Rússia e Ucrânia

Não existe onde buscar verdadeiras justificativas que dão direito a qualquer autoridade de realizar uma guerra brutal e letal nas dimensões do que vem acontecendo no oriente. A insensibilidade diante da destruição de vidas, de histórias, de projetos, torna-se inconcebível numa cultura universal de progresso, com capacidade de diálogo e negociação. A missão do governo é defender a paz.

É preciso olhar para a cena da travessia do Povo de Deus nas águas do Mar Vermelho, fugindo das atrocidades e autoritarismo praticados pelos Faraós do Egito. O mesmo acontece hoje com o povo da Ucrânia, realizando essa fuga em massa para outros países. As consequências são sempre desastrosas, como a tropa dos Faraós, perdendo carros, cavalos, tropas e homens corajosos (cf. Is 43,17).

Às vezes é preciso perder para ganhar. O Apóstolo Paulo já dizia que preferiu perder tudo para ganhar Cristo. O autoritário nunca admite perder alguma coisa. Pelo contrário, ele quer estar sempre ganhando mais, acumulando desnecessariamente, mesmo sabendo do flagelo humanitário de uma guerra. Como os países dependem uns dos outros, o mundo todo vai ter que pagar caro por essa guerra.

Quem tem quer ter sempre mais, mesmo que custe a vida do outro. A pujança do território russo, de seu desenvolvimento no setor econômico e tecnológico não satisfazem o ego autoritário desse governo. É a política da destruição do outro e de si mesmo, ficando isolado das grandes economias do mundo. As sanções provocadas podem inviabilizar a grandeza da Nação russa, prejudicando a todos.

Há um versículo bíblico que diz assim: “quem julga estar de pé tome cuidado para não cair” (I Cor 10,12). Diz o ditado popular: “Quem muito quer acaba não tendo nada”. O grande perigo é a autodestruição, porque todos estamos no campo das imperfeições e na incapacidade para o domínio total. A única e mais saudável saída é a partilha, a valorização do que é próprio e do que é do outro.

O espírito de guerra pode estar presente na vida de todos nós. Alguns homens apresentaram a Jesus uma mulher adúltera com a intenção de que Ele a condenasse à morte, mas a maldade maior estava neles próprios e não na mulher, porque a fizeram cair em adultério. Jesus agiu com sabedoria dizendo para jogar a primeira pedra quem não tivesse pecado. Todos foram embora (Jo 8,4ss).

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba

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© Copyright Arquidiocese de Uberaba. Feito com por
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