Os pastores, os pastorinhos e nós…

Fato sobremaneira significativo esse, do anúncio feito pelos Anjos aos pastores. No Evangelho de Lucas 2, 8-14, lemos o que aconteceu:

Na mesma região havia uns pastores que estavam nos campos e que durante as vigílias da noite montavam guarda a seu rebanho. O Anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor envolveu-os de luz; e ficaram tomados de grande temor. O anjo, porém, disse-lhes: “Não temais! Eis que eu vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: Nasceu-vos hoje um Salvador, que é o Cristo-Senhor, na cidade de Davi. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido envolto em faixas deitado numa manjedoura”. E de repente juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste a louvar a Deus dizendo: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens de boa vontade!”

 

Quantas vezes tivemos oportunidade de ler ou de escutar esse lindo trecho do Evangelho, um relato preciso e abençoado, que é como um quadro vivo, pintado com as palavras de São Lucas? Provavelmente, inúmeras vezes, tantas quantas foram as celebrações do Natal de Jesus das quais participamos ao longo de nossa existência. Mas, será que refletimos profundamente sobre essa passagem tão importante para todos e todas nós, inclusive para toda a humanidade, até mesmo para aqueles que não professam a nossa fé?

 

Já nos interrogamos diante de cada detalhe dessa narrativa do Evangelista Lucas? O primeiro pormenor precioso que nos salta à vista é que os primeiros convidados para visitarem o recém-nascido são os pastores. Justamente os pastores, censurados e desprezados pelos judeus porque não eram fiéis cumpridores da Lei Mosaica: trabalhavam em dia de Sábado, em virtude de suas ovelhas necessitarem de cuidados, de acompanhamento para poderem se alimentar no campo.

 

Não por acaso, foram, então, os pastores, trabalhadores humildes, os primeiros convidados a se aproximarem da Gruta de Belém: estava chegando ao mundo Aquele que vinha replicar para todos, durante toda a sua vida, o convite dos Anjos aos pastores. O Menino Deus que faria milagres em dia de Sábado, dentro da Sinagoga, diante de todos. O Evangelista Mateus nos conta esse momento em que Jesus, pela primeira vez, chamaria a atenção dos fariseus, para a natureza de sua missão: reunir e socorrer suas ovelhas! Alimentar cada uma, em espírito, com seus ensinamentos, curar cada uma para que assimilassem da melhor forma a Boa Nova que trazia, apontar o caminho da salvação para todas, na condição em que estivessem.

 

A cura do homem com a mão seca, em Mateus 12, 9-14, abre para nós a visão clara da perspectiva de oposição entre a misericórdia de Jesus e a rigidez impiedosa das autoridades judaicas. É a partir dessa atitude de Jesus que se instaura, entre os fariseus, o princípio da conspiração para eliminar o Cristo.

 

Diante do Presépio, portanto, é possível antever tantas realidades que se desdobrariam durante a vida pública de Jesus, já como que anunciadas em cada detalhe do seu nascimento… “Paz na Terra aos homens de boa vontade”!- cantaram os anjos e os pastores os escutaram…

 

O que significa ser um homem de boa vontade? Muitas interpretações podem ser feitas, quem tem uma “vontade boa”, tem desejo de fazer o bem, tem sentimento bom, sente amor em seu coração e quer manifestá-lo… Existe, no entanto, um diferencial profundo entre o desejo de fazer o bem de Jesus, entre a forma pela qual Ele é bom e a nossa…

 

Jesus não escolhe entre esta ou aquela pessoa segundo os critérios do mundo, mas, segundo a misericórdia divina que o anima e que manifesta incondicionalmente a todos, mediante suas atitudes de extrema compaixão. Todos são perdoados, somente não são perdoados aqueles que não admitem o próprio erro, não se arrependem e não pedem perdão.

 

Por essa razão, é sim, o Natal de Jesus, a festa, por excelência, da alegria celeste. São Lucas nos esclarece, ressaltando que:

“Quando os anjos os deixaram, em direção ao céu, os pastores disseram entre si: “Vamos já a Belém e vejamos o que aconteceu, o que o Senhor nos deu a conhecer”. Foram então às pressas, e encontraram Maria, José e o recém-nascido deitado na manjedoura. Vendo-o, contaram o que lhes fora dito a respeito do menino; e todos os que os ouviam ficavam maravilhados com as palavras dos pastores”. Lucas 2, 15-18.

