Assessor jurídico da CNBB promoveu momento informativo e formativo na Arquidiocese de Uberaba

Em março, o clero arquidiocesano, juntamente com secretários, secretárias, tesoureiros, tesoureiras, reuniu-se no Centro Pastoral João Paulo II para um momento de informação e formação com o assessor jurídico da CNBB Nacional, Dr. Hugo Sarubbi Cysneiros. A pauta abordada foi: “Organizações religiosas, aspectos jurídicos e administrativos”.

Dr. Hugo / Foto: Rejane Canedo

O assessor tem visitado todas as dioceses do Brasil, repassando orientações fundamentais para a gestão administrativa diocesana, paroquial e pessoal, conforme as exigências atuais da Receita Federal. Segundo ele, já faz alguns anos que a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) incentiva esses momentos junto ao clero, seja diretamente nas Dioceses ou em suas Regionais. Destacou que o nível de exigência, as regras de governança e transparência hoje com relação às questões administrativas, financeiras e jurídicas envolvendo as organizações religiosas são muito grandes. Não só as organizações religiosas, mas também todos os setores organizacionais da sociedade civil se têm tornado complexos.

“Infelizmente não é exagero dizer que muitas das nossas entidades não acompanharam esse dinamismo com a mesma velocidade que as mudanças exigiram. Esses encontros têm predominantemente caráter informativo, mas também uma face de formação. São principalmente para chamar a atenção do pároco, da secretária paroquial, do tesoureiro, advogado, contador, do ecônomo e do próprio bispo. Mostrar para todos que hoje se exige das organizações religiosas um nível de informação e de capacidade de gerar essa informação para o poder público que antigamente não se exigia”, explicou Dr. Hugo. Pare ele, é também um modo de evitar problemas de ordem tributária, trabalhista e contratual. “Chamar a atenção de nossos gestores para essa nova realidade.”

Dom Paulo Mendes Peixoto / Foto: Rejane Canedo

Para o arcebispo metropolitano de Uberaba, Dom Paulo Mendes Peixoto, este foi um dia fecundo, uma oportunidade de obter esclarecimentos oficiais sobre o que é exigido para a administração atual. “Nós queremos, logicamente, que nossa Igreja esteja em dia com as questões administrativas nas paróquias e na própria Arquidiocese. Que haja transparência e presteza naquilo que faz parte do compromisso de cada um de nós, seja do bispo, dos padres e dos secretários e tesoureiros paroquiais, para que possamos fazer tudo de forma correta e o mais transparente possível”, destacou o arcebispo.

Para o ecônomo da Arquidiocese de Uberaba, padre Juliano Evangelista, a Igreja não pode trabalhar com a hipótese do amadorismo. É preciso que os padres e funcionários entendam as implicações de continuar com o amadorismo sem conhecimento de causa. Devido às exigências do mundo moderno, é necessário profissionalizar as equipes, seja no âmbito das paróquias, seja nos conselhos econômicos e na equipe administrativa arquidiocesana.

“Para nossa Arquidiocese de Uberaba, é um momento ímpar, de suma importância diante das exigências do mundo moderno junto à Receita Federal, diante das questões tributárias, trabalhistas e a gestão do dinheiro dos fiéis. Nosso objetivo em trazer um profissional capacitado é ajudar nossos párocos e administradores com seus conselhos a poderem realmente dar passos corretos. Hoje nós, sacerdotes, não temos a formação profissional do gestor. Damos nosso suor, fazemos de tudo para acertar, mas nem sempre conseguimos. Hoje estamos buscando o conhecimento para colocá-lo em prática e termos a tranquilidade como gestores e também como párocos”, afirmou o ecônomo.

Pe. Juliano, ecônomo / Foto: Rejane Canedo

Rejane Canedo, coordenadora do Conselho Administrativo e Econômico (CAEP) da paróquia São Geraldo Majela, em Uberaba, destacou o tempo que vivemos de profunda desconfiança, temor e vigilância sob muitos aspectos: fiscais, jurídicos, financeiros e empresariais. “A Igreja não foge disso. Como instituição ou como uma grande empresa (não temos como fugir dessa regra), a Igreja está exposta a cobranças, legislações, obrigações diversas com o Estado, com o clero, com os leigos e tantos outros segmentos”, disse a coordenadora. Para ela, o encontro foi de grande valia.

“Dr. Hugo nos apresentou de forma prática inúmeras questões administrativas e jurídicas de nossa realidade como Igreja. Muitas dúvidas foram sanadas e muitos questionamentos foram levantados; percebemos muitas realidades paroquiais com dificuldades em comum. Somos Igreja? Sim. Igreja Pastoral? Sim. E administrativa? TAMBÉM. É tempo de enxergar a realidade do mundo em que vivemos. Abrir nossos horizontes para além dos muros de nossas paróquias. Refletir que algumas ‘burocracias’ são necessárias de fato e que estas devem ser sinal de organização, transparência e profissionalismo”, concluiu.

*Artigo publicado no Jornal Metropolitano Edição de Abril de 2019

 

Confira as entrevistas realizadas neste dia

Entrevista com o o assessor jurídico da CNBB Nacional, Dr. Hugo Sarubbi Cysneiros:

Entrevista com o arcebispo metropolitano de Uberaba, Dom Paulo Mendes Peixoto:

Entrevista com o ecônomo da Arquidiocese de Uberaba, Pe. Juliano Evangelista:

 

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