Em busca de um caminho para formar discípulos missionários de Jesus Cristo

Sobre as mudanças na catequese de nossa Arquidiocese

(Primeira Parte)

A V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho (Aparecida – 2007) sinalizou a iniciação cristã como urgência para a conversão pastoral e destaca o “grande desafio que questiona a fundo a maneira como estamos educando na fé e como estamos alimentando a experiência cristã” (Dap, n. 287).

A Igreja no Brasil, ao organizar cinco urgências da ação evangelizadora, identifica a segunda urgência como “Igreja: casa da iniciação à vida cristã” e apresenta a justificativa de que “cada tempo e lugar têm um modo característico para apresentar Jesus Cristo e suscitar nos corações o seguimento apaixonado não a algo, mas a sua pessoa, que a todos convida para com Ele vincular-se intimamente” (Doc. 94, n. 38, p. 47). E, além disso, “a mudança de época exige que o anúncio de Jesus Cristo não seja mais pressuposto, porém explicitado continuamente” (Doc. 102, n. 41, p. 36).

O Documento de Aparecida sugere um itinerário de formação do discípulo missionário de Jesus Cristo: (ver o documento). Diante disso, é possível admitir que “não se nasce cristão, tampouco torna-se cristão da noite para o dia, numa experiência de tipo místico/emocional. Um cristão se forja, se modela. Tornar-se cristão é um trabalho artesanal de paciência, escuta, leitura. É um trabalho de mergulho nas profundezas do grande mistério do encontro e do conhecimento de uma pessoa, Jesus Cristo” (Revista de Liturgia, n. 249 maio/junho 2015, p. 12).

Neste trabalho artesanal é que está inserido o itinerário formativo. Entende-se por itinerário um percurso processual, de vivências e novas descobertas. São elementos do itinerário catequético no processo de iniciação cristã: a) escuta da Palavra e o aprofundamento orgânico dela, a introdução na experiência da liturgia e da oração da Igreja; b) formação orgânica, sistemática e básica da fé cristã; c) itinerário de fé desenvolvido gradualmente e com progressão, articulado num processo que deve ser percorrido por etapas.

“Por isso, em relação com a iniciação cristã não é suficiente perguntar-se a respeito de como administrar e celebrar os sacramentos da iniciação cristã ou como preparar-se para eles. Temos de nos perguntar, antes de mais nada, como impulsionar e levar a bom termo, hoje, o processo de incorporação a Cristo na Igreja; o que deve fazer hoje a comunidade eclesial para constituir o cristão, para configurar e estabelecer sua personalidade como tal. A Igreja atual não pode renunciar ou minimizar o exercício de sua responsabilidade própria: a maternidade espiritual, pela qual gera novos filhos, pelo Espírito Santo, no mistério de Cristo” (Dicionário de Catequética, p. 603).

Trocando em miúdos: HOJE AS PESSOAS PROCURAM A CATEQUESE PARA CONHECER JESUS OU PARA FAZEREM PRIMEIRA COMUNHÃO E CRISMA? Faz um bom tempo que a ideia de sacramento está mais forte que o propósito do discipulado, haja vista o período de preparação. Vamos fazer uma conta? No período de um ano, o catequizando se prepara em 24 horas. Vejamos um exemplo:

Janeiro/Fevereiro – período de inscrição; Março/Abril/Maio/Junho/Julho – recesso escolar; Agosto/Setembro/Outubro – encontros de Catequese; Novembro/Dezembro – muitos aproveitam esse tempo para ensaios e encerramento do ano.

Levemos em consideração que a grande maioria das paróquias realizam o encontro em uma hora, uma vez por semana. Em um mês temos quatro horas de encontro: 7×4=28 encontros. Levando em conta imprevistos, festa do padroeiro, feriados, etc., essa conta cai para 24 encontros, ou seja, 24 horas de formação. Em dois anos, 48 horas de preparação da criança para a primeira comunhão. Muitas não participam da comunidade, nem à missa vão, mas a catequese para a primeira comunhão é importante.

O itinerário de formação do discípulo missionário tem por objetivo a adesão e o encantamento pela pessoa de Jesus Cristo, num percurso de fé e vida no qual os sacramentos são etapas significativas, marcadas pelo clima de festa e celebração, mas sem fim em si mesmos. A finalidade da iniciação cristã é a transformação/conversão radical da pessoa humana, participando no Mistério Pascal de Cristo, por meio dos três sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia. “Os sacramentos são o sujeito, e a iniciação, o efeito: se inicia com e pelos sacramentos, e não aos sacramentos. Mediante os sacramentos, na fé da Igreja, a pessoa é iniciada à experiência de Jesus Cristo” (Revista de Liturgia, n. 249, maio/junho 2015, p. 12).

As mudanças do método catequético têm como objetivo proporcionar um caminho, um itinerário que forme discípulos missionários e não apenas a busca e preparação para os sacramentos.

Na próxima matéria sobre este assunto, vamos apresentar o passo a passo do caminho, do itinerário. Espero que tal reflexão ajude na conscientização de que conhecer Jesus é extremamente importante.

Padre Fabiano Roberto
Assessor da Comissão Bíblico-Catequética

Primeira Comunhão de Carlos Eduardo Quirino dos Santos, celebrada pelo Pe. Fabiano Roberto, na Paróquia de São Geraldo Majela, no dia 29/10/2017

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