 

Do ponto de vista profano, Jesus histórico, é o único personagem da história da humanidade cujo Natalício é comemorado no mundo inteiro. Não cabe aqui um aprofundamento deste fenômeno, mas, podemos refletir sobre ele a partir de Isaías 42, 1-4 :

“Eis o meu Servo, a quem escolhi, o meu Amado, em quem minha alma se compraz. Porei o meu Espírito sobre ele e ele anunciará o Direito às nações. Ele não discutirá, nem clamará; nem sua voz nas ruas se ouvirá. Ele não quebrará o caniço rachado nem apagará a mecha que ainda fumega, até que conduza o direito ao triunfo. E no seu nome as nações porão sua esperança”.

 

Colocar a esperança em Cristo é crer no amor, o amor que promove a justiça da qual floresce a paz. Deus é amor, nos diz João Evangelista e no Apocalipse encontramos esta afirmação singular: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida”. Apocalipse 21:6.

 

De certa forma, vamos todos a Belém em busca desta fonte de vida plena, fonte de amor que nos ensina, em sua misericórdia, em sua generosidade, a nos tornarmos fontes de amor no mundo. Esse é o sentido do Evangelho e a razão da alegria que desce dos Céus no Natal, para nós, para todos e todas nós, no mundo todo.

 

Mas, insistentemente, observemos, os convidados têm sido os humildes, os pecadores, os que sofrem. As aparições da Mãe de Jesus atestam: recordemos os Pastorinhos de Fátima. Nossa Senhora com seu Rosário, vem recomendar ao mundo que ore, ore promovendo a união, o espírito de solidariedade, de perdão, meditando os Mistérios da vida, do exemplo dado por seu Filho Jesus…

 

No segundo capítulo do seu Evangelho, no qual narra o nascimento de Jesus, São Lucas nos diz:

“Maria, contudo, conservava cuidadosamente todos esses acontecimentos e os meditava em seu coração. E os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, conforme lhes fora dito”. Lucas 2, 19-20.

 

Que este Tempo de Natal que antecede a Epifania do Senhor – a manifestação de Jesus como Filho de Deus e Salvador do mundo – nos proporcione reflexões profundas como as que Maria fez, guardando-as em seu coração. Como os pastores e como os pastorinhos que possamos glorificar e louvar a Deus com nossas vidas, mediante nossa boa vontade em sintonia com a Vontade do Pai que foi revelada através de Moisés e exemplificada em vida por Jesus. Ele respondeu ao fariseu que o interrogou:

“Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. Mateus 22, 37-40.

 

Quem, então, nos roubará esta alegria*? A alegria do Natal em que rememoramos o Nascimento de Jesus, meditamos sobre tudo o que ele significa e sobre o que recebemos e precisamos devolver a Deus, em sinal de gratidão. Nossa responsabilidade é grande: prossigamos em oração para que possamos dar o testemunho dos pastores, anunciando o Evangelho, partilhando a alegria do Evangelho, a esperança e a fé que cintilam em nossos corações mais do que todas as luzes do mundo acesas durante essa festividade tão abençoada.

 

As aparições de Maria Santíssima e suas palavras ternas que convidam à oração, à atitude de depositar nossa esperança em Deus, se sobrepõem ao momento em que ela esteve de pé diante da Cruz do sacrifício de seu Filho. Dificuldades, tristezas, imprevistos podem advir, mas, a certeza do amor de Deus por nós não se apaga no coração que cultiva a fé e pratica a caridade.

 

Rita De Blasiis

PASCOM da Paróquia Nossa Senhora de Fátima de Uberaba

 

* “O Senhor, porém, respondeu: “Marta, Marta, tu te inquietas e te agitas por muitas coisas; no entanto, pouca coisa é necessária, até mesmo uma só. Maria, com efeito, escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada”. Lucas 10, 41-42.

 

Uberaba, 04 de Janeiro de 2024.

