Manifestação do ser

A palavra “ser” é a identidade material ou mesmo imaterial de alguma coisa, que engloba características objetivas e subjetivas de uma realidade. No caso da pessoa humana, é tudo aquilo que está inerente à sua existência, como fato real e concreto. Assim também falamos do ser e da presença de Deus, da sua real maneira de se manifestar com bondade divina e atitude graciosa de misericórdia.

O ser da pessoa se constrói por dentro. Ele começa pelo coração, mas tudo isto com responsabilidade e compromisso. Esse fato só acontece diante da abertura da mente e da sensibilidade de um coração transformado. O profeta diz: “Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne” (Ez 36,26).

Não faz bem ser pessoa de cabeça dura e sem compromisso sério com a vida, mesmo com toda a vulnerabilidade que acompanha o ser humano. Ficar fechado eternamente no próprio mundo pessoal e no individualismo intimista é condenar-se ao relativismo do ser e à infertilidade do bonito dom da vida. A grande virtude da colaboração corrobora com a construção de uma personalidade produtiva.

A grandeza do ser humano aparece como uma luz, ou como uma chave para a vida, fonte de fertilidade e capacidade de amar. A prática desta virtude tem total força para livrar a pessoa dos modos paralisantes e petrificados de viver. Não é saudável deixar roubar a grandeza interna própria do indivíduo, prejudicando seu dinamismo e autoestima, necessários para visualizar um futuro promissor.

A humanidade toda deve escolher sua maneira de ser para assegurar a realização de situações novas, dentro da diversidade da vida. Está nas mãos de todas as pessoas a conquista da dignidade e do ambiente naturalmente ecológico, que possibilita a realização da vida humana na terra. Investimos todos, de modo globalizado, para salvar o ser, ou caminhamos para um futuro sem esperança.

Dentro do que identifica o ser da pessoa humana está uma centelha divina, a possibilidade da presença graciosa das virtudes da fé, da esperança e da caridade. É a identidade do ser constituída de evidente capacidade para praticar a misericórdia, como caminho de convivência leve e acolhedora. Mas é preciso educar para esse perfil de vida saudável e fundamentado nos ensinamentos de Deus.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba

Compartilhe:

© Copyright Arquidiocese de Uberaba. Feito com por
© Copyright Arquidiocese de Uberaba. Feito com por