com os outros. Quando celebramos a Eucaristia, o “partir o pão eucarístico” é porque já o fizemos com nosso pão diário e com toda a nossa vida e pretendemos continuar nesse partilhar nossa vida.

Também dentro do contexto eucarístico Lucas nos coloca a atitude cristã do serviço, do ser o último. Jesus diz: “Entre vós o maior seja como o mais novo, e o que manda, como quem está servindo”. “…estou no meio de vós como aquele que serve.” Servir, dentro da visão cristã, significa ocupar mesmo o último lugar, ser autoridade significa servir!

São Lucas, no relato da Paixão, destaca a bondade e a misericórdia do senhor.

No Horto das Oliveiras, Jesus impede que Pedro pague mal com mal, e lhe diz para “guardar sua espada dentro da bainha”. A atitude dos cristãos para com seus adversários deverá ser a do perdão. Para Jesus, o seu discípulo não tem inimigo, aliás, o inimigo, aquele que deverá ser destruído, esmagado é o demônio. Os demais, os que fazem mal são vistos como adversários que deverão ser trabalhados para que se libertem do mal e se salvem.

Mais adiante, dentro do relato da paixão, ao ser negado por aquele a quem confiaria as suas ovelhas – Pedro -, olha-o com carinho e compreensão por sua fraqueza e a reação de Pedro foram as lágrimas de profundo arrependimento. Por isso, por essa experiência e por outras, Pedro escreveu em sua primeira Carta: “ultrajado, não retribuía com idêntico ultraje; ele, maltratado não proferia ameaças” (1Pd2, 23).

Antes de dar o último suspiro Jesus disse: “Pai, perdoa-lhes este pecado, porque não sabem o que fazem!” (Lc 23,34)

Em seu relato, São Lucas comenta a atitude de pessoas como Herodes e as mulheres que estavam pelo caminho do calvário. Herodes vê Jesus como um proporcionador de benefícios. Mas Jesus não é um mercador, mas sim alguém que age em nome do Pai. Diante das mulheres que choram pelo caminho ao ver suas dores, Jesus reconhece nelas e em seus filhos os frágeis que penam por causa do interesse dos poderosos.

Finalmente Lucas apresenta Jesus morrendo entre dois bandidos. Ele nasceu entre animais, em uma estrebaria e suas primeiras visitas foram os pastores, gente impura para os judeus. Mais tarde chegam os magos, pagãos! Também ao longo de sua vida Jesus se relaciona continuamente com os desprezados da sociedade de seu tempo, os considerados impuros, como os publicanos, as meretrizes, os pecadores. Agora, na hora da morte, seus companheiros são bandidos! Seus discípulos se mantêm à distância, mas ao lado estão os dois ladrões. Mas longe de ser demérito, isto é legitimação da vida do Redentor.

Ele não veio para salvar os pecadores? Pois é! Ele volta para o pai com as mãos cheias! Leva consigo Dimas, o bandido que foi recuperado na última hora e que ele mesmo, Jesus, garantiu que estaria com ele no céu, “ainda hoje”. Leva também, só que mais tarde, o oficial romano que declarou: “De fato! Este homem era justo!” Leva tantos pecadores convertidos pelos seus gestos de acolhida, de perdão, de vida!

Fazei isto em minha memória, tomai e comei, partilhar a vida! Celebremos a Paixão de Jesus, sua Páscoa, acolhendo o pecador, partilhando nossa fé na vitória da Vida, na certeza da vitória do perdão! O que recebemos de graça, de graça devemos dar. Recebemos o perdão de Deus mediante a redenção de Jesus Cristo!

Pe. Cesar Augusto dos Santos

Fonte: Vatican News

 

 

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O Papa beija os pés dos líderes do Sudão do Sul pela paz

Em gesto inédito, no final de seu discurso de encerramento do retiro espiritual o Papa Francisco inclinou-se para beijar os pés dos líderes do país reunidos para a iniciativa de paz. Entre eles, o presidente da República do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit, e aos vice-presidentes designados, entre os quais Riek Machar e Rebecca Nyandeng De Mabio. No encontro o Papa confirma seu desejo de ir ao Sudão do Sul

Silvonei José – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco espera poder visitar o Sudão do Sul num futuro próximo. Ele mesmo confirmou isso, nesta quinta-feira (11/04), no discurso de conclusão de dois dias de retiro espiritual para a paz que trouxe ao Vaticano autoridades civis e eclesiásticas do Sudão do Sul.

“Confirmo o meu desejo e a minha esperança de poder ir ao vosso amado país num futuro próximo, com a graça de Deus, junto com os meus queridos irmãos aqui presentes”: entre  eles, o arcebispo de Cantuária, Welby.