 

 

 

LOS PASTORES, LOS PASTORCILLOS Y NOSOTROS…

 

Este es un hecho sumamente significativo, el anuncio hecho por los Ángeles a los pastores. En el Evangelio de Lucas 2, 8-14, leemos lo que sucedió:

En la misma región había unos pastores que estaban en el campo y que durante las vigilias nocturnas hacían guardia sobre su rebaño. Se les apareció el Ángel del Señor y la gloria del Señor los envolvió de luz; y se llenaron de gran temor. Pero el ángel les dijo: “¡No temáis! He aquí os proclamo un gran gozo, que será para todo el pueblo: porque hoy os ha nacido un Salvador, que es Cristo el Señor, en la ciudad de David. Esto os servirá de señal: encontraréis a un niño recién nacido envuelto en pañales, acostado en un pesebre. Y de repente una multitud del ejército celestial se unió al ángel para alabar a Dios, diciendo: “¡Gloria a Dios en las alturas de los cielos, y en la tierra paz entre los hombres de buena voluntad!”

 

¿Cuántas veces hemos tenido la oportunidad de leer o escuchar este hermoso pasaje del Evangelio, relato preciso y bendito, que es como un cuadro vivo, pintado con las palabras de San Lucas? Probablemente innumerables veces, tantas como las celebraciones de la Navidad de Jesús en las que hemos participado a lo largo de nuestra existencia. Pero, ¿hemos reflexionado profundamente sobre este pasaje tan importante para todos y cada uno de nosotros, incluso para toda la humanidad, incluso para aquellos que no profesan nuestra fe?

 

¿Nos hemos cuestionado ante cada detalle de este relato del evangelista Lucas? El primer detalle precioso que nos llama la atención es que los primeros invitados en visitar al recién nacido son los pastores. Precisamente los pastores, censurados y despreciados por los judíos porque no eran fieles seguidores de la Ley Mosaica: trabajaban en sábado, porque sus ovejas necesitaban cuidados y vigilancia para poder alimentarse en el campo.

 

No fue casualidad que los pastores, humildes trabajadores, fueran los primeros invitados en acercarse a la Gruta de Belén: llegaba al mundo Aquel que venía a replicar la invitación de los Ángeles a los pastores. El Niño Dios que hacía milagros los sábados, dentro de la Sinagoga, delante de todos. El evangelista Mateo nos habla de este momento en el que Jesús, por primera vez, llamaría la atención de los fariseos sobre la naturaleza de su misión: ¡reunir y ayudar a sus ovejas! Alimentad a cada uno, en espíritu, con sus enseñanzas, sanad a cada uno para que pueda asimilar mejor la Buena Nueva que él trajo, señalad el camino de salvación a todos, en las condiciones en que se encontraban.

 

La curación del hombre con la mano seca, en Mateo 12, 9-14, nos abre una visión clara de la perspectiva de oposición entre la misericordia de Jesús y la rigidez despiadada de las autoridades judías. Es a partir de esta actitud de Jesús que se estableció entre los fariseos el inicio de la conspiración para eliminar a Cristo.

 

Frente al Belén, por tanto, es posible vislumbrar tantas realidades que se desarrollarán durante la vida pública de Jesús, como anunciadas en cada detalle de su nacimiento… “¡Paz en la tierra a los hombres de buena voluntad”! – cantaron los ángeles y los pastores los escucharon…

 

¿Qué significa ser un hombre de buena voluntad? Se pueden hacer muchas interpretaciones, quien tiene “buena voluntad”, tiene deseo de hacer el bien, tiene un buen sentimiento, siente amor en su corazón y quiere expresarlo… Hay, sin embargo, una diferencia profunda entre el deseo hacer el bien de Jesús, entre el modo en que Él es bueno y el nuestro…

 

Jesús no elige entre tal o cual persona según los criterios del mundo, sino según la misericordia divina que lo anima y que manifiesta incondicionalmente a todos, a través de sus actitudes de extrema compasión. Todos son perdonados, sólo aquellos que no admiten su error, no se arrepienten y no piden perdón no son perdonados.

 

Por eso es, sí, la Navidad de Jesús, la fiesta por excelencia de la alegría celestial. San Lucas nos aclara, destacando que:

“Cuando los ángeles los dejaron, dirigiéndose hacia el cielo, los pastores dijeron entre ellos: “Vayamos a Belén y veamos lo que ha sucedido, lo que el Señor nos ha hecho saber”. Entonces fueron apresuradamente y encontraron a María, a José y al niño recién nacido acostados en el pesebre. Cuando lo vieron, le contaron lo que les habían dicho del niño; y todos los que los oían quedaban asombrados de las palabras de los pastores”. Lucas 2, 15-18.

