Padre Vítor Coelho, “Apóstolo de Aparecida” é venerável

“Padre Vítor Coelho de Almeida, missionário redentorista, sanitarista do brasil, o Apóstolo do Rádio, o catequista da nossa pátria, é agora Venerável. E só temos a dizer: graças a Deus”, afirma o também Arcebispo de Diamantina (MG).

Carla Zanon e Victor Hugo Barros – A12 – Aparecida

O Papa Francisco assinou, na manhã desta sexta-feira (05), o decreto que proclama como Venerável o Padre Vítor Coelho de Almeida. A assinatura aconteceu durante uma audiência concedida ao prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, cardeal Marcello Semeraro. Na prática, o reconhecimento representa mais um passo para a Beatificação do sacerdote, considerado “Apóstolo de Aparecida”.

“As suas virtudes heroicas foram aprovadas. Isso significa que é um Venerável”, explica o vice-postulador da Causa de Beatificação do padre Vítor Coelho de Almeida, Dom Darci José Nicioli. “Padre Vítor Coelho de Almeida, missionário redentorista, sanitarista do brasil, o Apóstolo do Rádio, o catequista da nossa pátria, é agora Venerável. E só temos a dizer: graças a Deus”, afirma o também Arcebispo de Diamantina (MG).

“É uma alegria, mas muito mais uma ação de graças, porque está se confirmando a santidade dele. E nós então, com essa alegria, vamos também buscando mais santidade em nós mesmos”, destaca o arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes. “É uma grande graça para nós, brasileiros, esta notícia”.

Mais um passo para a beatificação

“Acaba sendo um passo a mais rumo à beatificação do padre Vítor Coelho de Almeida, missionário redentorista que tanto se dedicou ao trabalho junto aos romeiros de Nossa Senhora Aparecida. Então, nesse reconhecimento, neste Decreto que o papa faz, está, na verdade, o reconhecimento de um trabalho missionário dos Redentoristas. Sobretudo, considerando nossa atuação a partir de Aparecida”, comemora o superior provincial da Província Redentorista de São Paulo, padre Marlos Aurélio da Silva.

A próxima etapa do processo que reconhece a santidade do religioso é a beatificação. Para isso, é necessário o reconhecimento de um milagre. A partir daí, ele poderá ser venerado por um grupo particular ou mesmo por determinada região.

Após a beatificação, ainda será necessário o estudo e reconhecimento de outro milagre para a canonização, ato que reconhece formalmente a santidade do sacerdote. Somente a partir daí, a Igreja permite a veneração pública e universal do santo.

O processo de canonização

“Canonização é o processo feito pela Igreja para reconhecer que uma pessoa viveu a fé de modo heroico, a ponto de ser considerada santa, com culto público universal. Depois desse processo, o nome da pessoa é inscrito no cânon, ou seja, na lista oficial da Igreja. Daí vem o nome: Canonização”, esclarece o também vice-postulador da Causa de Beatificação do padre Vitor Coelho, padre Anísio Tavares.

O decreto assinado na manhã de hoje marca mais uma etapa no processo canônico de beatificação do padre Vitor Coelho, iniciado formalmente em 12 de outubro de 1998, pelos Missionários Redentoristas e a Arquidiocese de Aparecida. Nesta fase, foram entrevistadas diversas pessoas que conviveram com o religioso.

Em 2006, documentos e detalhado inquérito sobre a vida e obra do sacerdote foram encaminhados à Congregação para a Causa dos Santos, em Roma, para análise. Na sede da Igreja Católica, a vasta documentação foi estudada. Foi a partir dela que o Papa Francisco pôde reconhecer as virtudes do religioso, concedendo a ele o título de Venerável.

“Estamos muito contentes, agradecidos, e vamos continuar trabalhando para que chegue logo o dia desta notificação de sua beatificação”, garante padre Marlos.

Dom Darci: esperamos a aprovação do primeiro milagre

“A Causa continua e já estamos na expectativa da aprovação do seu primeiro milagre, que ocorreu em Ribeirão Preto. Portanto, o processo vai ser ainda considerado com respeito ao milagre, mas já é uma grande conquista”, acentua Dom Darci.

Padre Vitor

Nascido em Sacramento (MG) em 22 de setembro de 1899, o religioso foi ordenado sacerdote na Congregação do Santíssimo Redentor em 1923. Dedicou os primeiros anos de seu sacerdócio à Catequese e pregação das Santas Missões e, ao mesmo tempo, tornou-se um grande animador vocacional, encaminhando diversos jovens ao Seminário.

De 1941 a 1948, foi internado no Sanatório Divina Providência, em Campos do Jordão (SP), quando foi atacado pela tuberculose. Mesmo acometido pela doença, exerceu forte apostolado entre os doentes.

Com a saúde recuperada, em 1948, padre Vitor foi transferido para Aparecida (SP), dedicando-se à acolhida aos romeiros que visitavam o Santuário e às visitas com a imagem de Nossa Senhora Aparecida em diversos lugares do Brasil.

“Padre Vítor Coelho, por exemplo, foi um homem do povo. Com suas pregações sabia tocar o coração dos fiéis com palavras simples e profundas, convocando a todos para a vivência digna dos valores do evangelho, testemunhado no compromisso com a justiça e a paz”, destaca padre Anísio.

A partir de 1951, dedicou-se à Rádio Aparecida. Por meio dela, realizou vasto e incansável apostolado em todo o país, evidenciando seu caráter missionário. Era ouvido nas cidades, fazendas, vilas e casebres. Possuía grande conhecimento doutrinário e moral, traduzindo para o povo as verdades da fé. Também era sensível às realidades culturais, aos problemas sociais e às dificuldades espirituais.

“Sua dedicação pela rádio e pelos romeiros não foi delimitada pela idade. Ele sempre perguntava e pesquisava, buscava dar o melhor de si na sua pregação. Sua perseverança no trabalho apostólico marcou a minha vida. Padre Vítor foi um grande catequista através dos meios de comunicação”, recorda o missionário redentorista, padre Antônio Agostinho Frasson, que conviveu com padre Vitor.

Em Aparecida, fundou o Clube dos Sócios, que contava com apoio dos leigos para construir a missão da evangelização e devoção à Nossa Senhora Aparecida. “Quem ajuda na evangelização, tem merecimento de pregador”, afirmava. Desde 2020, a iniciativa se fundiu à Família dos Devotos, auxiliando na missão do Santuário Nacional em sustentar as obras de evangelização, acolhimento, acabamento e manutenção do Santuário, bem como a Rede Aparecida de Comunicação e as diversas obras sociais.

Aos 87 anos, morreu em plena atividade apostólica, no dia 21 de julho de 1987. Foi levado ao hospital lúcido e consciente. Morreu rezando, antes de receber atendimento médico. Seu velório, exéquias e sepultamento foram realizados na Basílica Nova de Aparecida, onde recebeu a homenagem de milhares de fiéis e religiosos.

Está sepultado no Memorial Redentorista de Aparecida, localizado ao lado da Basílica Histórica. Diariamente, centenas de pessoas visitam seu túmulo, expressão da devoção ao sacerdote, que mesmo após 35 anos de sua morte, continua vivo no coração dos brasileiros.

Em caso de alguma graça, escreva ao Memorial Redentorista: Caixa Postal 01 – CEP: 12.570-970 – Aparecida – SP, ou ainda pelo e-mail: [email protected] Você também pode ligar para: (12) 3311-2757.

Fonte: A12

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© Copyright Arquidiocese de Uberaba. Feito com por
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