O Papa Francisco exortou os líderes políticos do Sudão do Sul a cumprirem o compromisso de paz que assinaram no ano passado, rezando com eles hoje após dois dias de um retiro espiritual sem precedentes no Vaticano. E acrescentou improvisando:

“A vocês três que assinaram o Acordo de Paz, peço-lhes, como irmão, que permaneçam na paz. Peco-lhes com o coração. Vamos seguir em frente. Haverá muitos problemas, mas não tenham medo, vão em frente, resolvam os problemas. Vocês iniciaram um processo: que termine bem. Haverá lutas entre vocês dois, sim. Que elas ocorram dentro do escritório; diante do povo, as mãos unidas. Assim, de simples cidadãos, vocês se tornarão Pais da Nação. Permitam-me pedir isso com o coração, com os meus sentimentos mais profundos”, disse o Papa.

No final de seu discurso de encerramento do retiro espiritual o Papa Francisco inclinou-se para beijar os pés dos líderes do país reunidos para a iniciativa de paz. O Papa beijou os pés ao presidente da República Salva Kiir Mayardit e aos vice-presidentes-designados presentes, entre os quais Riek Machar e Rebecca Nyandeng De Mabior.

No final do encontro os participantes receberam uma Bíblia assinada por Francisco, pelo arcebispo de Cantuária e pelo reverendo John Chalmers da Igreja Presbiteriana da Escócia, com a mensagem “Buscai o que une, superai o que divide”, e o Papa deu-lhes a sua bênção.

O Sudão do Sul, com uma população maioritariamente cristã, obteve a sua independência ao separar-se do Norte árabe e muçulmano em 2011, mas no final de 2013 mergulhou num conflito civil causado pela rivalidade entre o presidente, Salva Kiir, e o seu então vice-presidente, Riek Machar.

Fonte: Vatican News

 

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Assessoria de Imprensa da CNBB inaugura checagem com notícia sobre o Missal Romano

A partir de hoje, 11/4, a Assessoria de Imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) passa a oferecer um serviço de checagem de notícias relacionadas à CNBB que são divulgadas por diversas plataformas e redes sociais. Trata-se de estabelecer, com este serviço, a verdade sobre os fatos num contexto que, respaldados pela liberdade de expressão, assegurada pela Constituição Federal de 1988, grupos e pessoas disseminam irresponsavelmente mentiras e falsas notícias (fakenews) sobre a entidade.

Num ambiente de pouca regulação de tais práticas, com esta iniciativa, pretendemos reforçar um imenso trabalho que vêm fazendo organizações e agências de checagem de notícias que surgiram no contexto da disseminação de fakenews em nosso país e no mundo. Hoje inclusive já existe a Internacional Fact-Checking Network, uma rede de experiências que vai se configurando e fortalecendo para combater tais práticas nocivas à verdade, à convivência plural e saudável, baseada na urbanidade e, até mesmo,  à democracia.

“E conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará”. Jo 8-32

Assessoria de Imprensa da CNBB

 

É mentira que a CNBB vai mudar o Missal Romano

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) informa que as notícias que vem sendo disseminadas em mídias sociais sobre a mudança do Missal Romano são infundadas. Cabe ressaltar que a tradução da terceira edição do Missal Romano, elaborada pela Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos da CNBB, atende a uma ordem vinda da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos do Vaticano, através da quinta instrução Liturgiam Authenticam, de 2001. Esta instrução serve de comentário sobre as traduções em língua vernácula dos textos da liturgia romana. A CNBB não muda, não tem o poder e não pode mudar o Missal Romano, ela apenas o traduziu para a linguagem vernacular, em nosso caso o português.

É importante deixar claro que todo o trabalho sério de tradução feito por uma Comissão de especialistas em doze anos de trabalho foi apresentado nas Assembleias Gerais da CNBB e, após a sua conclusão e aprovação pelos bispos do Brasil, foi encaminhado a Roma para aprovação do Vaticano. Este mesmo processo foi feito com a tradução da Bíblia Sagrada da CNBB. Diversas notícias sobre o processo de tradução do Missal Romano para o português foram publicadas ao longo dos últimos anos na página da CNBB, incluindo a notícia sobre a conclusão do trabalho feito pela Comissão de Especialistas. Reiteramos que as notícias oficiais da Igreja no Brasil podem ser conferidas no portal www.cnbb.org.br e informações oficiais do Vaticano estão disponíveis em https://www.vaticannews.va/pt.html

Assessoria de Imprensa da CNBB

 

 

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