 

Desde un punto de vista profano, el Jesús histórico es el único personaje de la historia de la humanidad cuya Navidad se celebra en todo el mundo. No es necesario profundizar aquí en este fenómeno, pero podemos reflexionar sobre él basándonos en Isaías 42, 1-4:

“He aquí mi Siervo, a quien he elegido, mi Amado, en quien mi alma se deleita. Pondré mi Espíritu sobre él y proclamará la Ley a las naciones. No discutirá ni gritará; ni se oirá tu voz en las calles. No quebrará la caña cascada ni apagará el pábilo que humea hasta llevar el derecho al triunfo. Y en su nombre pondrán su esperanza las naciones”.

 

Poner la esperanza en Cristo es creer en el amor, el amor que promueve la justicia del que florece la paz. Dios es amor, nos dice Juan Evangelista y en el Apocalipsis encontramos esta singular afirmación: “Yo soy el Alfa y la Omega, el principio y el fin. Al que tenga sed, le daré gratuitamente de la fuente del agua de la vida”. Apocalipsis 21:6.

 

En cierto modo, todos vamos a Belén en busca de esta fuente de vida plena, fuente de amor que nos enseña, en su misericordia, en su generosidad, a convertirnos en fuentes de amor en el mundo. Éste es el significado del Evangelio y la razón de la alegría que desciende del cielo en Navidad, para nosotros, para todos, en todo el mundo.

 

Pero, insistentemente, observemos, los invitados han sido los humildes, los pecadores, los sufrientes. Las apariciones de la Madre de Jesús dan testimonio: recordemos a los Pastorcillos de Fátima. Nuestra Señora con su Rosario, viene a recomendar al mundo que ore, ore promoviendo la unión, el espíritu de solidaridad, del perdón, meditando sobre los Misterios de la vida, sobre el ejemplo de su Hijo Jesús…

 

En el segundo capítulo de su Evangelio, en el que narra el nacimiento de Jesús, San Lucas nos dice:

“María, sin embargo, guardó cuidadosamente todos estos acontecimientos y los meditó en su corazón. Y los pastores regresaron glorificando y alabando a Dios por todo lo que habían visto y oído, tal como les había sido dicho”. Lucas 2, 19-20.

 

Que este tiempo navideño que precede a la Epifanía del Señor –manifestación de Jesús como Hijo de Dios y Salvador del mundo– nos proporcione reflexiones profundas como las que hizo María, guardándolas en su corazón. Como pastores y pastorcillos, podemos glorificar y alabar a Dios con nuestra vida, a través de nuestra buena voluntad en sintonía con la Voluntad del Padre que fue revelada a través de Moisés y ejemplificada en vida por Jesús. Respondió al fariseo que le preguntó:

“Amarás al Señor tu Dios con todo tu corazón, con toda tu alma y con toda tu mente. Este es el mayor y el primer mandamiento. La segunda es similar a ésta: Amarás a tu prójimo como a ti mismo. Toda la Ley y los Profetas dependen de estos dos mandamientos”. Mateo 22, 37-40.

 

¿Quién, entonces, nos robará esta alegría*? La alegría de la Navidad en la que recordamos el Nacimiento de Jesús, meditamos en todo lo que significa y en lo que recibimos y debemos devolver a Dios, como signo de gratitud. Nuestra responsabilidad es grande: sigamos en oración para que podamos dar testimonio a los pastores, anunciando el Evangelio, compartiendo la alegría del Evangelio, la esperanza y la fe que brillan en nuestros corazones más que todas las luces del mundo encendidas durante esta fiesta tan festiva, bendita.

 

Las apariciones de María Santísima y sus tiernas palabras que nos invitan a la oración, a la actitud de poner nuestra esperanza en Dios, se superponen con el momento en el que ella se paró ante la Cruz del sacrificio de su Hijo. Pueden surgir dificultades, tristezas, imprevistos, pero la certeza del amor de Dios por nosotros no se desvanece en el corazón que cultiva la fe y practica la caridad.

 

Rita De Blasiis

PASCOM de la Parroquia Nuestra Señora de Fátima en Uberaba

 

* “Pero el Señor respondió: “Marta, Marta, estás turbada y turbada por muchas cosas; sin embargo, se necesita poco, ni siquiera uno. María, en efecto, eligió la mejor parte, que no le será quitada”. Lucas 10, 41-42.

 

Uberaba, 4 de enero de 2024.

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